Rob Thomas- The Great Unknown

Artista: Rob Thomas
Álbum:  The Great Unknown
Gravadora: Atlantic Records
Lançamento: Agosto/2015

Após 3 anos ao lançar North (2012), com seu grupo Matchbox Twenty, Rob Thomas continua sua saga sozinho com seu terceiro álbum The Great Unknown, com um gap de 6 anos de seu último álbum solo Cradlesong (2009). Seguindo sua pegada pop com boas influências de rock e letras para dançar e pensar, com algumas influências de eletrônico, Rob mostra seu talento e disponibiliza mais 13 canções para a alegria da cena pop atual.

Rob Thomas se juntou com o vocalista do One Republic, Ryan Tedder para compor o álbum e mais alguns produtores da atualidade para produzir o álbum. Rob continua a usar seu vocal poderoso e característico para interpretar suas canções de forma única, porém suas letras não carregam muitas de suas metáforas vistas nos seus trabalhos anteriores. The Great Unknown brinca com a onda do eletrônico que assolou a música pop nos últimos tempos, mas Rob consegue muitas vezes mesclar seu estilo com esta tendencia, como ressaltamos na review faixa-faixa de The Great Unknown:

rob thomas the great unknown

1. I Think We’d Feel Good Together// “And maybe you can stay one night/Or stay forever/I think we’d feel good together”

A faixa que abre o álbum não poderia ser mais característica de Rob Thomas. Com seu olhar analítico e suas rimas certeiras, Thomas narra uma One Night Stand em que o homem tenta impressionar sua garota, e conhece-la melhor. Um pouco de eletrônico no começo , um refrão ótimo e bridge com claras referências da música pop atual. Rob consegue juntar tudo e ainda colocar sua assinatura.

2. Trust You// “All my friends say “when you gon’ play?”/I’m always too busy, I don’t need to stay up late”

O primeiro single lançado por Thomas é um pop radiofônico que tem como tema principal os amigos de balada que te chamam para curtir a noite que nem sempre acaba em coisa boa, mas rende boas histórias para contar. A música é para balada com um violão dando um ar mais orgânico para a canção.

3. Hold On Forever// “First thing: we make you feel better/Next stop: we pull it all together”

Balada que lembra bastante as canções do último álbum de Thomas, Cradlesong (2009) com letras extremamente apaixonadas e motivadoras, com melodia fofa com violão  ótimos vocais. Lembra um pouco a história de “Her Diamonds”, primeiro single de Cradlesong em que Thomas escreve sobre a doença de sua esposa.

4. Wind It Up// “When I’m wide awake, let it slide/Everyone says I’m crazy but my, my/ I’ll get my sleep when I’m dead”

Letras divertidas e o vocal acelerado de Thomas narram o quão legal é virar a noite em uma melodia cativante  e com boas vibrações. O refrão dá um toque especial à música e os versos falados fazem uma canção boa compensando a falta de substância das letras.

5. One Shot//“Then I’m gonna fly like Superman, feeling so far gone/So tonight, let’s ride”

“One Shot” parece uma canção feita para a copa do mundo. Toda aquela animação forçada e letras de que devemos aproveitar o presente etc etc, o que não combina muito com oo estilo de Rob, embora a música foi composta pelo mesmo e mais dois produtores-  Aaron Accetta e Shep Goodman…

6. The Great Unknown// “So just hold on/Driving through the valley of the great unknown”

Uma das canções mais fortes e com letras mais significativas do álbum ( merecido então levar o nome do álbum. Rob canta em tom pesado, mas com um toque de conselho na voz, o desconhecimento da realidade acompanhado por uma melodia delicada, mas intensa , traduzindo o sentimento da ignorância e desespero. Minha interpretação levou a canção para a presença de uma guerra e o momento de fugir. Um dos pontos altos do álbum.

7. Absence of Affection// “In the absence of affection/We’ll take anything and call it love”

Abrindo com sintetizadores que lembram o som dos anos 80, Rob Thomas faz um pop de qualidade pra dançar (apesar que os uh ohs poderiam ser substituídos por instrumentos). Letras que falam sobre a futilidade do mundo atual (your flash friends)  onde a popularidade é o que conta mais e a solidão é mais comum do que se imagina. Uma crítica legal colocada sabiamente em uma música pop.

8. Things You Said// “I was drowning, you came and saved my life/Now you broke my heart, and it wasn’t right”

Talvez a canção com mais elementos da pop music atual, o refrão lembra um pouco as músicas de balada. A canção tem letras fracas sobre desapontamento amoroso e toques eletrônicos estão nos detalhes da canção. Os versão são ok…mas a canção não lembra muito o Rob Thomas que conhecemos.

9. Paper Dolls// “You and me are just worn paper dolls”

A canção tem uma participação especial da cantora e compositora irlandesa  Ruth-Anne Rooty Cunningham. As letras falam de uma crise no relacionamento em uma metáfora de noite longa e difícil. A canção é mais uma balada com a marca do Rob e alguns toques eletrônicos, mas faltando a profundidade das letras.

10. NLYTM//Not like, it’s not like you told me/Who’s gonna be there to hold me/ When someone brings me down

NLYTM são as iniciais de ‘Not Like You Told Me” e a canção  tem um tom sombrio com os vocais de Rob indo para um vocal bem grave ao narrar um suposto assassinato e a confusão ao presenciar a cena de um crime. O instrumental da canção tem toques de eletrônico com sintetizadores dando o tom mais pesado, e refrões bem chicletes fazem você ter a canção na cabeça por um tempo
11. Heaven Help Me// “When we see ourselves in passing windows/We feel like hell, everyone knows”

Música com introdução que lembra os anos 60 e canção mais voltada para o orgânico, “Heaven Help Me” é aquela canção alegre e clássica  pra ouvir em dias ensolarados. Instrumental bem marcado com baixo acompanham as letras sobre a desilusão de um amor em que a garota sofre uma obsessão. Há mais significado nas entrelinhas, no entanto, mesmo com palavras rasas, Rob consegue dar um pouco mais de profundidade na mensagem.

12. Lie to Me//“Just tell me anything/Girl you can lie to me”

Talvez a canção que mais saia da zona de conforto da sonoridade de Thomas, a canção com um grande zumbido eletrônico acompanha toda a canção, os versos se arrastam ao falar sobre a garota, o que destoa bastante do ritmo da melodia do refrão, super simples nas palavras. A música soa estranha com tanto elementos desconexos e melodias fracas.

13. Pieces// “Better take it easy, try to find a way out/Better start believing in yourself”

Como de praxe, Rob sempre fecha seus álbuns com uma balada devastadora. Desta vez, “Pieces” produzida pelo produtor de longa data do Matchbox 20, Matt Serletic, Rob cantta com acompanhamento de violão e violino em uma canção tocante sobre superação e conseguir enfrentar os problemas (neste caso amorosos ) de cabeça erguida. Um ótimo final para o álbum.

Com a cena atual, já era de esperar que Rob Thomas usasse um pouco do eletrônico para experimentar em suas canções, o que deu certo em alguns pontos mas super excessivo em outros (  vide na confusa “Lie to Me”). Rob também segue um pouco a linha de Cradlesong em suas letras,  menos abordagem de problemas gerais cheias de fúria e metáforas para palavras mais simples com mensagens diretas. The Great Unknown tem alguns pontos fracos, como a experimentação eletrônica desnecessária, mas ótimas canções trazendo a assinatura do cantor com um belo balanço das influências atuais: “I Think We’d Feel Good Together”, “Trust You”, “The Great Unknown” e “Absence of Afection” são exemplos de que Rob pode ser versátil, e mesmo assim, brincar com sons mais antigos como na divertida “Heaven Help Me”, ou fazer o que sabe com destreza em “Pieces”. The Great Unknown traz Rob Thomas ainda crítico com letras espertas e conscientes, mas lembremos que a máquina pop está aí, e ainda impõe regra para artistas talentosos.