Terno Rei – Violeta

Artista: Terno Rei
Álbum: Violeta
Gravadora: Balaclava Records.
Lançamento:Fevereiro/2019

Terno Rei já há um tempo vem chamando a atenção não só da crítica, mas dos fãs, principalmente com os últimos EPs (Trem Leva As Minhas Pernas) e os singles “Criança” e “Sinais” e o segundo álbum Essa Noite Bateu Como Um Sonho (2016). Com o anúncio de que Violeta seria lançado já era prenúncio de que a banda iria achar sucesso logo. Diferenciado sonoramente do último álbum, a banda então oferece um ótimo flerte de indie com muitas influências dos anos 80 e aquele tom de melancolia.

Gravado na metade final de 2017 e metade inicial de 2018, a banda  elaborou o som de Violeta– com uma urgência de mudar um pouco o som dos álbuns anteriores, deixando o lo-fi um pouco de lado e arriscando um pouco mais com o pop, a banda oferece um som um pouco mais acessível para o ouvinte. Segue então a resenha faixa a faixa em que analisamos todas as canções de Violeta:

1 Yoko// “Pois aqui me sinto livre/Eu aqui me sinto em casa/Eu aqui me sinto inteiro”

A canção que abre Violeta mostra aquele relacionamento desgastado e um pouco conflituoso nas letras em situações bem reais. Toda a melodia das letras cantadas de uma forma bem honesta pelo vocalista Ale Sater e com um instrumental bem amarrado, com um sintetizador dando toques mágicos e um ótimo baixo que brilha em pontos da canção.

2 Dia Lindo// “E a previsão de tempo errada/ Diz que o dia hoje seria frio/ Mas hoje fez um dia quente, hoje fez um dia lindo”

A canção que impulsionou o sucesso do álbum e consequentemente a carreira da banda é uma canção concisa e poderosa. Com um 1:50, a balada “Dia Lindo” tem intrumental coeso com um belíssimo piano dando um toque delicado e expressivo para canção. As letras sobre “a previsão de tempo errada”, ou da volta do amor e do dia lindo cantadas de um jeito melancólico e sincero, brilham no final da canção com um coro bem sutil.

3 Solidão de Volta//“Eu já tenho a solidão/Cê já tem a solidão/Eu já tenho a solidão/Não precisa mais se preocupar”

Baixo e guitarra ditando a guitarra que traz tanto na música quanto no clipe um elemente meio grunge, até mesmo com os vocais  mais graves e despretenciosos. Com um ritmo ótimo pra dançar e afogar a solidão em uma música que aborda o tema de um modo tão leve.

4 93// “Quanto tempo faz/93”

A canção que mais tem a estética do final anos 80/início anos 90,  com o intrumental e vocais mais graves de Ale Sater no primeiro verso. Letras sobre uma suposto ensaio de volta com a antiga namorada que mora no apartamento 93, e a desilusçao do acontecimento pesam na interpretação da letra que casa com os ecos e backing vocals da canção e o instrumental  com baterias espaçadas e atmosfera misteriosa.

5 Medo// “Quem não tem mais medo é rei/Bateu/Às seis”

Com um instrumental bem costurado e um sintetizador que brilha nas pontes e no refrçao, além de uma guitarra bem interessante no segundo verso. Os vocais, principalmente os agudos do refrão também são destaque da canção, casado com uma interpretação bem legal das letras .

6 Estava Ali// “Estava ali, sem você/Vou deixar a vida me dizer”

Com um instrumental bem onírico e com o vocal de Bruno Rodrigues com uma bela guitarra e um ritmo suave e contagiante. Com dois versos  e um belo instrumental como recheio, e letras sobre quele ponto do relacionamento em que há muio mais expectativa do que realidade.

7 Amor-Perfeito//“Pois esse bairro está tão colorido/E não é Carnaval/Não tem folia”

Com uma atmosfera meio anos 80 no ritmo e na guitarra, e com vocais bem espaçados, a canção pesa mais pro intrumental com um ritmo suave, aéreo e bem delicado. Como sempre, o riffizinho de guitarra em um toque espeecial na canção.

8 São Paulo// “Oh, São Paulo/ E a gentil hostilidade/Eu vejo sempre dois lados/Eu vejo sempre dois lados”

Misturando tanto a percepção do caos da cidade de São Paulo, com o fim de relacionamento, Terno Rei traz uma atmosfera de melancolia com a visão da cidade de São Paulo em plena chuva e congestionamento, além daquele sentimento de solidão com seus problemas, rodeado de gente. O clima oferecido pelo sintetizador bem anos 80, o vocal e a bateria espaçada fazem a trilha sonora perfeita de melancolia que brilha ainda mais no refrão que trás um sintetizador mais leve e bonito.

9 Luzes de Natal//“Você me faz, longe demais, eu não consigo/Você me traz coisas demais que eu não preciso”

Violão,  e um ritmo mais acelerado e alegre,”Luzes de Natal” lançada na semana de Natal de 2018. A canção com um ritmo mais pop tem um refrão bem memorável, e letras relatando a correria da cidade, u.ma reflexão do relacionamento e obviamente, as luzes de natal.

10 Roda Gigante// “‘Cê me levou no parque/Pra passear na roda gigante/Não quero descer, sair, me levantar’

Com uma bela atmosfera misteriosa, produzida pelos sintetizadores que brilham com a bateria e o riff de guitarra no meio da canção, “Roda Gigante” também pode ser uma metáfora de estar preso no relacionamento, mesmo assim, “ainda podendo sonhar por aí”.

11 Vento na Cara//”Tem um milhão de coisas que eu não sei/E o que é que eu faço agora/Além de cantar?”

Mai um dos singles do álbum, a canção que fecha Violeta começa com uma atmosfera pesada com os sintetizadores e os primeiros versos. A canção cresce, abre e explode resultando em um ritmo dançante e orgânico, resumindo bem todas as atmosferas que o álbum ofereceu ao ouvinte. Com letras de uma reflexão bem legal da vida surgida de um momento ( vento na cara), a canção tem mais uma dose de mistério e de verdades que é fácil se identificar.

 

Uma curiosidade é que  ainda não se sabe se Violeta é o nome da menina da capa, ou só a cor, ou ambos, porém é inevitável que o álbum Violeta trouxe um grande passo para a banda paulistana. Sonoramente, Violeta traz uma coesão em usar os elementos dos anos 80, principalmente os sintetizadores com um som bem atual. O instrumental suave das canções, segue uma linha em todas as faixas, sem deixar que cada canção explore aspectos e áreas diferentes. De faixas mais agitadas como “Solidão de Volta” para a balada “Dia Lindo” há sempre o mesma atmosfera sonora, mas diferentes faces desste clima sonoro.

Quanto às letras, Violeta trata dos encontros e desencontros de um casal, em lidar com a solidão e isolamento, de estar não estando num relacionamento.  Há algumas letras em que é claro a mensagem (“Yoko”, “Solidão de Volta”) já outras  as letras são vagas (“Amor-Perfeito”, “Estava Ali”), mas o instrumental preenche o vazio e a imaginação- deixando pro ouvinte interpretar a canção.

Com emas universais nas letras e com um som mesclando o melhor dos anos 80 com o som da banda, Terno Rei, traz o melhor do indie com uma sonoridade única e contagiante. Violeta então confirma a banda na cena nacional além de oferecer um dos melhores álbuns de 2019.