St. Vincent- Masseduction

Artista: St. Vincent
Álbum: Masseduction
Gravadora: 4AD
Lançamento: Outubro/2017

Há 10 anos atrás, o mundo conhecia Annie Clark como St. Vincent por seu olhar calmo, sua música inovadora, criativa  e um pouco mais orgânica que agora, lábios vermelhos e cabelo encaracolado. Desde o primeiro álbum, Marry Me (2007) vimos uma grande evolução da cantora: guitarras mais pesadas e um flerte e uso bem pensado do eletrônico em suas canções. A fama de St. Vincent pode ter chegado somente com o último álbum St. Vincent, mas a cantora vem feito um trabalho admirável e esmerado desde seu primeiro álbum, o que acontece mais uma vez com Masseduction.

Após St. Vincent, que finalmente trouxe Annie Clark para o panteon mainstream da música indie internacional, e o relacionamento com a modelo/ atriz Cara Delavigne- nunca se viu tanta exposição da cantora na mídia. Restava saber como Annie Clark iria lidar com toda a fama e prosseguir sua carreira tão bem cuidada e bem pensada, assim Annie Clark juntou forças com Jack Antonoff (membro do F.U.N) para produzir seu álbum e foi com tudo para o estúdio Electric Lady para produzir seu álbum. Fizemos nossa resenha faixa a faixa de Masseduction (que segundo Annie, fala sobre amor, drogas e decepções amorosas) a seguir:

  1. Hang on Me// “I cannot stop the aeroplane from crashin’/And we circle down from the sky”

Abrindo o álbum com uma bateria eletrônica, guitarra e voz, “Hang On Me” é uma faixa bem minimalista, com um pouco mais de detalhes no refrão da canção. Quanto ao tema,  St. Vincent abre logo com uma canção sobre decepção amorosa, e naqueles deslizes em ligar para alguém quando o relacionamento acabou e ainda rezar para que a pessoa não atenda o telefone. De cara, St. Vincent já abre  com uma música  mais pessoal

2. Pills// “Pills to wake, pills to sleep/Pills, pills, pills every day of the week”

Com a participação da ex namorada, Cara Delavigne no Intro e no refrão, instrumentação de Jack Antonoff e o produtor de Kendrick Lamar, Sounwave programando a bateria eletrônica da canção- St. Vincent traz uma canção mecânica em algumas partes da canção (mostrando até como mecânicos estamos ficando, sempre com necessidades de ter medicamentos nos controlando). Como confissão, St. Vincent relata até de sua ansiedade em alguns versos e como é seu relacionamento e ponto de vista sobre as pílulas.

3. Masseduction// “I can’t turn off what turns me on”

A canção que dá nome ao álbum traz bem fortemente o tema de sedução em massa do álbum – com várias referências à cultura pop relacionada ou não com sexualidade  ( de Lolita à tintas coloridas Manic Panic e canção jazz de Charles Mingus) e como se sente com as imagens e metáforas que Annie descreve na canção. A canção usa um sample da canção bônus “Power Corrupts” e tem um toque grande eletrônico e riffs de guitarra dando um toque de St. Vincent na canção. Vozes mecânicas e até um certo mecanismo no jeito que Annie canta a canção traz um pouco de pnderamento pro jeito que as coisas estão.

4. Sugar Boy// “Sugarboy, I am weak/Got a crush on tragedy”

Mais uma canção com bastante eletrônico, e até mais simples tanto em letras e em música ( com até um sample da melodia de “Los Ageless” no meio do refrão). Annie fala que a canção aborda um pouco sua relação com o público em um show, em tentar chegar aos limites do clímax nos dois lados. Pra quem já viu alguns shows da St. Vincent vai entender bem a mensagem da canção.

5. Los Ageless// “How can anybody have you, and not lose their mind too”

O segundo single lançado do álbum  tem uma bateria eletrônica no início da canção e logo abre com a guitarra de Annie Clark e sua voz,  suave  contando sobre todas as características bizarras de Los Ageless (óbvio trocadilho com a cidade de Los Angeles), até vir o refrão poderoso que retrata o quanto Annie sente falta de seu amor. A canção encerra com um pequeno monologo de Annie sussurrando sua frustração em tentar escrever “uma canção de amor e tornar-se uma lamentação”.

6. Happy Birthday, Johnny// “What happened to blood, our family?/Annie, how could you do this to me?”

Primeiro momento mais quieto e introspectivo do álbum, e uma referência à “Prince Johnny” do álbum anterior St. Vincent,  seguindo a referência destrutiva da canção. Em “Happy Birthday, Johnny”, St. Vincent deseja boa sorte para Johnny lembrando dos momentos em Nova York e todos os acontecimentos tristes que o personagem está vivendo ( provável vício em heroína e vivendo nas ruas). Quanto à melodia, piano e voz fazm parte da canção com um pouquinho de efeitos antes do verso final da canção.

7. Saviour// “But I keep you on your best behavior/Honey, I can’t be your savior”

Com ma guitarra com uma vibe bem R&B, se intensificando no refrão e com instrumentos sendo adicionados um por um, aumentando a textura da canção, St. Vincent faz uma canção mais voltada ao pop (R&B) mas sem perder a característica da sua canção pela voz e algumas guitarrinhas. As letras relatam todos os fetiches, e o fato que todo o role play também não ajuda Annie a fazer seu amor ser uma pessoa melhor.

8. New York// “New York isn’t New York/ Without you, love”

O primeiro single de Masseduction, “New York” é uma balada que começa com piano e voz e entra com uma balada eletrônica  no segundo verso. O refrão fica mais rico em instrumental, mas parece um pouco mecânico, contrastando bastante com a avalanche de emoção dos refrões. As letras são sobre o fim de um relacionamento e como Annie compara a relação à Nova York.

9. Fear The Future//“Come on, Sir, just give me the answer/I fear the future”

Cheio de sintetizadores , bem pesado e com muitas texturas, sem deixar as guitarras serem uma das principais e melhores partes da música, “Fear The Future”, fala exatamente desta instabilidade (talvez política?!) que estamos presenciando no mundo, mas também sobre a vida pessoal, e temer o futuro nestes dois sentidos. A canção exagera um pouco na produção.

10. Younger Lover//“No, I, young lover, I’m begging you please to wake up
Young lover, I wish that I was your drug”

Canção um pouco mais tensa, áspera e pesada, que traz a atmosfera ideal para tratar o tema de dependência química de sua namorada (“Young Lover” ou Cara Delavigne que Annie teve um relacionamento). O refrão é a parte mais intensa com batidas bem fortes e distorções de guitarra e a voz sempre doce de Annie, bem firme e decisiva.

11. Dancing With a Ghost// *Interlúdio*

Bem delicada, o interlúdio “Dancing With A Ghost” traz sons como violinos ( ou uma programação de violinos) em um som bem suave, bonito e rápido, já que a canção dura somente 46 segundos.

12 Slow Disco//“Slip my hand from your hand/Leave you dancin’ with a ghost”

Partes da melodia reutilizada de uma parceria que St. Vincent fez com outro cantor, “Slow Disco” tem alguns dos violinos e delicadeza do interlúdio “Dancing With a Ghost” e um pesinho ali no final com a guitarra de Annie e um vocal lindo também encerrando a canção. Letras sobre o fim do relacionamento, uma dança lenta onde tudo acaba.

13 Smoking Section// “And then I think/What could be better than love, than love, than love?”

Uma balada com piano e voz que aumenta em intensidade assim que a canção progride, além de alguns golpes sonoros com uma programação mais intensa que traz uma atmosfera para a canção- todas as frustrações e inseguranças em ter alguém e lidar com as dores nossas e das pessoas, com pensamentos suicidas, sentimentos de auto-punição para fazer a outra pessoa prestar mais atenção em você. Brutalmente honesta e um jeito calmo e ao mesmo tempo turbulento de encerrar um álbum.

 

Um pouco mais eletrônico e algumas vezes errando a mão nas texturas eletrônicas ( provável pela mão de Jack Antonoff),  Masseduction  ainda traz as guitarras distintas de Annie Clark, assim como alguns sonzinhos estranhos e inesperados nas canções. Annie Clark ainda mostra uma destreza incrível para escrever canções, principalmente os singles: “Los Ageless” é talvez uma das canções mais fortes da carreira de St. Vincent, “Pills” mostra uma face mais “divertida e pop”, mas com uma crítica pesada nas letras da canção,  “New York” ainda traz uma canção de amor bem honesta e peculiar, e “Happy Birthday, Jonnhy” é uma baita balada que mostra bem todas as angústias e melhores desejos para os problemas do Johnny.

Masseduction é exatamente o que St Vincent avisou: um álbum cheio de referências à drogas, decepções e amor e sexo- muitos destes temas interligados e mostrando muito  da vulnerabilidade da cantora. Bem honesta e tocando sempre na ferida com suas letras, St Vincent mostrou suas aflições junto com a sua genialidade na guitarra, o que demostra que a cantora ainda sabe combinar seus dois super poderes para fazer uma música boa, só pedimos que da próxima vez, saiba escolher um produtor que traga melhores alternativas para incorporar o eletrônico de um jeito não poluído na canção.