Two Door Cinema Club- False Alarm

Artista: Two Door Cinema Club
Álbum: False Alarm
Gravadora: Glassnote Records.
Lançamento: Junho/ 2018

Ainda lembro da primeira vez que ouvi o som refrescante e contagiante do Tourist History(2010), primeiro álbum do trio norte-irlandês Two Door Cinema Club que embalou meu verão, fazendo minhas viagens para o trabalho muito mais alegres e contagiantes, além de despontar a banda direto para o topo das paradas com reconhecimento mundial e até um show histórico no Brasil no Circo Voador.  Com mais dois trabalhos no currículo, Beacon (2012), ainda trazendo boas canções, mas dando uma esfriada da fama da banda e nos riffs de guitarras, e Gameshow (2016) que teve uma grande mudança no som da banda que experimentou bem mais com eletrônico e com sons os anos 80.

Começo de 2019 começou com indícios de novo álbum. Trailers com fundo azul e com os integrantes invadiram a internet e o single “Talk” foi disponibilizado junto de um clipe que relembra um pouco a estética de “What You Want”, tanto visualmente quanto sonoramente. Após o segundo single “Satellite” lançado, deu pra perceber que o som mais incorporado, juntando todas as três fases da banda até agora e com um belo orçamento para clipe. Com produção de Jacknife Lee, parceiro de longa data da banda, False Alarmtraz uma grande curiosidade da volta da banda, e a seguir está nosso veredito faixa a faixa:

1 Once// “Another day, another breaking wave/Can’t live without it”

Um ritmo mais calmo, começando o álbum em um tom mais sereno, “Once” tem uma bateria bem precisa, detalhes de sintetizadores, e um refrão que traz os melhores falsetos de Alex Tremble.  Um que de atmosfera de sesistir de sonhos, alguns superficiais nas entrelinhas (soon you’re gonna be a star/ logo você será uma estrela)

2 Talk//“Don’t hit the wall /Can’t stop livin’, do anything you want (Just do it) /Ooh (Just do it)”

O primeiro single de False Alarm tem um ritmo bem dançante e animado, com sintetizadores, guitarras e uma boa percussão trazendo o melhor do bom-astral da banda. O refrão é um dos pontos altos da canção, o intrumental explodindo no background. Letras um pouco crípticas, mas tema falando de como impressionar (ou não) alguém com a conversa mole.

3 Satisfaction Guaranteed// “Paint a picture from the other side/What you get is what you see/(Closer to heaven)”

Com participação de Mokoomba, um grupo do Zimbabue, e muita influência de sintetizadores dos anos 80, “Satisfaction Guaranteed”, tem muitos detalhes no background e um refrão bem mais limpo, simples e direto. Quanto as letras, Alex Trimble focou no mundo real e como o paraíso (heaven) pode acontecer quando colocamos um pouco o telefone de lado.

4 So Many People// “I have something better than anybody else/ I’ve landed”

Teclados bem anos 80 e uma atmosfera bem a la Tame Impala, Twoo Door oferece uma canção bem dançante e suave, com um belo baixo também pra melhorar nos passos de dança. Letras sobre múltiplas personalidades para conquistar o amor da vida, e sem arrependimentos de mais um dia, uma nova personalidade. Pra dançar, curtir, e tentar personalidades diferentes. Fernando Pessoa deve aprovar.

5 Think// “Think what you’re doing to me/’Cause I don’t wanna think/When I’m taking the heat”

Um pouco mais vagarosa e com uma atmosfera sexy, a música que abre com uma frase em espanhol e tem Laura Hayden nos backing vocals que mesclam com a voz de Alex Trimble em efeito. Guitarras dão um toque especial na canção e contrastam com a suavidade do ritmo e dos vocais. As letras um pouco crípticas pedem que a garota pense no que está fazendo, já que nada é segredo e tá tudo ok.

6 Nice to See You// “It was so nice to see you/Don’t be a stranger now/You’ve got my number/Give me a call, give me a call”

Com participação Open Mike Eagle em um rap no recheio da canção, “Nice To See You” é a canção mais longa do álbum e uma das mais bem produzidas que cresce no instrumental após o primeiro refrão, de praxe, bem dançante e com a animação da banda. Letras novamente sobre relacionamento, encontros e desencontros do amor.

7 Break// “I can think until I’ve nothing left to say /So what should I do? /Is it too late to save me?”

A canção mais curta do álbum (com somente dois minutos) tem apenas dois versos e provavelmente toca o tempo que a banda teve que cancelar um show no Latitude Festival devido ao desgaste de Alex. Bem honesta, tanto no passar dos dias quanto na promessa do que poderia ser, tudo embalada por um ritmo bem leve, cheio de detalhes e com um dos melhores vocais de Alex, e um final instrumental que fecha bem a canção.

8 Dirty Air//“Give me your time, I’ll give you plenty of mine/Or give me something to burn, I’m tired of waiting my turn”

Um dos singles lançados antes do álbum ser oficialmente liberado, começa com bom sintetizadores que já explodem de cara com várias camadas, que deixam a  faixa mais dançante logo na ponte, e com picos no refrão. Letras sobre o caos, caso tudo pegasse fogo, tanto a confusão, quanto a novas liberdades oferecidas.

9 Satellite//“Pour the champagne, leave the party/Play the game till everybody’s won/We’re the ones to carry on/We are the satellite”

Começando com um baixo bem anos 80 e Alex com voz bem grave, a canç]ao começa a crescer e explode em um refrão super dançante, empolgante e até um pouco mais orgânico. A canção que teve “Callister”(ou Star Treck) do Black Mirror como inspiração tem uns detalhes tecnológicos, mas novamente vocabulário críptico, mas referenciando o mundo atual de respostas prontas e reações de internet que vivemos.

10 Already Gone// “And it’s such a damn shame to let it go (Already gone) /We could’ve lived together as one”

A canção que encerra o disco tem outra vez os falsetos de Alex Trimble e uma pegada mais Tame Impala para a canção: suave e com um baixo marcado. Embalado pelo som, Alex lamenta um amor não ter dado certo e como a tecnolofia estava presente na relação. Ao se empolgar demais com a faixa, saiba que a mesma acaba abruptamente, dando um gostinho de quero mais para a canção.

 

O então quarto álbum do Two Door Cinema Club veio como uma ótima surpresa não só mostrando a maturidade sonora da banda mas também como um álbum necessário para a cena indie atual. False Alarm traz ainda todo o instrumental energético e refrescante que a banda sempre ofereceu, principalmente nos dois primeiros álbuns, com baixos marcados e presentes de Kevin Baird, e riffs de guitarras criativos e precisos de Sam Halliday, juntando com teclados e sintetizadores usados sabiamente nas canções, trazendo uma nova roupagem para banda mesclando a nova característica com a identidade alegre da banda.

Porém são as letras que as maiores disparidades ocorrem. Muitas metáforas e letras crípticas fazem o ouvinte entender os temas das canções nas entrelinhas, e os temas englobam tanto relacionamentos- vista de uma óptica mais abrangente (“Nice To Meet You”,”Already Gone”, “So Many People”, quanto tecnologias (“Talk” e “Satisfaction Guaranteed”). No entanto a subjetividade às vezes pode não facilitar a conexão do ouvinte com as mensagens em algumas canções.

False Alarm não só marca o retorno esperado do trio irlandês, mas também oferece um álbum sólido e maduro, com a banda experimentando novas sonoridades até com os graves e agudos do vocalista Alex Trimble, mas também com um instrumental  que surpreende com toda energia esperada do Two Door Cinema Club com uma roupagem mais moderna e madura, dando um gostinho de quero mais quando o álbum acaba.