Mystery Jets- Curve of The Earth

Artista: Mystery Jets
Álbum: Curve of the Earth
Gravadora: Caroline International
Lançamento: Janeiro / 2016

Muitos talvez só se lembrem da banda inglesa Mystery Jets pelo duo com a Laura Marling em “Young Love” lá em meados de 2008- porém a banda, apesar do pouco destaque, já lançou 5 álbuns ao longo da carreira , com low profile, boas canções e um fã clube fiel. Ao longo dos álbuns, a banda mostrou sua influência do psicodélico, new progressive e alguns flertes bem espertos com pop- o segundo álbum Twenty One (2008) despontou a banda no cenário internacional e em Radlands (2012) a banda inspirou-se se no som dos anos 80 – e agora no quinto álbum a  banda desvenda novos horizontes em Curve of the Earth.

Pois Curve of the Earth conta com um baixista novo  e a inspiração de uma fábrica de botões abandonada onde gravaram as canções para compor este novo álbum. Voltando os olhos para as experiências pessoais onde também entram os 10 anos de carreira e as mudanças ocorridas na banda e na vida dos integrantes. Mudanças sonoras também podem ser percebidas, não só com o baixo novo, mas também com uma suavidade nova no som, além de letras que olham para o passado de um modo nostálgico e indagador- aquela velha crise que temos ao pensar que as coisas poderiam ser diferentes….Pois então confira a resenha faixa a faixa de Curve of the Earth.

mystery-jets- earth

 

01. Telomere// “The one thing they can’t away from me”

Abrindo o álbum com o primeiro single, a radiofônica “Telomere” é tocante e melódica com um riff que fica na cabeça e uma mensagem interessante. Telomere são as informações que ficam em seu DNA e que de certo modo fazem você ser quem você é. Letras mais elaboradas e um instrumental intrigante com várias sonoridades é uma das melhores amostras da nova fase da banda.

02. Bombay Blue// “And the harder you push you away/ The sooner your heart turns a darker shade of grey”

A segunda faixa traz como tema aquele amor que se desfaz e torna-se uma das coisas que você mais despreza no mundo- descrição e desabafo feita de um modo sincero e delicado, com uma sensibilidade à flor da pele e ótimas metáforas. Quanto ao som, o violão começa o som que leva ao ritmo orgânico e compassado junto com o vocal e alguns solos de guitarra no refrão- uma das típicas e fortes canções da banda

03. Bubblegum// “We will spend time and we will devide/ We will disappear to two different sides”

A faixa “Bubblegum” tem um daqueles riffs que vai ficar na cabeça e lembrar da faixa de um jeito super especial e dançar bastante. A construção da música é interessante, começa bem em tons graves e o instrumental aumenta até o riff e o refrão. O tema da canção também lida com o passado, como um amor muda e o apego ainda está com a pessoa que estava no relacionamento. Pessoas saem do relacionamento e mudam pra caramba, né?

04. Midnight’s Mirror// “So I said to myself “Well, well, you fell/ down the same hole again”
Com um sample de um monólogo de Nake, de Mike Leigh, e com uma pegada bem suave no baixo e nas programações que leva um som bem compassado até a parte final, mais visceral e acústica, dando um link para o solo de guitarra. Já a letra é bem sugestiva, e parece falar de medos e inseguranças, que aparecem em algumas horas marcadas (ou não)

05. 1985// “Saturn will return to us in 1985”

Uma balada melancólica e nostálgica, “1985” que explode em um solo super bonito de guitarra, traduzindo os sentimentos de um amor com metáforas sobre o espaço e um suposto suicídio – uma boa tradução de impressões e sons ao longo que não só a música se constrói com o desenvolvimento da letra.

06. Blood Red Balloon// “A mushroom cloud following an explosion filmed in surround sound”

Uma das maiores faixas do álbum, os 6 minutos e 42 segundos trazem uma vibe pop dos anos 80 com os vocais alterados (como balões de hélio?) contrasta com o instrumental minimalista que se intensifica chegando em refrão com riffs curtos até um solo fantástico que aumenta gradativamente, metáfora sonora de um balão subindo. Uma das melhores letras da banda com críticas à nossa sociedade atual, e com muitos trocadilhos e metáforas.

07. Taken by The Tide// “Brother I reached out but you were taken by the tide”

O tom nostálgico aparece como tema nesta música, uma lembrança de uma amizade e das memórias vividas e o fato da vida afastar conforme o cotidiano acontece. O som é singelo abrindo com uma guitarra e violão, com vozes sobrepostas em um ritmo calmo que explode em um refrão intenso, e lógico, alguns riffs destorcidos lá pro final da faixa.

08. Saturine// “So if the highs of youth have got you crashing down the earth/ It’s time to face the truth”

Ares psicodélicos com uma guitarra em riff incessante e hipnotizante a canção começa e leva a canção inteira em um tom mais tranquilo e calmo, sem deixar o ritmo e a marca da banda passar por despercebido ( sim os riffs). Mas a melhor parte da canção certamente é a mensagem- do alto dos 30 anos, as reflexões giram em torno do passado e da sociedade que preza fama e o fato de ser magro como as coisas mais importantes desta geração, e como é o fato de envelhecer e ver as coisas mudando.

09. The End Up// “How we end up/ With who we end up/ Is it just a question of luck?

A faixa que termina o álbum tem novamente o tema do tempo, nostalgia e como as coisas costumam mudar e o papel do destino em nossas vidas em uma balada gostosa lembrando bastante Beatles (principalmente a voz do vocalista), com ritmo e efeitos e uma maior agito no refrão. Fecha bem com o significado do álbum, de um modo direto e sublime.

 

The Curve of the Earth pode ter somente nove faixas, mas mostra bem a evolução da banda, que experimentou e achou mais um som que traduz a marca da banda, sem perder a essência. O psicodélico com guitarras mais aéreas e os famosos riffs da banda, o flerte com os anos 80 (principalmente em “Blood Red Ballon”) trazem não só as referências fortes de Pink Floyd, mas mostram uma fase mais madura da banda, com um som mais consistente – e o som encontrado com o novo baixista Jack Flannagan somando o estúdio construído em uma fábrica de botões abandonado. Quanto ao tema, Blaine Harrison e William Rees souberam muito bem captar a sensação de olhar para trás e ver a juventude em momentos importantes e refletir sobre os mesmos além de indagar sob a influência do destino. Também é interessante que a banda explorou nossa essência desde o que está dentro de nosso DNA para até a estratosfera do blood red ballon em metáforas bem feitas. The Curve of the Earth é um álbum para  ouvir algumas vezes, já que há bastante psicodélico, mas riffs e algumas melodias ficam na cabeça (“Bubblegum” não tem esse nome por acaso) e demora um pouco para crescer e entender a mensagem da banda. Com certeza é um álbum para prestar atenção, assim como a banda que confirma um potencial e som melhores para os próximos álbuns.