The xx- I See You

Artista: The xx
Álbum: I See You
Gravadora: Young Turks
Lançamento:Janeiro2017

O trio inglês The xx é bem conhecido pelas suas canções, que já ate ganharam versões de cantores famosos ( alguém lebra do cover de “Islands” da Shakira?!), fato que se deu com a sonoridade inovador do trio que inclui um eletropop suave, tranquilo e aconchegante que caiu na graça do publico e rádios. Jamie Smith, Romy Madley Croft e Oliver Sim então lançaram primeiro álbum xx (2009), que além de trazer fama para a banda com o som sussurrado e delicado, mostrou este tal jeito inovador de fazer pop indie. Já Coexist (2012) foi inspirada em club music e traz experiências pessoais nas letras das canções e ainda o minimalismo presente do primeiro álbum, assim como as programações e produção de Jamie Smith.

Após quase 5 anos, The xx lança I See You,  e logo nos primeiros singles “On Hold” e “Say Something Loving”, já é possível ver influência de In Colour, álbum solo do integrante Jamie Smith (também conhecido como Jamie xx ) na produção, feito visto com a clara presença de samples em algumas músicas, e sons mais volumosos  e mais dinâmicos que os álbuns anteriores, e segundo os próprios músicos “o som é mais expansivo, aberto e positivo” comparando-se aos projetos anteriores. Pois então escutamos o álbum e resenhamos faixa a faixa a seguir:

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1 Dangerous// “They say/You are dangerous, but I don’t care/I’m going to pretend that I’m not scared”

Logo na primeira canção já é visível o tom mais eletrônico e dance com a produção de Jamie. As batidas são mais intensas e um refrão bem mais animado com alguns samples além de  Oliver e Romy em um belo duo cantando em sintonia no refrão. Um dos destaques é o instrumental bem intenso pro meio e final da canção.

2 Say Something Loving//“I just don’t remember the thrill of afection”

Começando com o sample da canção de  Alessi Brothers- “Do You Feel It?“, a canção começa um pouco intensa e pesada  com  um teclado pesado até o primeiro refrão acabar e Romy entrar com os versos, que lembram um pouco reggae no ritmo. Com tema de não perder o afeto do amado antes que tudo vá por água baixo. É interessante ver a interação novamente entre Romy e Oliver  e como as estruturas com frases diferentes do sample e de Romy e Oliver funcionam.

3 Lips// “In my head, in my veins/In the way you give and take/In the weight that you weigh/On my body, on my brain”

Começando com outro sample- desta vez de  David Lang- “Just (After Song Of The Songs”), o instrumental começa bem minimalista, para depois pegar corpo, bem dançante e embarcar em um refrão com uma bela integração do sample e da parte do xx. Mais uma vez letras sobre amor e intimidade, coloridos com detalhes bem postos e um eletrônico bem composto. Aposta para ser um dos singles do disco.

4 A Violent Noise// “Now I go out/But every beat is a violent noise”

Uma das canções que mais indica a mudança sonora registrada “the xx”, a canção densa que relembra as batidas de balada são recriadas por Jamie xx, e a melodia e as letras se contrastam lindamente no refrão no silêncio feito após  as palavras “Violent noise” cantadas por Oliver. Com uma ótima reflexão sobre a vida de festa, entre celebrar e escapar  e se perder em um crise existencial em uma balada.

5 Performance// “I’ll put on a performance/I’ll put on a show/It is a performance/I do it all so”

Canção interpretada com bastante emoção por Romy, em uma das melodias mais minimalistas do álbum com toques de guitarra e um peso com violinos  que dão um tom mais solitário e urgente das palavras que pedem por atenção em uma “performance”- para finalmente fazer o outro entender os sentimentos, que muitas vezes são ignorados. Mais uma vez The xx consegue juntar com maestria a mensagem das letras com o instrumental minucioso.

6 Replica// “And as if I tried to, I turned out just like you/Do we watch and repeat?

Com um instrumental bem calmo um baixo e um riff rítmico, a melodia mais uma vez dialoga com as letras da canção. Abordando os próprios erros, Oliver canta e pondera sobre os erros que cometeu e a relação destes com o provável erro de seus pais, se temos esta tendência de repetir o que assistimos, nos tornamos a réplica de nossos pais. A produção de Jamie xx brilha em algumas explosões de som, contrastando com o vocal delicado de Romy e Oliver.

7 Brave For You//“And when I’m scared/I imagine you’re there/Telling me to be brave”

A canção escrita por Romy foi inspirada em seus pais já falecidos (o pai faleceu na turnê xx e a mãe faleceu quando Romy tinha apenas 11 anos) e mostra como a cantora juntou forças para tocar a vida. Bem forte e emocionante a canção teve a produção de Jamie, mas mesmo assim deixa a atmosfera mais leve e bonita com alguns detalhes  e melodia que cresce, assim como a confiança da cantora.

8 On Hold//“And every time I let you leave/I always saw you coming back to me/When and where did we go cold?/I thought I had you on hold”

Primeiro single liberado de I See You, com um ótimo sample de “I Can’t Go For That (No Can Do)” de Hall & Oats, que já traz a veia mais eletrônica da banda embora o sample dê um baita contraste com a atmosfera e o tema da canção. “On Hold” trata daquele momento em que a pessoa em que você está envolvida se apaixona por outra pessoa e te deixa na espera, sem resposta, sem sentimentos. Romy e Oliver parecem discutir o relacionamento, enquanto Oliver fala que o relacionamento está “em espera”, Romy afirma que não pode mais esperar e ficar no relacionamento

9 I Dare You//“I’ve been a romantic for so long/All I’ve ever heard are love songs”

Quase como uma continuação de “Oh Hold”, a canção tem como tema uma paixão avassaladora (neste caso a parte de Romy em “On Hold” e seu novo relacionamento) assim como todos os sintomas deste sentimento. Há referencias também à canções de amor e um refrão relembrando todas estas canções pop (ooh ohhs no refrão). A canção é bem leve e radiofônica, e com potencial de ser single.

10 Test Me //“Test me, see if I break/ Tell me this time you’ve changed/ I’ll take it out on you”

Em um passo bem espaçado e um ótimo coro dos dois cantores, Romy pede que apertem seus botões para testá-la e ver seus limites, se ela ficará ou não- algo bem sério e corajoso a ser pedido. Quanto ao instrumental, este acompanha os cantores bem minimamente para logo depois se transformar em um som atmosférico que se desdobra e mostra-se bem complexo, uma boa obra do Jamie xx.

Mais uma vez a espera por mais um álbum do trio foi válida: a maioria das canções tem a essência The xx, mas é impossível não notar o peso da produção de Jamie xx em todas as canções, principalmente a influência notável  de In Colour, o álbum solo de Jamie. Com mais samples e muito mais agitado, sem deixar a melancolia e profundidade (geralmente vindos da atmosfera calma e dos vocais de Romy e Oliver), a direção do trio muda e explora mais batidas e sons que muitas vezes dialogam diretamente com o tema da canção ( “Violent Noise” e “Replica” como um dos exemplos do diálogo). A produção já detalhada e primorosa foi intensificada e melhorada

Além da produção, outra característica que chama atenção são os vocais: embora Romy e Oliver tenham limitações, a qualidade e interpretação das canções melhoraram notavelmente. Em “Performance”, “Brave For You” e  “Violent Noise” a emoção rola solta, um tanto por ser canções pessoais, mas a qualidade vocal dos dois também é notável. A química dos dois dão arrepios e suas vozes são mescladas sabiamente em várias canções o que dá em I See You,  uma visível evolução.

O álbum realmente traz elementos novos, mas a essência The xx, incluindo melancolia, temas ás vezes angustiantes e uma produção minimalista ainda estão presentes, embora com um pouco mais de experimentação por conta de Jamie xx. I See You naturalmente agrada os fãs old school do trio, mas talvez pode trazer a audiência do Jamie xx também, e o mais interessante e ver o esta evolução do som e até onde estes três artistas talentosos vão parar.

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