Reverend and The Makers- Mirrors

Artista: Reverend And The Makers
Álbum: Mirrors
Gravadora: Pledgemusic/ Cooking Vynil
Lançamento: Outubro/2015

Uma das bandas principais da cena de Sheffield, na ativa por quase 10 anos, Reverend and the Makers embarca em mais uma nova era da carreira com o quinto álbum Mirrors, um álbum delicioso com o melhor do classic rock e atmosfera solar. A banda é conhecida não só pelo groove genial das suas músicas (ah o baixo fantástico e as guitarras na hora certa) mas também pelas letras geniais do vocalista Jon McClure sendo políticas ou retratando as banalidades e fatos relevantes da vida real. Com mais 4 álbuns no currículo, do super esperto e marcante primeiro álbum The State Of Things (2007)  para o sucessor French Kiss in The Chaos (2009) com letras mais políticas e som mas sofisticado, mas infelizmente esquecido pela mídia. @Reverend_Makers (2012), o terceiro álbum com nome do twitter, e Thirty Two (2014), idade de Jon em 2014, são mais eletrônicos e contam com letras que descrevem o dia-dia, mas a ironia de Jon ainda persiste.

No quinto álbum, surpreendendo não só os fãs como também o cenário musical, a banda volta ao rock clássico meio sessentista com arranjos bem pensados com direito até a participação de cordas. A atmosfera mais simplista, com a banda tocando todos os instrumentos mostra o quanto a melodia e letras são fortes ainda mostrando a identidade da banda. Um fato curioso é que neste álbum Jon divide os vocais entre os outros integrantes, Joe Carnall (ex baixista do maravilhoso Milburn), o guitarrista Ed Cosens e a tecladista, trompetista Laura McClure (sim, ela é casada com Jon). Em 14 faixas, gravadas na Jamaica e em Sheffield, o sol intoxicou a atmosfera e som da banda de Sheffield de uma forma única. Produzido por Roger Sargent e os próprios membros da banda, juntamente com clipes para cada faixa, parte de um filme, Mirrors mostra-se o projeto mais ambicioso da banda.Segue então a análise faixa a faixa:

Reverend-The-Makers-Mirrors

01. Amsterdam// “The actors in the play/ with the night time cabaré”

Faixa menor do álbum, “Amsterdam” serve de introdução para Mirrorse mostra bastante a atmosfera psicodélica altamente influenciada em Beatles era Sgt Peppers Lonely Heart Club Band. Os vocais calmos e melódicos acompanhando a melodia, um belo começo para o álbum.

02. Black Widow// “She’s gonna swallow you whole/ ‘Cause she’s a Black Widow”

Começando com batidas de tambores, para vir a bateria e depois uma guitarra com riff genial lembrando os clássicos do rock’n’roll, e assim a canção se desenrola, em um delicioso rock com guitarras e baixo conversando com a bateria. Ed cosens participa do bridge da canção dando um toque a mais para a canção além de seus riffs geniais.

03. Makin’ Babies// “Everyone I know is making babies/ what about us, what about us”

Talvez a faixa mais surpreendente do álbum, a simples mas super bem executada “Makin Babies” é uma deliciosa canção de banda com refrão explosivo e fofo e com direito à violinos para fechar a canção. Letras irônicas com a melodia da música, mas não deixa de ser bonitinho e super eficiente. Bela canção.

04. Stuck On You//“It’s obvious to anyone/ I really must be stuck on you”

Com o ritmo já conhecido da banda abrindo a canção, junto com o trompete, Jon canta sobre não ser capaz de esquecer mesmo depois de dois anos após o término do relacionamento. A canção mesmo tendo a mesma marca conhecida da banda traz ares de psicodelia, principalmente nos ahhh ahhhhhs fechando a canção.

05. The Beach and The Sea// “I’ll be the beach and you’ll be the sea/ I want you to watch all over me”

As letras de “Beach and the Sea” são estas palavras destacadas, mas a simplicidade das letras dão espaço para a melodia. Violão dá a harmonia central, mas guitarras, assobios e violinos fazem parte da canção- mas a parte principal está nos vocais: Laura e Jon cantam e mesclam suas vozes de uma maneira singela e única.

06. The Trip// “Save me, save me, save me from myself”

Voltando ao rock clássico com belos riffs de guitarra, a canção que tem Ed Cosens nos vocais cresce gradualmente entre os versos (tanto instrumental quanto os vocais) até explodir no refrão. A canção é curta com um minuto e meio de duração mas é intensa com guitarras explosivas e um refrão bem melódico.

07. El Cabrera// “Eeeeeeeeeeeeeel Cabreeeeeeeeeeeeraaaaaaa”

Outra canção também curta, com um minuto e dezessete segundos- mas som sensação de ser interlúdio. A banda incorpora o espírito mexicano com melodia dos duelos estilo western bang bang, com trompete e tudo. Highlight para o vídeo que a banda fez para a música- hilário.

08. Blue// “When I find you, I’ll make it so that you’ll be blue too”

“Blue” tem ritmo mais puxado pro Blues, o que deve ter sido intencional. Ritmo ótimo com riffs de guitarras no final dando o toque especial. Muita gente acha que é uma canção sobre o Sheffield Wednesday- time de futebol de Sheffield que tem como cor principal azul- Jon afirma que é mais uma canção de rock mesmo.

09. Something to Remember// “Send me postcards from the coast, my friend”

Com ótimos arranjos de cordas e com vocal por Joe Carnall, “Something to Remember” é um pedido para que um amigo não esqueça deste outro e que mesmo longe mande um cartão postal. Com um pesar na interpretação de Joe, que lembra um pouco em sua banda The Book Club e com arranjo bem feito

10. Mr. Glassalfempty// “Misteeeeeeeeeeeeeer Glassalfempty/ Mister under the moon”

Um dos highlights do álbum conta com Jon McClure e Joe Carnall dividindo os vocais em mais uma música divertidamente irônica sobre aqueles caras chatos que veem só o pior da música. Com baixo genial e um refrão poderoso e explosivo que fica na cabeça- a canção só tem um defeito- ter 2 minutos de duração.

11. The Gun// “And if your numbers up, I don’t care who you are/ If my bang bang bang’s coming”

Com abertura meio circense,  “The Gun” é a canção mais complexa que já escreveu, segundo Jon. Com letras com  irônicas sobre armas e  mortes com uma melodia inspirada pela “psicodelia Disney” a canção é uma das poucas críticas do álbum, deixando claro que Jon ainda tem a veia crítica irônica em sua música.

12. My Mirror// “You are my mirror, baby/ You are…my mirror”

Com vocais de Laura McClure, a canção troca os papéis e tem como backing vocal o próprio Jon McClure. Como em “Beach and The Sea”, as letras ficam por conta de duas frases- compensadas pela intensidade da canção que passa a informação. Riffs de guitarra distorcida no final e o arranjo de cordas dão o peso sublime da canção inspirada no 007.

13. Last To Know// “And now you’re realising that she’s just been lying and you were the last to know”

Uma linda canção de cortar o coração, Ed Cosens canta sobre traição acompanhado somente de violão e arranjo de cordas. O fato de ser simples traz uma atenção à mais para a interpretação linda de Ed….

14. Lay me Down// “I needed somebody to lay me down”

Fechando o álbum de forma bem dark e pesada, “Lay Me Down” tem um loop de guitarra que vai do começo ao final da canção, Jon dá voz à um ritmo clássico do rock de melhor qualidade. Riffs e elementos psicodélicos fecham a canção: um final digno para o álbum.

 

Sem dúvida nenhuma, Mirrors marca mais um passo na carreira da banda, passo dado de forma inteligente indo à contramão do óbvio pop, voltando ao rock tradicional e apostando nos músicos da banda e na sofisticação dos arranjos pela participação de fanfarras (“The Gun”) e arranjos de cordas como em muitas partes do álbum- tudo isso sem perder o tino das ironias  do dia-dia, das histórias e desta vez, as presentes confissões.  Uma das melhores surpresas é saber que a banda procurou inovar o som em uma época que o eletrônico é primordial para a canção, e voltar ao bom e velho som orgânico sem deixar a marca sonora da banda com os riffs e melodias geniais. A participação de outros vocais no álbum somou ainda mais ao álbum trazendo a melancolia e sensibilidade necessária para a canção- coisa que Jon McClure não faria com a mesma destreza. Mais maduros, som mais sofisticado mas sem perder o espírito da banda- Reverend and The Makers mostra uma das melhores fases da banda e um álbum um pouco mais ensolarado que mostra mais do potencial da banda.

 

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