Phoenix- Ti Amo

Artista: Phoenix
Álbum: Ti Amo
Gravadora: Glassnote Records
Lançamento:Junho/2017

O franceses indies da banda Phoenix ganharam fama há mais ou menos uma década, entre algumas músicas na trilha sonora dos filmes de Sofia Coppola (lembre-se de Encontros e Desencontros) e o famoso álbum Wolfgang Amadeus (2009), que despontou a banda para o mundo com os hits “Lisztomania” e “1901”, que trouxe a banda a tocar no Brasil, no falecido Planeta Terra Festival.  O sucessor Bankrupt! (2013) também trouxe vários frutos bons para a banda consolidando ainda mais o nome além de tocar em grandes festivais, todos alavancados com os singles “Entertainment” e “Trying to Be Cool”.

Logo após a fase da Bankrupt!, a banda então alugou uma casa por 3 meses (e acabaram por ficar lá há um ano) para trabalhar no novo projeto, e um tema em mente: Itália por volta dos anos 80 e 90, não só esteticamente- como mostra principalmente os clipes para “J-Boy” e “Goodbye Soleil”- mas também com as letras da canção que encorporam o estereótipo de amante italiano, romântico e sedutor; além, lógico, de várias referências à cultura italiana- de sorvetes à lugares.  Escutamos o álbum e demos nossas impressões faixa a faixa a seguir:

1 J-Boy //“Just because of you/These things I have to go through/Is it so bad? /Is it so true?/Is it still you?”

“J-Boy” é o primeiro single de Ti Amo e significa “Just Because of You”, e como em um trocadilho bem elaborado, significa  tanto o garoto do título quanto a tal frase que remete à todas as emoções que o primeiro estágio de uma paixão proporciona. Quanto ao som, Phoenix abusa dos sintetizadores com uma vibe anos 80, em um pop bem elaborado e com um sintetizador viciante.

2 Ti Amo// “Love you! Ti amo! Je t’aime ! ¡Te quiero!”

“Ti Amo” tem um ritmo mais encorpado e dançante, lembrando um pouco música latina, mas logo os sinths aparecem principalmente no refrão ( Don’t Tell me/ Don’t tell me) e um pouco na voz metalizada. Quanto às letras cheias de referências latinas ( gelato/ o policial tomando sol no Rio, cantores Battiano e Lucio) todas metáforas que o relacionamento  não está saindo como esperado.

3 Tuttifrutti// “We’ll be trashing motels/Tuttifrutti melt with me”

Em um convite à umas férias bem loucas com direito a arrebentar quartos de hotel, destruir castelos e sair da vida de porcelana, “Tuttifrutti” é embalada em um ótimo e leve eletropop pra dançar com um sample da assobio que acompanha a canção inteira, há uma atmosfera bem anos 80 com o baixo e os vocais de Thomas Mars.

4 Fior di Latte// “A little bit of disrespect could be/Another way to break the ordinary”

Uma das baladas do álbum com um toque de R&B, e mais intensa nos refrões, e com sintetizadores marcados, mas um pouco mais tímidos. O título da canção refere à um sorvete e as letras usam como metáfora o sorvete como o corpo da garota, para ela ceder ao amor do eu-lírico.

5 Lovelife// “So let me control, regret that I broke our thing/Now somebody took my apology”

Abrindo com sintetizadores, para logo ficar em um ritmo mais suave, a canção é rica em camadas eletrônicas embalando as letras de uma separação, e o arrependimento depois do término do relacionamento, embora ainda afirme que ama a garota. Canção mais curta do álbum.

6  Goodbye Soleil// “Let’s pretend that I don’t care”

O segundo single de Ti Amo, começa com sintetizadores e tem uma atmosfera começo anos 90, e conta com um refrão cantado em francês. Agitada e radiofônica, a canção mescla bem as guitarras com sintetizadores e embalam o lamento de perder um amor e as lembranças dos momentos bons.

7 Fleur de Lyz// “I’ll always be an outsider/Don’t neglect me Fleur de Lys”

Começando com sintetizadores, e com um vocal cujo efeitos fazem a voz de Thomas Mars  no mesmo tom da melodia, “Fleur de Lyz” é dançante, principalmente no pré refrão e refrão. As letras falam da tal menina, provável ex-affair do eu-lírico, e de como ela se acha superior que os outros.

8 Role Model//“If you got to trust the guy he’s no impersonator/ What’s the matter with him mowing your lawn?”

Em “Role Model” é criticado, mais uma vez, a garota que provavelmente escolheu outra pessoa e tende a viver de aparências, e que provavelmente o relacionamento não vai continuar. Quanto ao ritmo, sintetizador como órgão dita a canção, que é mais  serena e calma nas estrofes e bem dançante no refrão.

9 Via Veneto//“It’s a sin/Senza te, senza te/A sin”

Pode ser nome da pizzaria do seu bairro, mas não é(!). Via Veneto é uma das ruas mais luxuosas de Roma. Em uma atmosfera mais etérea com sintetizadores mais espaçados e um vocal mais abafado. Phoenix faz um trocadilho com sin (pecado, em inglês) e senza te (sem você) , em uma bela aliteração. A falta que a garota faz e a saudade é o tema das letras em italiano e inglês.

10 Telefono//“Non posso vivere/Troppo bisogno di te”

Encerrando o álbum com uma música mais animada, “Telefono” aborda a relação à distância de Thomas Mars e Sofia Coppola, simulando uma conversa ao telefone, falando sobre o cotidiano intercalado com as preocupações de ter a esposa em outro continente. A música cresce logo nos primeiros momentos da canção, e logo parte para a vibe característica da banda, além de ter algum vocabulário em italiano no meio da canção.

 

O tema italiano e todos os estereótipos trabalhados no álbum funcionaram para o enredo do álbum, que não só trabalha uma romantização da Itália (mais nítida nos video-clipes da banda), mas também com uma brincadeira nas referências italianas que estão presentes em todas as canções,com direito a até a arriscar no italiano, e a cantar confortavelmente no francês (língua dos integrantes). Mas toda a atmosfera italiana é um pano de fundo para a história de amor: começo do relacionamento com “J-boy”, o auge com “Tuttifrutti”, e a decepção amorosa que vai de “Lovelife” a “Via Veneto”.  “Telefono”, no entanto, foge um pouco do tema, já que as letras são explicitamente baseadas no relacionamento do vocalista Thomas Mars e Sofia Coppola.

Quanto ao som, é bem evidente que Phoenix buscou inspiração no eletropop de meados dos anos 80 e 90- principalmente nas texturas dos sintetizadores, embora as canções ainda carreguem a marca única  da banda. Algumas canções, como os próprios singles: “Ti Amo”, “J-Boy”, “Goodbye Soleil” se destacam pelo ritmo e um tanto de complexidade nos arranjos.  Há momentos mais  calmos como em “Via Veneto” e  “Fior de Latte”, mas ainda recheados de sons eletrônicos. No entanto, o álbum peca por duas características: as letras que podem trazer várias referências, mas muitas vezes jogadas já que o significado das letras em geral são bem claros;  e também nos próprios sintetizadores que, principalmente em algumas canções mais calmas, acabam ficando em excesso na canção.

Ti Amo pode trazer todos os gostos italianos, mas peca nos excessos de sons e nas simplicidade das letras, mas mesmo assim, marca a volta de uma das bandas que mais sabe usar o eletropop com destreza. Pode não ser um Wolfgang Amadeus, mas mesmo assim, é um álbum do Phoenix.