Reverend And The Makers- The Death of a King

Artista: Reverend and the Makers
Álbum: The Death of a King
Gravadora: Cooking Vynil
Lançamento: Setembro/2017

Reverend and The Makers é talvez uma das bandas mais representativa da cena musical de Sheffield dos últimos 10 anos, e com exato mesmo tempo de existência, Jon McClure e banda conseguiram lançar 5 álbuns, a maioria sem o apoio de grandes gravadoras. A banda pode ter mudado de integrantes no meio tempo, mas a banda continua firme com Jon McClure nos vocais e violão, sua esposa Laura nos teclados, Ed Cosens na guitarra/ violão, Joe Carnall (também vocalista do Milburn) no baixo e Ryan Jenkinson na bateria, por volta de uns 3 anos (e três albuns anteriores).

Com tante gente talentosa na banda, Jon McClure cedeu um pouco do espaço para que os outros integrantes colaborassem e participassem mais neste sexto álbum, The Death of a King, coisa que já estava acontecendo no álbum anterior, Mirrors, além do fato da banda seguir a mesma linha do disco anterior com menos influência eletrônica e mais arranjos orgânicos, mais voltados ao rock. Outra curiosidade do álbum, é que a banda escolheu a Tailândia para gravar tanto álbum quanto os vídeos desta era. Pois então demos nossa impressão do álbum faixa a faixa a seguir:

1 Miss Haversham// “Spend your life in the sad twilight in the shadow of what might be”

A canção que abre o álbum começa com um ritmo marcado com violão, Jon McClure liderando os vocais e um backing vocal (here we are ) que dá uma atmosfera mais intensa pra canção. A letra e título faz referência ao personagem de Charles Dickens, em  Great Expectations, principalmente descrevendo a personagem e a falta de sonhos da mesma.

2 Auld Reekie Blues// “I’m wainting for the last train to leave/Before it’s too late, and I’m stuck here again”

Um dos singles do álbum e com vocais de Ed Cosens, tem a vibe mais orgânica e muita influência do rock dos anos 60/ 70. Refrão poderoso e uma instrumentalização bem bonita com metais, a canção faz um bela mudança do calmo das estrofes para o agitado do refrão, em um ritmo bem contagiante e dançante. Um dos pontos altos do álbum. Curiosidade: Ald Reekie é um dos nomes de Edimburgo,  capital da Escócia.

3 Bang Saray// *Instrumental

A primeira canção instrumental de Reverend and the Makers, traz percussão com toques “tribais” e uma boa influência tailandesa na melodia da canção, que tende a ficar mais intensa e forte, lá pro final. A canção leva o nome de uma praia na Tailândia.

4 Boomerang//“Yeah, you come back round like a boomerang”

Um ritmo mais vagaroso com um baixo bem marcado, e bem no destaque da canção, a canção se arrasta vagarosa e preguiçosamente, e alguns arranjos de guitarra e piano  dando um toque especial pra canção. Com metáforas bem legais ( vender gelo para esquimó) Jon fala sobre uma pessoa que “mudou” mas continua sendo a mesma.

5 Too Tough to Die//“Decided the man who was too tough to die”

Primeiro single liberado pela banda traz um apelo diferente, mais áspero e agressivo, com riffs de guitarra mais intensos, um piano marcando bem a canção. A intensidade da canção mostra uma face nova da banda que consegue misturar com destreza o peso do rock em uma canção com roupagem. As letras falam de um homem que era durão demais pra morrer, e talvez uma referência ao rei da Tailândia que faleceu durante as gravações da banda no país.

6 Carlene// “Oh and I am here feeling sorry for myself, ‘cause she’s not you”

A vibe Beatles volta com essa linda e rápida  canção (com um minuto de duração), liderada por Ed Cosens com piano e voz. A canção, obviamente, fala sobre Carlene e o amor do eu lírico pela garota.

7 Monkey See, Monkey Do// “She’s got to be a whore in the bedroom, but a Virgin Mary when you take her out.”

Uma das cançõe que mais tem a essência cláassica da banda ( e talvez perfeitamente escolhida como single), “Monkey See, Monkey Do” começa com um belo violino e violão levando a canção inteira até vir um intenso riff de guitarra com baterias à todo vapor. As letras falam de uma garota e todas  as metáforas e analogias que revernd sempre faz…

8 Black Cat//“Can you do the voodoo too?”

Usando o tema místico (gato preto, magia, vudu e lua como um grande balão) como tópico principal da canção que leva um ritmo bem orgânico e marcado com metais, um riff de guitarra e os melhores backing vocals do álbum (que incluem Laura McClure e talvez Joe Carnall cm uma voz bem grossa). Há uma vibe meio Beatles também nessa faixa mística..

9 Autumn Leaves// “Who am I, Who am I, Who Am I”

Melhor riffs de guitarra você irá encontrar nesta faixa, pesadas e até um pouco melancólica e espaçada. A canção começa com Ed Cosens cantando o refrão e logo Jon assume os vocais em uma estrofe que leva ao refrão que se repete até ao final da canção. Tema sobre medos, aflições envoltas nas folhas de outono…

10 Time Machine// “Take the a ride on my time machine”

Emendando com outro ótimo solo de guitarra, e um baixo bem marcado, “Time Machine” tem um refrão bem marcante com Jon liderando os vocais e backing vocals de Laura McClure. Aquele som certo e com a cara da banda.

11 Juliet Knows// “Juliet knows where to go”

A segunda canção liberada do álbum é uma bela e singela melodia liderada por Joe Carnall em voz e violão e sons dos arredores. Cantando sobre amor e sobre Juliet (provável referência à Julieta de Shakespeare) e lugares onde o casal costumava ir. A canção mostra o quanto Joe Carnall pode ser versátil e como a canção ainda tem a cara do The Makers.

12 Black Flowers// “Now the sky will divide/ Black flower will bloom”

A canção que fecha o álbum tem 3 canções juntas. A primeira canção leva a voz de Laura McClure tem uma vibe meio 007, com violinos e muito mistério no ar, ao longo da faixa que fica bem grandiosa.A voz de Laura também é uma das revelações do álbum- com direito a fazer uma performance sexy, doce a confiante  A segunda canção é  um instrumental mais acelerada e tem guitarras e o eletônico do reverend que até lembra um pouco a atmosfera de “Silence is Talking”. A terceira canção é outra que tem influência de Beatles com vocais juntos e mais arrastados, com tema de fim de festa e término de ciclo.

 

Mais uma vez, Reverend and the Makers conseguiu surpreender com mais um álbum cheio de boas canções e diversidade, seja ela na pluralidade das participações ou nas influências do álbum. A colaboração e as canções lideradas tanto por Ed Cosens e Joe Carnall, mostram não só mais uma faceta da banda, mas como o dedo de cada membro da banda ainda está presente na canção. Outro aspecto que a banda soube fazer com destreza foi incluir um pouco da sonoridade Tailandesa em algumas faixas (o instrumental “Bang Saray” e até a atmosfera de algumas canções, mais praianas e arrastadas, em momento de relaxamento, principalmente no instrumental, que por horas também mostra toda a energia e ferocidade com riffs de guitarra mais sujos e desafiadores.

Assim como no álbum anteiror, Mirrors (2015) a banda aposta no som mais orgânico com arranjos mais bem elaborados e até com participação de cordas e metais em algumas faixas. O álbum flui sem suavemente com o instrumental de cada canção emendando com a próxima canção, criando uma coesão para o álbum. Quanto Às letras, um pouco mais sérias e cheias de referências, ainda não perdem toda a acidez do McClure como liricista, embora há uma certa doçura nas letras de Ed Cosens e de Laura Mcclure. Reverend and The Makers prova mais uma vez que consegue fazer música pra valer, independente e levar um álbum cheio de músicas de qualidade, plurais, trazendo o melhor de seus membros de banda.