San Fermin- The Cormorant I & II

Artista: San Fermin
Álbum: Cormorant I & II
Gravadora: Downtown Records/ Sony Music
Lançamento:Março/2020

San Fermin é uma das bandas que conheço que mais sofreu perdas de membros ao longo de sua carreira, e mesmo assim consegue criar fases diferentes e cheio de talento usando todas os talentos que fizeram e fazem parte da banda. Com três álbuns, a banda comandada por Ellis Ludwig-Leone teve a gande estreia do seu Boroque pop recheado de influência da música clássica em San Fermin (2013)  e com a chegada da vocalista Charlene Kaye, a banda abraçou o pop nos álbuns Jackrabbit (2015) e Belong (2017).  Com a perda da vocalista Charlene Kaye e da violinista Rebekah Durham, San Fermin então recrutou a violinista Claire Wellin,e da vocalista Karlie Bruce.

O quarto álbum The Cormorant foi dividido em duas partes. A primeiro foi lançada em Outubro de 2019 e a segunda agora em Março de 2020, e volta com um animal na capa do álbum. Com 16 músicas novas, o tema do disco narra dois personagens da infância à morte, e como as lembranças são ofuscadas ou diferentes dos fatos em sí. Allen Tate segue dando voz à personagem masculina e as novas integrantes Claire Wellin, Karlie Bruce junto com as participações de Samia Finnerty (Samia) e Sarah Pedinotti (Lip Talk) dçao voz para a personagem feminina. Nós escutamos então The Cormorant I & II e segue nossa análise faixa a faixa.

1 The Cormorant // “Golden light is streaming in/Floating dust above your bed/A tea cup by the bedside/ Waking from a dream in which/Sleeping you are visited/By a great black cormorant”

A canção que abre e dá nome ao disco tem um tom alegre com os vocais femininos e com um piano acelerado e com um instrumental que dá mais elementos de suspense, assim que o Cormorão dá a previsão de morte para a personagem da canção. O instrumental da canção aumenta a medida que a tensão aumenta, descrevendo fielmente a história da canção.

2 Cerulean Gardens // “Ooh a part of me is hiding while you go seek/Ooh a part of me is still in the back seat/Carry me”

Mais uma música delicada, com belos dedilhados levando a canção com instrumentais dando grvidade para delahes, Allen Tate conta o quanto sente falta de seu pai, que toma conta dos “jardins azuis”, já que conota que já faleceu. A canção é sublime e lindíssima, com uma atmosfera mais aberta para o final da canção e com aqueles detalhes que pegam a gente quado perdemos alguém que amamos.

3 Hickman Creek// *Instrumental*

Mais um instrumental bem atmosférico que começa com notas agudas e dedilhados, mais pendendo para algo céltico e se transforma com um vocal e saxofone aumentando a dimensão da canção. “Hickman Creek” é o nome de um rio de Jessamine, Kentucky.

4 The Hunger // “This hunger that I can’t describe/This hunger but I don’t know why/ Another night, another try/ I’m starving like I’m gonna die”

Com a participação de Samia Finnerty (da banda Samia) nos vocais, Ellis se inspirou em uma amiga que confessou que se sentia mal com toda a estranheza de começar a namorar depois dos 25, com todos esses apps de namoro disponível. Com um instrumental denso com uma guitarra e um grandioso refrão, a canção também brilha com aqueles instrumentais cirúrgicos do saxofone e dos teclados dando detalhes para a canção. A interpretação de Samia também entregam bem toda a ansiedade e melancolia dos sentimentos de uma forma bem real.

5 Summer by the Void // “You remember the scene, love/In the thrill of seventeen, love/ The air around was abuzz with the sound of/ Summer romance in the branches”

Em uma canção bem delicada comandada pela voz de Allen Tate, o instrumental recria os sons de um dia de verão em que o personagem relembra- o amor de adolescência. As guitarras no final oferecem uma atmosfera mais itensa mas que integra bem a delicadeza da canção.

6 Saints// “Why you have to be a goddamn saint/Don’t you see it only makes this hard/Why you have to be a goddamn saint/Nobody’s dying for this love”

O segundo single de The Cormorant I, com a violinista Claire Wellin nos vocais, “Saints” tem tom confessional daquela estranheza quando nos distanciamos dos amigos e lembranças e nos vemos também distantes em um relacionamento, nos vendo como vilões- em uma mistura de raiva, inveja e talvez uma percepção que o relacionamento não vai muito longe. A canção é delicada e aconchegante, mas que também traz uma certa friwza ao longo da canção, com bons instrumentais que pinam características das letras e criam toda a atmosfera tensa do refrão.

7 The Living // “The night is a-crawl/With vampires and night owls/Our bodies are a-buzzing/ We’re joining the prowl”

Começando a canção com uma batida como a do ritmo de um coração, Allen Tate começa a descrever uma noite de diversão, mas como se fosse algo em conjunto, como se fosse um chamado, e nada humano ( we raised from the dead/ viemos dos mortos – dá a canotação de algo não humano neste ato). A canção cresce com os instrumentos ganhando ritmo e incorporando um som mais dançante como uma pista de dança. Mas o saxofone no final da canção sempre deixa a conotação que algo perigoso está à solta.

8 The Myth // “When the seabirds come/ To close my eyes and leave my body behind”

Voltando à primeira canção do disco e encerrando a primeira parte do álbum, “The Myth” retoma a narrativa da morte, já que os “seabirds”- cormorões- iram voltar para levá-la. Em uma canção bem delicada, com um instrumental bem orgânico e suave, que vai crescendo com delicadeza, com os vocais de apoio e os instrumentos dando mais corpo à canção.

9 Swamp Song // “Disappear into the trees/Where no one knows you’re gone/Ghosts of aunts and ancestors/Are here where you belong”

Com os saxofones dando um tom mais térreo e elameado para a canção, “Swamp Song” tem texturas nas vozes das cantoras que descrevem o menino que gosta de explorar o pântano perto de casa, junto com uma percussão mais selvagem descrevendo um pouco o som do lugar. A canção alude à infância de Ellis Ludwig-Leone que desde o primeiro álbum mostra sua paixão por este universo- desde o clipe de “Sonsick” à canções como “The Woods”.

10 Westfjords// “Growing old while all the rest of us/Were growing up”

Uma das canções autorais de Ellis Ludwig-Leone, comandada pela voz sedosa de Allen Tate, em uma canção pop, com um lindíssimo arranjo majestral pro final da canção, “Westfjords” fala um pouco da procura por sí mesmo e ao mesmo tempo a percepção que nosso tempo na terra é único. Com vozes intercaladas e um arranjo pop, é uma das melhores canções do álbum.

11 Do Less// “I love you maybe baby/But you’re boring me to death/Tell me lies or tell me none/Honestly do less”

Em um arranjo minimalista com palmas e vocais das duas novas cantoras, a canção cresce com um sino e sintetizadores cuidadosos que dão corpo pro final da canção. As letras pedem para que o parceiro faça menos, e relata um pouco da chatice do longo relacionamento.

12 Little Star // “Little genius, little star/You’re everything they say you are/Is it lovely in  the dark? Or do you dim as you go on?”

O primeiro single da segunda parte de Cormorant, tem uma atmosfera nostálgica de infância tanto na suavidade da canção quanto nos refrões. Bem delicadamente, Ellis conta a história de uma criança prodígio, que se esforça para ser a melhor, mas com o crescimento (e o passar das estações) as coisas não vão como deveriam. A canção é aconchegante, com um piano preciso e com o acompanhamento lindíssimo com detalhes dos outros instrumentos.

13 Berkley Bridge // “Underneath the Berkley bridge/I think I see a monster/ Swimming in the icy waves”

Com um belíssimo solo de piano começando a canção, com o acompanhamento da banda, abrem-se os metais, violino, e mais piano, até que Allen Tate e Claire Wellin tomam os vocais, relembrando as viagens para as aulas de piano, e ver um monstro que relembra um Cormorão. As vozes aparecem como um detalhe introduzindo a ave, que também aparece como sons.

14 Freedom (Yeah Yeah!)// “Why you have to be a goddamn saint/Don’t you see it only makes this hard/Why you have to be a goddamn saint/Nobody’s dying for this love”

O segundo single da segunda parte de Cormorant, “Freedom (Yeah Yeah!)” relata aquele estágio no relacionamento, em que não há mais preocupações quanto ao trabalho e as crianças, e finalmente há a aceitação em ser quem é e na vida em sí. O instrumental cheio de saxofones  e com uma percussão mais presente e a melodia cresce com o final da canção com um belissimo instrumental.

15 Waterworld//“Once when you were feeling right/Little moment that was nice/Two cups of tea in the afternoon light”

Em outra melodia delicada,  Allen Tate descreve como o personagem conheceu sua parceira e com uma bela metáfora com água e depressão, descreve como a família e ele lidava com a situação. A canção fica mais intensa com o instrumental dando o tom do clímax do problema, e também descrevendo o espiral da mulher no final da canção com as vozes intercaladas. O instrumental descrevendo tensões  e a delicadeza dos momentos relembrados é outro ponto alto da canção.

16 Tunnel Mt.// *Instrumental*

Instrumental que termina o álbum é delicado e rápido. Com vozes abrindo a canção que ficam distantes, os instrumentos parecem descrevem a finalmente vinda do cormorão e uma passagem tranquila para o outro lado. Os saxofones e sinos dçao um tom majestoso para o momento.

 

Com tantas mudanças acontecendo com os membros do San Fermin, seria normal que o fundador da banda Ellis Ludwig-Leone explorasse uma outra abordagem para a composição do próximo álbum. Para se inspirar, Ellis foi para a Islândia e ao ver os Cormorões, e os islandeses pescando (o prédio que os islandeses usam está presente no clipe de “Little Star”) e ao relemebrar de suas memórias, escreveu as composições e letras para o álbum.

The Cormorant I & II tem então as histórias de um casal impactadas pela profecia de um Cormorão vir na hora da morte, mas as memórias do relacionamento, da infância, e pequenos detalhes do relacionamento impactam também e trazem a riqueza humana para a obra. Ellis também colocou algumas de suas experiências em letras ( “Swamp Song” e “Westfjords”) e se inspirou em amigos também para escrever algumas outras canções. Mas os símbolos não ficam só na ave que aparece em várias músicas, algumas imagens como copos de chá, banhar-se em águas de âmber, também reaparecem nas canções, dando dicas dos momentos de paz no relacionamento do casal, ou uma metáfora da vida.

Fez sentido o álbum ser dividido em duas partes. Na primeira metade, há uma clara progressão de eventos da vida, e do Cormorão como ameaça para os personagens, porém na segunda parte, uma coleção de momentos da vida aparecem de forma nostálgica, com toques de magia na infÇencia e mais relaistas nos momentos mais maduros, sem perder um pouco do encanto oferecido também pelas melodias.

Instrumentalmente, The Cormorant I & II, volta com a suavidade de algumas canções do álbum de estreia da banda, com melodias mais orgânicos e aconchegantes, onde os instrumentos também descrevem a narrativa de cada canção. Também como acerto foi  apostar mais em contar histórias  no álbum e conseguir aperfeiõar como o instrumental também colabora com a narrativa, contribuindo para a imaginação do ouvinte. Uma evolução de todas as obras da banda, e espero que não passe despercebido pelos grandes portais- pois é um dos álbuns do ano.