Arctic Monkeys- Lollapalooza- São Paulo 08/04/2012

Depois de quase 5 anos de espera, e dois albuns lançados no intervalo, Arctic Monkeys voltam à São Paulo. A última apresentação da banda foi no falecido Tim Festival, na memorável noite em que os Macacos estavam no line-up com  The Killers, Bjork e Cat Power no dia 28 de Outubro de 2007.

Desta vez, os Monkeys voltaram maiores, e mudados. Afinal, fechar o line-up do Lollapalooza, mesmo em um país de terceiro mundo, não é para banda pequena, e os garotos provaram que tem sim capacidade de fechar um festival a altura de bandas grandes. Esta grandeza que os meninos de Sheffield estão vivenciando na atualidade são frutos dos dois ultimos albuns, dos quais a sonoridade da banda mudou, principalmente depois da produção de algumas faixas de Josh Homme, vocal do Queens of the Stone Age, para o terceiro album Humbug– a liricidade de Turner teve seu auge neste disco. Com um passo tão ousado em Humbug, o quarto album caiu para um lado mais pop, conquistando as menininhas que estavam em peso para ver a banda, principalmente o Alex Turner. Suck It And See, pra mim, tem gosto de Dandelion and Burdock, bebida citada na faixa que intitula o album: é meio doce no começo mas amarga e super ruim no final. As letras de Turner são açucaradas e claramente relacionadas à ex-namorada Alexa Chung, as melodias mais voltadas para o pop não me conquistou, mas trouxe milhões de fãs e verbas pra video-clipes legais e mais fãs. Suck it and See é um album pra conquistar a America feito em uma semana…os Monkeys são capazes de coisa melhor.

E assim eles chegaram ao Brasil, com o fã clube retriplicado de tamanho, e muitos indies de butique entre eles, e menininhas que poderiam ser fã de Justin Bieber, em uma multidão avassaladora, talvez uma das maiores que os meninos tocaram. O setlist do Lollapalooza foi o mesmo da turnê Sul Americana, o mesmo setlist fora tocado tanto no México, quanto no Lolla do Chile e no show da  Argentina. Turner já tinha dito para uma entrevista de um jornal que o show seria composto por hits, e foi exatamente isso o que sucedeu.

A banda tocou vários hits de sua carreira, focando mais nas canções de Favorite Worst Nightmare (Teddy Picker, Brianstorm, Do Me a Favor,  This House is a Circus, Flourescent Adolescent, 505) e no último Suck it And See ( Don’t Sit Down ´Cause I’ve Moved your Chair, Suck It and See, Library Pictures, Brick by Brick, The Hellcat Spangled Shalalala). Os últimos B-sides “Evil Twin” e a ótima “R U mine” também ganharam espaço no show, falando nisso, B-sides sempre tiveram espaço nos shows dos Monkeys, um elemento bem legal. Não é preciso falar que quanto à performance ao vivo Arctic Monkeys é considerada uma das melhores bandas, a química entre os integrantes é visível. Matt Helders é realmente um Agile Beast, ele toca muito a batera, chegando a usar só uma mão, algumas vezes. Mas sua batida é complementada pelo baixo de O’Malley, um baita baixista também, e as guitarras de Jamie (Jay-Mee) e do Alex são o fator fundamental das musicas serem tão boas.

O show não me surpreendeu, os garotos fizeram a mesma coisa em todos os shows da América Latina, a interação que Alex teve com o público é ensaiada: os olhares, os gestos as brincadeiras (sim aquele truquezinho no “Crying Lightning”e “to the ladiiiiies”no “I Bet You Look Good” foram feitas na turnê desde o Don Valley na cidade deles, Sheffield). Mas uma coisa é certa, eles estavam maravilhados com a platéia. Alex até tentou usar a passarela colocada para o Dave  Grohl, mas apesar da pinta de galã, o garoto é tímido- a interação com o público ainda o assusta. Jamie, estava o mesmo, tocava a guitarra no seu canto do palco e se empolgava com algumas músicas, na real, ele tava mais a fim mesmo de fazer um show como outro. Matt, o rei das bateras fez seu trabalho e mostrou seu amor por São Paulo no twitter, sim a multidão tocou o coração do rapaz. E O’Malley, não se mexia, como sempre, mas em certas canções ele até arriscou levantar o braço do baixo: puta feito (apesar que ele tinha MUITO mais vida nos The Dodgems).Quanto ao público, só os hits foram cantados em coro e super animados. Em “Teddy Picker”  a galera pulava e cantava e em “Brianstorm” o grau de empolgação foi ao máximo. Mas as coisas esfriaram quando os B-sides de Favorite Worst Nightmare entraram, do ponto até do Alex falar “Are you OK, São Paulo? Is that you Stopped Bouncing”. Dava pra ver que muita gente ali nem tinha ouvido as masterpieces de Favorite Worst Nightmare.  Os B-sides (Evil Twin e R U Mine? também foram cantados em um pequeno coro (imagino quantas visualizações dos clipes destes B-sides foram feitos antes do show no youtube.)

Saí um quanto decepcionada, na minha opinião a banda faltou energia, energia que tinha visto principalmente nos shows da era Favourite Worst Nightmare, mas a banda ainda é capaz de maravilhar os fãs, mesmo sem nada no palco, sem nenhum fogo de artifício. As roupas, conta bancária e cortes de cabelo podem ter mudado ( que diga o novo Elvis de Sheffield) mas a qualidade da performance ainda é excelente ao vivo. Não posso negar que foi um grande show, não surpreendeu mais foi um baita show.

Agora só espero o novo álbum, rumores falam que será nos moldes de “R U Mine?” o que é bom, afinal é empolgante e com um a bela melodia. Quem sabe na turnê do 5to album os meninos de Sheffield decidam voltar aos países sul-americanos, pois sentimos faltas de performances boas como estas.

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