San Fermin- Jackrabbit

Artista: San Fermin
Álbum: Jackrabbit
Gravadora: Downtown Records
Lançamento: Abril/2015

San Fermin é uma banda que apareceu recentemente, mas pelo curto período de carreira é uma das bandas mais legais e significantes que surgiu na cena musical. O projeto da banda tem como cérebro Ellis Ludwig-Leone, o autor das músicas e quem reuniu a banda para formar o então San Fermin. O primeiro álbum intitulado como San Fermin, traz diferente vocalista Rae Cassidy que contrasta com a voz grave de Allen Tate, e um tom mais clássico, cheio de arranjos mais suaves e doces, e um recheio ótimo de violinos e metais. Em 2015, cerca de um ano e meio que a banda está na ativa, San Fermin conseguiu inovar a sonoridade do primeiro álbum com toques de eletrônico e um sentimento mais dark em Jackrabbit.

O próprio Ellis Ludwig-Leone confessou no site da banda que as músicas foram todas re-escritas  levando em consideração e colaboração dos outros integrantes da banda, já que o primeiro trabalho fora completamente pré-elaborado e sem a participação da banda até então. A atmosfera de Jackrabbit é mais ainda mais inquietante e pesada que San Fermin, e complexa, misturando um pop, eletrônico e uma sonoridade bem nova aos ouvidos.

san-fermin-jackrabbit-

1. The Woods// “I was a boy and I was good/But there are witches in these woods”

A canção que abre Jackrabbit começa com piano e um conto de dois garotos que entram na floresta, e a intenção de diversão com os insetos ( e suas metáforas) não deu muito certo. Referências de partes de poemas de Robert Frost e alusões à bruxas,  acompanhadas pela parte musical que substitui as palavras da descrição dos eventos da floresta. Um pouco amedrontador, mas intenso e sensacional

2.Ladies Mary// “I want nothing more than everything I asked for/And I was innocent

Com os vocais de Charlene Kaye, a canção é leve com toques exatos de metais  e sintetizadores. A canção cresce até o segundo refrão, apesar da canção ser de somente sois minutos. As letras um pouco confusas falam da vontade de estar sozinha e se isolar e várias alusões à Lady Mary, que pode ter conotação religiosa (ou mesmo até mesmo uma alusão ao Downtown Abbey, hmmm, acho que não).

3.Emily// “Three four five, on the steps we ride/ Down down down the rabbit hole”

Terceiro single do álbum, lançado um pouco antes do lançamento de Jackrabbit, tem Allen Tate no vocal narrando sua solidão para Emily, e mesmo sabendo que está se enganando e que na manhã tudo ainda está vazio. Uma confissão acompanhada por uma melodia que começa devagar para crescer em um som contagiante e gostoso. Linhas de baixo dão um tom bom com as participações de metal, mas é o final confuso e cheio de camadas de vozes e linhas de metais intensos que finalizam a canção de modo clássico. Ponto altíssimo do álbum

4. Jackrabbit// “Run for the hills, run for the hills, run”

A última canção escrita para o álbum e que dá o nome ao álbum traz uma atmosfera leve e alegre. Cantada somente por Charlene Kaye ( protagonista também do clipe da canção), e com uma energia intensa dos metais contrasta com a letra da canção que toma no tema do processo de envelhecer e morrer sozinho  e a metáfora de “correr para as colinas” e buscar na natureza um conforto. Um dos pontos altos do álbum.

5. Astronaut//“But I am an astronaut trying to find my home from outer space”

Com instrumental leve no começo Allen Tate fala sobre as impressões do astronauta, conforme a música ganha mais instrumentos. Letra abordando o rotineiro de uma garota do ponto de vista do astronauta, que realmente aparece mas na melodia da canção que cresce e fica estratosférica no final.

6. Philosopher// “I’m a philosopher/I try to put it all behind me”

Batidas descompassadas embalam o começo da canção cantada por Charlene Kaye. Letras que falam de fama e da ânsia de conseguir ser famoso quando pequeno ou na idade adulta. Os ritmos quebrados levam à um refrão intenso e dançante.A atmosfera é um pouco pesado com os metais, mas a canção é épica.

7. Ecstatic Thoughts

Instrumental intenso e épico, com metais a todo vapor. 51 segundos que fazem transição entre “Philosopher” e “Woman in Red”.

8. Woman In Red// “When you go to sleep/Don’t close your eyes”

A voz grave de Tate dá o tem do começo da canção com só alguns sons eletrônicos. A canção ganha mais ênfase no refrão com uma bateria rítmica. Os metais e piano aparecem no encerramento da canção que tem atmosfera dos anos 80. E tudo sobre a fascinação de uma mulher de vermelho em uma festa!

9. The Cave

Mais um instrumental interlude, intenso começando sublime mas que ao longa da canção se torna mais voltado ao eletrônico. A canção termina com as memas batidas que começam “Parasites”.

10. Parasites“This little mouth’s no good for you/ These lips will suck you black and blue/ When it’s done, the teeth and tongue for feeding”

Primeira canção lançada pela banda, “Parasites” deu uma dica de como seria o segundo álbum. Intenso e pesado, com toques eletrônicos e metais estridentes, o instrumental segue o tema da canção ás vezes até imitando sons de insetos bem sutilmente. A letra fala de um relacionamento e uma metáfora em que os amantes são um pouco parasitas e querem usar um ao outro por motivos diferentes, mas mesmo assim, no final se apaixonam. Quebrando a estética esperada, San Fermin surpreendeu bastante nesta faixa.

11. Reckoning //“When I get older, I know there will be /A moment of reckoning”

Uma canção mais orgânica e séria, “Reckoning” tem um arranjo lindo de violino junto com os vocais contemplando o progresso da vida, assim como também, em alguns momentos à morte “A moment of reckoning”. A música tem a atmosfera do primeiro álbum, pelo instrumental, mas as letras são bem mais pesadas.

 
12. The Glory

Quase com a mesma melodia que se encerra “Reckoning” começa “Glory”. Mais uma canção instrumental de transição, cheia de energia com vocais, metais e xilofone.

 
13.  Two Scenes// “And all these girls, they will be mothers/It starts by being someone’s lover”

Letras super bem elaboradas falando tanto das obrigações como humanos em tocar a vida, ter um amor e família, e o quanto da nossa insignificância perante ao universo e o quanto de pressão social há nisso. As vozes se intercalam criando um efeito super impactante. O instrumental guia os vocais, tanto na intensidade da parte de Charlene quanto na serenidade de Allen Tate. São duas cenas da humanidade.

14.  Halcyon Days

Também fazendo a transição entre canções, Halcyon Days conecta o violino com sons  e vocais. Me pareceu uma extensão de “Two scenes” e uma conclusão para a música anterior

 
15.  Billy Bibbit// “Give in to love/B-b-Billy Bibbit give in to love

A faixa que encerra o álbum começa com um instrumental elaborado para dar voz a conselhos para o personagem do filme/livro Um Estranho no Ninho, Billy Bibbit. A faixa termina de um modo épico com guitarras e sons enfurecidos freneticamente, para logo depois voltar a uma serenidade.

É impossível falar de Jackrabbit, ou mesmo da banda San Fermin sem mencionar a grandiosidade do projeto. Já no primeiro álbum os metais e arranjos já destoavam muito da cena musical, mesmo falando dos “experimentais mais clássicos” como Joanna Newsom,  Andrew Bird e Sufjan Stevens. Mesmo assim, com a curta carreira, Ellis Ludwig-Leone conseguiu refletir  sobre a formalidade do disco anterior e juntou os elementos eletrônicos para o então Jackrabbit junto com a banda que se consolidou. Com temas bem sombrios e pesados casando muito bem com os sons estridentes e intensos, dando o tom para a canção e um vocal bem executado por Charlene Kaye e Allen Tate, Jackrabbit tem letras abordando morte e o processo de envelhecer, assumir responsabilidades. Há quem diga que as canções contam uma história maior, seguindo os personagens de “Woods”, mas sendo ou não um álbum conceitual, San Fermin afirma a qualidade da banda. Mesmo com algumas canções que não trazem muito para o álbum como “Woman in Red” , “Lady Mary” e “Reckonig”,  as canções principalmente de trabalho, mostram o potencial tanto instrumental e de mensagem. Excitante, viciante e ás vezes amedrontador, Jackrabbit é um álbum que pode ficar no replay por várias vezes.

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