Miles Kane- Coup de Grace

Artista: Miles Kane
Álbum: Coup de Grace
Gravadora: Domino Records
Lançamento: Agosto/2018

Demorou exatamente o mesmo tempo que os Arctic Monkeys levaram para lançar Tranquility Base Hotel & Casino para Miles Kane lançar seu novo projeto solo. O último álbum do garoto de Wirrall, Don’t Forget Who You Are foi lançado em 2013 e desde então Miles se mudou para Los Angeles ( pra ficar perto do Alex Turner, né?)  e lançou o segundo álbum do The Last Shadow Puppets- Everything You’ve Come to Expect, que teve turnês com shows bem inusitados e muitos modelitos chiques por parte dele e do Turner. Após confirmar que sofreu um bloqueio criativo, Miles então encontrou espaço e inspiração para o então Coup de Grace.

O nome inspirado no golpe de misericórdia- Coup de Grace foi inspirado em um golpe de WWE do lutador Finn Bálor (que aparece no clipe de “Cry On My Guitar”), que o cantor é bem fã, como uma metáfora para dar fim ao sofrimento de um fim de relacionamento que então fizeram com que letras fossem inspiradas . Com participação do cantor  Jamie T em todas as faixas do álbum e Lana del Rey no single “Loaded”, Miles finalmente conseguiu finalizar seu álbum que foi produzido por John Congleton (Sigur Rós, Lucy Dacus, The Decemberists). Pois então escutamos o álbum “Adele” de Miles Kane e segue nosso veredito faixa a faixa:

1 Too Little To Late// “But I’m too fickle/Set in my ways/I’m too little too late”

Abrindo o álbum com uma faixa bem punk, com guitarras bem rápidas e um teclado bem presente, “Too Late Too Late”  Miles admite suas falhas no relacionamento, mas também afirma que seria suficiente para a sua ex- misturados com descrições de uma noite de carro em Los Angeles, a faixa e bem animada e tem um refrão bem forte.

2 Cry On My Guitar// “Taps me on the shoulder, had a heart attack/I said yeah, I come undone”

Com uma ótima guitarra (ah meio óbvio com o título) e com um ritmo bem agitado- Miles Kane narra todas as corridas de carro que fez excedendo o limite de velocidade e sendo preso, e mesmo assim comparando à dor de perder a pessoa amada. Miles pode estar preso e bêbado, mas ainda sente falta dos beijos de sua amada. Com ótimo baixo também acompanhando a canção, fazendo um rock classicão, “Cry On My Guitar ” e um single simples mas bem eficaz.

3 Loaded//“My baby’s always threatening to leave/You can do that or be here”

O primeiro single que conhecemos de Coup de Grace teve a participação de Lana Del Rey na concepção da canção,além de ter um piano ditando a canção com um baixo bem presente que leva a um refrão rico com backing vocals e a guitarra de Miles presente. A canção tem um tom um pouco melancólico com letras que relatam aquele final de relacionamento- “não sei se fico ou se vou”.

4 Cold Light of the Day// “I feel it when I’m in love, I feel it when I’m alone
(In the cold light of the day)”

Boas guitarras e batida marcada, a canção tem ponto alto nos refrões com os sentimentos confusos de festa e  dor no coração após ficar stalkeando a namorada aos gritos. Nos versos, porém há sérios problemas de rima que podem incomodar um pouco- citando as mídias sociais com obsessão de saber onde a ex está e o que está fazendo, Miles confessa a mistura de sentimentos e principalmente a predominância da solidão. Sugerimos curtir mais o som e não prestar atenção nas letras.

5 Killing the Joke// “You’re my top one-hundred shows/Why do I always have to go killing the joke?”

Com um violão no começo (que lembra um pouco as melodias do Skank)  Miles Kane menciona que quer ver a amada, embora saiba que houveram brigas e a separação- além de falar como está lidando com a solidão e com o cotidiano após o evento. Há uma declaração de amor no refrão assim como admite que pode levar a culpa na separação. A melodia é bem forte nos refrões e pianos e violões fecham bem a canção.

6 Coup De Grace//“My story lacks in the facts/That it’s so absurd/So come on, coup de grace”

A canção com mais groove do álbum com um baixo bem presente de Zach Dawes e com os vocais bem parecidos com o Turner, além de letras também puxando um pouco o amigo e companheiro de The Last Shadow Puppets, a canção tem versos recheados com e um refrão catártico com “coup de grace” aos gritos.

7 Silverscreen//“I can see the silverscreens/You won’t leave it alone”

Canção agitada com um toque punk, “Silverscreen” tem guitarras e baterias em um ritmo bem rápido e Miles gritando  as letras da canção que não deixam de compor imagens  dos acontecimentos para o ouvinte interpretar a complexidade do relacionamento que tem com a garota. Miles oferece um refrão mais suave com os vocais, mas guitarras ainda em todo vapor

8 Wrong Side of Life//“I bought the holy ghost to watch over you/Baby I’m on fire, maybe I’m a liar/Baby I would die for you”

Uma intro com efeitos bem legais e um pouco dreamy, a canção muda bruscamente para batidas enquanto Miles canta novamente aos gritos a canção nos versos enquanto nos refrões todo o charme e influência meio 007 com instrumentos de corda entram pra dar aquele toque especial, até mesmo com a participação de backing vocals. Mais juras de amor com referências à Marco Antônio e tudo.

9 Something To Rely On//“I don’t want to beg or steal, I don’t want to borrow hearts/I just want to make it real/Something to rely on”

Mais uma canção super dançante e corrida do álbum com ótimas guitarras e com o melhor refrão do álbum, “Something To Rely On ” tem letras que ainda explicam como Miles está seguindo ainda um pouco conectado com a ex, mas em um bom tom consegue  fazer previsões um pouco melhores para o seu futuro.

10 Shavambacu//“I made it up in a dream I had/My French is bad, some say “Je t’aime beaucoup”/I say, my darling “Shavambacu””

A balada que fecha o álbum é bem arranjada e tem até um toque um pouco clássico- um pouco pelos vocais de Miles, mas também pelo piano , os estalos de dedos e o baixo dando uma atmosfera mais pesada para a canção. Uma das melhores letras de Miles, e um pouquinho creepy- Miles fala da preocupação que tem com sua amada (ghost eyes) e também leva “Shavambacu” um erro de entendimento de letras que sua avó fazia (música do cantor Dean Martin) que faz a canção um pouco mais fofinha. Um dos pontos altos do álbum.

 

O terceiro álbum de Miles Kane mostra uma evolução esperada do som do cantor que conseguiu mostrar um som bem coeso com alguns elementos punk,  e as clássicas influências dos Beatles e sessentistas, e ainda arriscar em algumas faixas, indo um pouco mais para vocais gritados e batidas mais cruas (“Wrong Side of Life”).Quanto às letras, sem nenhuma parceria Turner/Kane  desta vez, Kane consegue boas letras, mostrando até uma certa influência de Turner em algumas partes, com boas aliterações e  imagens ( “Killing The Joke” e “Coup De Grace”). Mas o que é mais interessante nas letras é a honestidade que muitas vezes Kane mostra que sabe que vai sucumbir e sofrer sem a garota, chorando na guitarra ou dirigindo bêbado e sendo preso pela polícia.

Mas realmente o que chama mais a atenção em Coup de Grace é realmente a produção do disco que traz todas estas influências de Kane e transforma em um disco bem coeso musicalmente com todas as canções conversando entre si e mostrando uma certa crueza do som com um toque moderno com a roupagem Wirral de Kane. Seguindo uma linha de som e raciocínio o álbum é bem executado e agrada bastante, embora Kane ainda arrisque pouco no som….mas pelo menos ele  sabe bem separar a carreira solo do The Last Shadow Puppets.