Travis- Everything at Once

Artista: Travis
Álbum: Everything At Once
Gravadora: Caroline Distribution
Lançamento:Abril/2016

Demorou um pouco, só quatro anos, mas muitos  fãs da banda Travis ficaram com a pulga atrás da orelha se a banda estaria de volta para um álbum novo ou para alguma reunião, já que a banda teve um longo período anterior ao Where You Stand (2013). Travis é aquelas bandas que nunca deixam de te surpreender com aquele som que varia entre a alegria e o melancólico, elementos sonoros e ritmos que podem ser um pouco diferentes do que a banda normalmente faria, mas que encaixa perfeitamente bem. Muita gente lembra das faixas “Why Does it Always Rain on Me”, o hit melancólico do segundo álbum The Man Who (1999) e “Sing” single que estourou no mundo do álbum The Invisible Band (2001). A banda voltou em 2007 com The Boy With no Name e então um break para voltarem em 2013 com Where You Stand– com mais clipes divertidos e um pop que flerta com folk ( e até eletrônico) mostrando ao mundo que o som orgânico também pode ser criativo e criar ótimas energias.

Everything at Once é o oitavo disco da banda escocesa, e logo pelos clipes, já podíamos esperar algum tipo de experimentação com eletrônico (“Everything at Once” dá muito bem esta dica, além de tirar um belo sarro dos programas de auditório) e um certo otimismo com “Magnificet Time”. Pois demos uma escutada no álbum que incluem 11 canções e fizemos a resenha faixa a faixa de Everything At Once.

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1.What Will Come // “All the things you haven’t seen/ Everything that last between/Pages You’ve yet to turn/Lessons you’ve never learned”

Abrindo o álbum com uma faixa bem tradicional Travis com violão dando todo o ritmo e a guitarra dando aquele toque especial. As letras parecem parecem pedir uma segunda chance citando todas as coisas ainda não vividas, mesmo assim respeitando a decisão da pessoa e estar pronto para o que vier.

2.Magnificent Time //“Seize the day/ Don’t throw away/ This magnificent time”

A canção que tem o clipe com tema do álbum (reza a lenda que há um filme do disco e depois de uma balada Fran Healy encontra-se nesta cidade) e até uma dancinha e que todos devem dançar no show, é bem animada e com mensagens positivas mesmo olhando pra trás e reavaliando as escolhas- o presente é mais importante e deve ser prestigiado. Quanto à canção,as guitarras aparecem mais pesadas e o coro no refrão dão características  para a canção.

3.Radio Song //“Open your mouth up wide/ So we can park a bus inside”

Com um rock tradicional com muitos riffs de guitarra  a canção, “Radio Song” tem violão, guitarras e bateria em um som típico Travis e com letras sobre relacionamentos e como uma música no rádio pode acabar com tudo, justamente aquele momento em que você escuta sua música favorita no rádio, mas não pode cantar e curtir o momento. A letra pode ser tensa, mas sempre com a sutileza do som da banda. Curiosidade, o que inspirou a canção foi a música da banda Breeders- “Cannonball”.

4.Paralysed //“Preening for the screen like a Kardashian/Do you ever get the feeling you’re the only one”

Baixo e baterias tribais ditando a canção, deixando a atmosfera mais tensa, o que encaixa perfeitamente com o fato de estar paralisado e não podere fazer nada. As letras falam sobre toda esta cultura atual de observarmos a vida alheia pelo Instagram, Twitter e Facebook- principalmente das celebridades (mencionaram as Kardashians, que honestamente, só sabem ser “famosas”); assim como  ao fazer isso, ficamos paralizados, vendo a vida passar.

5. Animals //“All the animals are running to the sea”

A canção tem um compasso 6/8, tem um feeling mais clássico (com direito à violino), além de ser composta por Dougie Payne. A canção fala exatamente do fato de nós todos sermos animais, apesar de toda a nossa inteligência e avanços sociais, tecnológicos etc. Atenção extra para o vocal de Fran Healy.

6.Everything At Once// “You can’t do everything at once but you can’t do anything you want”

Começando com uma enxurrada de palavras e informação, a canção flerta com sintetizadores, bassline- mas também tem o clima Travis com o baixo entrando no meio e dando um tom mais confortante.O refrão, cantado por Dougie Payne, é bem libertador, contrastando com os versos cantado por Fran Healy. A letra é inteligentíssima e fala exatamente de quando o tempo passa, você se acostuma com a rotina, quer mudar, mas não tem forças nem ideias  de como fazer tudo que quer…

7. 3 Miles High// “And your life is a Russian Doll/You were given when you were small/And they’re all inside you”

Segundo single e super rápida (2’26”) e tem o som clássico do som Travis: violão e a voz melódica de Fran Healy. As letras sintetizam mais ou menos o que “Paralized” e “Everything at Once” abordam:  você até sente que quer mudar, mas a rotina e os hábitos não deixam- além da de estarmos “3 miles high” tão alto que não conseguimos ver a nossa realidade.

8.All Of The Places//“Open all the windows, clear away the floor/ look into the future now and all that went before…For love “

Mais uma clássica da banda, porém mais agitada e com letras bem delicadas. Segundo Healy a música fala tanto sobre morte e nascimento e como a vida das pessoas mudam após estes eventos; também sobre as notícias ruins que sempre estão presentes em jornais (citou o Daily Mail, hehe ). O vocal suave de Healy dá um cima delicado para a canção.

9.Idlewild (ft. Josephine Oniyama)//“Here we lie/ High and Dry/ The world will never see you till you open your eyes”

Com a participação do vozeirão de  Josephine Oniyama, “Idelwild” tem violão, piano, bateria e foia primeira canção escrita para o álbum. Healy canta os versos em uma voz sussurrada e Josephine canta o refrão. Enquanto Fran narra os encontros e desencontros de um casal, Josephine canta o que seria necessário para tudo dar certo. Uma das melhores do álbum.

10.Strangers On A Train//“If you got love holding high/Hold your heart up in the sky. Let it shine”

Canção com mais cara de “música moderna”, com batidas espaçadas, piano e sons minimalistas que aparecem em pontos específicos da canção a voz de Fran Healy que dão o tom especial. A música cresce a medida que os elementos são encorporadas, fazendo um final bem bonito. A canção foi composta por Andy Dunlop que teve inspiração de um barulho de trem (escute, está lá) quando estava em San Diego. As letras foram compostas com Ali Ingle e falam do distanciamento entre as pessoas de um jeito bem poético.

 

Não é novidade que Travis sempre teve canções de ótima  qualidade, misturando as viciantes melodias, tanto de vocal quanto instrumental com o violão sempre presente, e as letras sempre fazendo ótimas observações do cotidiano e das coisas simples da vida que sempre rendem sentimentos, dúvidas e boas canções. Em Everything At Once não foi diferente, vimos um pouco de crítica à alta conectividade com aplicativos e mídias sociais e a desconectividade de nós mesmos e das pessoas mais próximas da gente em “Paralyzed” e “3 Miles High”, vimos traços clássicos de melancolia em “Idlewild” e “Strangers on The Train”, e uma onda otimista em “Magnificent Times” e até em “3 Miles High”.

Travis também experimentou bastante com o álbum, mesmo ainda colocando seu som tradicional. “Paralized” tem ótimas guitarras e um ritmo novo para a banda, “Strangers on the Train” vem de uma ótima ideia, mas o começo lembra bastante o cenário musical atual, mesmo com o vocal marcante de Fran Healy, a música começa a ser mais “Travis” para o meio e final da canção. A banda brinca com alguns sintetizadores de modo inteligente, não deixando ditar as guitarras e o ritmo da banda- mesmo em “Everything at Once” que muita gente estranhou no começo, deu super certo, traduzindo ainda mais o que a banda tinha a dizer nas letras. E entre as canções “Idlewild” é a grande surpresa, trazendo Josephine Oniyama com uma ótima história e ótima canção.

Apesar dos resquícios de melancolia de dias cinzas, parece que a chuva não está tão pesada na banda, a tristeza deu lugar à batidas mais otimistas e indagação sobre o tempo, rotina, modernidades (e de novo o tempo consumido por elas) morte e nascimento, mas sempre com um fundo mais otimista, bem diferente de álbum como The Man Who (1999) e Invisible Band (2001). Everything at Once, tem realmente tudo de uma vez só: o som tradicional da banda e os experimentos feitos de modo inteligente, somando como ferramenta para usar no som da banda. Só não recomendamos o álbum para aqueles que mentiram quando tinham 17 anos.