The Wombats- Beautiful People Will Ruin Your Life

Artista: The Wombats
Álbum:Beautiful People Will Ruin Your Life
Gravadora:  14th Floor/ Bright Arena
Lançamento:Fevereiro/2018

Provavelmente você já ouviu alguma canção ou sobre The Wombats alguma vez, já que são um dos maiores nomes do indie na cena britânica. Os meninos de Liverpool são o vocalista e guitarrista Matthew Murphy, o baterista Dan Haggis e o baixista  Tord Øverland Knudsen, que ao todo já tem três álbuns no currículo: A Guide to Love, Loss and Desperation (2007), This Modern Glitch (2011) e Glitterbug (2015). Com um bom sucesso e projeção internacional já no primeiro álbum, a banda teve alguns flertes com eletrônico no último álbum, e teve um sucesso relativo o redor do mundo.

O quarto trabalho da banda, com o ótimo nome Beautiful People Will Ruin Your Life, teve o primeiro single lançado  no final de 2018 e já mostrava uma d0s principais aspectos estéticos do álbum:  um álbum sem muito sintetizador e eletrônicos. Com tema de amor/ódio  algumas vezes até inspirados no relacionamento do vocalista Matthew Murphy com sua esposa. Pois bem, escutamos as 11 faixas e demos um veredito faixa a faixa a seguir:

1 Cheetah Tongue// “I cut off my head and my cheetah tongue/I can’t think straight and my mouth is numb”

Primeira canção do álbum foi o terceiro single lançado com um clipe hilário relembrando a era fitness dos anos 80. Com guitarras, uma bateria eletrônica e vocal- a canção começa com o refrão mais simples, assim como a primeira estrofe, para estourar no segundo refrão, com batidas. A banda faz uma mescla bem feita com indie e um pouco de indietrônica,  com letras com várias metáforas para lidar com ansiedades e aquele sentimento de emudecer/não falar demais.

2 Lemon to a Knife Fight // “Lipstick on the backseat, saliva on the dash”

O primeiro single da banda trouxe uma atmosfera indie que há tempo não víamos. Com um riff marcante de guitarra abrindo e um violão acompanhando, a canção explode nos refrões. As letras são sobre entrar em uma briga que você sabe que não consegue ganhar- neste caso, o vocalista Matthew Murphy com sua mulher- e há também uma bela imagem descrita da Mulholand Drive  congestionada ( The brake lights cast a red light
And the road twists round the hill).

3 Turn// “I like the way your brain works, I like the way you try/To run with the wolf pack when your legs are tied”

O segundo single liberado pela banda é também o mais eletrônico do álbum, mesmo sendo um eletropop bem tímido e bem dosado. A canção tem um tom mais devagar e até um pouco melancólico, mas a intensidade da canção aumenta a partir da segunda estrofe e na ponte da canção. As letras  falam sobre um relacionamento e a admiração das loucuras que a menina fazia tanto para se inserir no grupo e para impressionar as pessoas

4 Black Flamingo// “I wanna love you but it hurts, hurts, hurts/ I wanna stay here but the time slips away from me”

Com riffs de guitarra lembrando um pouco anos 90, “Black Flamingo” tem uma estrutura bem clássica com guitarras, baixo e bateria e um refrão bem chiclete e fácil de cantar. As letras falam de um relacionamento em que o moço faz tudo errado, mas mesmo assim quer ficar no relacionamento, mesmo que isso seja prejudicial para ele. O final um pouco eletrônico dá um contraste legal com a atmosfera da canção.

5 White Eyes// “You clean my heart, you do/But still it twists like a Rubik’s cube”

Outra canção que flerta bem com o eletrônico mas ainda deixa prevalecer o rock clássico. Começando com um riff e voz e permanecendo minimalista até a explosão do refrão com bateria roubando a cena e super em sintonia com a guitarra e baixo. O eletrônico aparece logo depois, mesclando bem com a canção. que continua rica em instrumentação e energia, enquanto as letras comparam o amor com uma droga, e como tudo não fica tão bem com a falta de seu amor ao lado.

6 Lethal Combination// “If you remember this tomorrow then you’re doing it all wrong”

A canção tem alguns aspectos que lembram um pouco o pop moderno ( a parte falada rápida do refrão), mesmo assim, The Wombats conseguiu fazer uma canção bem refrescante, com detalhes em eletrônico ( bateria eletrônica no começo) e refrão pra cantar, e versos com estrutura e guitarras bem em rock embalando letras que te chamam para uma noite de bebedeira e um possível One Night Stand.

7 Out of My Mind//” I try to be human/ But that never works/ I’m lost in a gift shop
With hours to burn”

“Out of My Mind” relembra um pouco as melodias do final dos anos 80 e começo dos anos 90, com baixo marcante e um pouco de sintetizador, com um refrão explosivo e um riff de guitarra de guitarra espaçado mas bem marcante. As letras são bem intensas e contam como é se sentir sozinho, e enlouquecer em pânico  por não ter ninguém para compartilhar o que você está sentindo.

8 I Only Wear Black// “Black, I only wear black/ Spring in my step, knife in my back”

Reclamando sobre a falta de sorte na vida, começando com piano e voz e logo explodindo com baixo e guitarra e dando uma ótima melodia dançante, até o segundo refrão quando a canção aumenta em intensidade e instrumentalização. A música transita em várias intensidades, mostrando a pluralidade da banda

9 Ice Cream// “Everything gets blurry, am I right where you want me?/Melting like an ice cream in the sun”

Com um baixo e bateria ditando a canção, até a melodia mudar mais intensamente no refrão, com guitarras mais sujas. Com uma melodia bem gostosa e suave, mais uma vez as letras falam da experiência de deixar o passado para trás mas mesmo assim, se sentir manipulado por um alguém. Música ótima para escutar na estrada.

10 Dip you in Honey// “Baby, we were made out of sunshine/Baby, we were made out of stars/Tame the thunderclouds in my mind/ ‘Cause the sunshine won’t shine around here no more”

Com uma pegada mais psicodélica e relembrando uma atmosfera Beatles ( Sgt Peppers era ) e com um refrão cem agitado com direito até a falseto, a canção também nos oferece belos riffs de guitarra e uma certa confiança nas letras que a pessoa vai ajudar a melhorar a escuridão no eu-lírico.

11 I Don’t Know Why I Love You But I Do// “I don’t know why I like you but I do/
And I’m just tryna fire a cannon from a canoe”

Uma das baladas do álbum, encerrando o álbum em um tom mais ameno, a canção começa com baixo mais forte, fazendo a melodia um pouco mais quebrada até chegar mais intensamente nos refrões, até um pouco hipnotizante com a repetição de “I don’t know why I like you but I do“. Um dos pontos altos é o maestoso riff de guitarra e as metáforas de como o amor ali não funciona mais.

 

O quarto álbum oficial dos The Wombats vai na contramão da tendência eletrônica que assolou o mundo pop e com grande influência também no indie pop e rock. Propositalmente mais clássico, com muita guitarra e riffs de guitarra, baixos conduzindo brilhantemente canções e bateria no tino, a banda também utilizou-se do eletrônico, mas de um modo bem mais sutil, ressaltando os detalhes de canções ( como a batida eletrônica após o segundo verso, indo pro refrão em “Lemon to a Knife Fight” ou a introdução de “Lethal Combination” e até mesmo no single que abre o álbum “Cheetah Tongue”.

Mesmo sem a predominância do eletrônico, The Wombats oferece um álbum bem eclético que vai para várias direções e surpreende o ouvinte. De típica canções de Guitar bands, como “White Eyes” e o single “Lemon to a Knife Fight” a banda flerta com elementos dos anos 90 e até um pouco de psicodélico em “Dip You in Honey” a banda traz canções e atmosferas bem diversificadas. Já o tema de letras das canções são um show à parte; cheio de metáforas hilárias e irreverentes,  o ódio/amor que temos por algumas pessoas é visto em diversos ângulos: em uma briga de casal (em “Lemon to a Knife Fight”), nos sentimentos misturado (em “Turn” e “I Don’t Know Why I Love You But I Do”) e até mesmo consigo mesmo em ( “I Only Wear Black”), fazendo as canções ainda mais interessantes e geniais. Em algumas entrevistas a banda afirmou que Beutiful People Will Ruin Your Life foi escrito nos Estados Unidos, o que explica também tantas referências à algumas cidades do país.

Com  sons que relembram o que consagrou a banda, The Wombats mostra que guitar music ainda é importante e traz um dos melhores albuns indie roots e mostra que o indie ainda tem força e valor nos dias atuais!