Milburn- Time

Artista: Milburn
Álbum: Time
Gravadora: Mercury Records
Lançamento:Setembro/2017

Era uma vez em 2007, Milburn era uma das maiores e melhores bandas de Sheffield, e talvez do Reino Unido. Com seu som único com guitarras rápidas, riffs distintos da banda, e letras sobre o cotidiano escritas pelo vocalista e baixista Joe Carnall, não foi nada difícil conquistar tantos fãs com um som contagiante e bem inovador para a época. Milburn sempre foi muito comparado com os parceiros Arctic Monkeys,  com guitarras e baterias naquele som inédito também visto  nos primeiros trabalhos dos Monkeys, mas mesmo assim, Milburn tinha uma atmosfera diferente e única, mas mesmo assim, não menos charmosa.

Não demorou muito para logo a banda seguir caminhos distintos. Joe Milburn fez o The Book Club, participou do Reverend and the Makers e se formou em história para logo depois lecionar em escolas, o baterista Joe Green e o guitarrista Tom Rowley formaram Dead Sons (outra lenda de Sheffield) e Luis Carnall (irmão de Joe) seguiu a vida. Após dez anos de aniversário, a banda decidiu fazer alguns shows em Sheffield para celebrear o feito e todos os shows esgotaram, com pedidos de shows extra. O sucesso fez a banda então se arriscar, voltar como banda e lançar um álbum novinho para seus fãs, e então surgiu Time. Então, a seguir, está a resenha faixa a faixa da aguardada volta de Milburn:

1 Time//“But time has a tendency/ to transcend your memory/ Into something they never were/ even in the first place, anyway”

A canção que abre o álbum é bem curta (2:04 minutos) e tem uma atmosfera mais relaxada, com um instrumental bem longo abrindo a canção, vocais mais suaves de Joe Carnall, e um ritmo bem marcado com o baixo, batera e as guitarras deixando a música com outra cara, especialmente mais pro final da canção. Letras abordam a ação do tempo na nossa memória e nos nossos sentimentos, fazendo algo ser às vezes o eu nunca foi.

2 Midnight Control// “Tongue tied/ Wild eyed/How did it come to be so…Alike”

O primeiro single após quase uma década em hiato, com um riff bem intenso e marcante abrindo a canção, e um som bem marcado nas estrofes e um refrão bem explosivo, bom para cantar. O ponto alto da canção é a ponte  pro final da canção que segue se um lindo riff de guitarra, fazendo “Midnight Control” uma perfeita canção rock pop.

3 Nothing For You// “I won’t deny/I’ve crossed the line/My mind, my mind”

“Nothing For You”, tem um resquício de Dead Sons, com o baixo e bateria e até a atmosfera mais pesada, sem falar da guitarra com efeitos mais pesados. O refrão o tom sobe fazendo a canção um pouco mais leve e com uma melodia mais acessível para cantar. Destaque para as guitarras e mais um riff bem legal e mais dark.

4 In The City// “She may be cool and witty/Heartbreakingly pretty/But she’s not true
/Not like you”

Começando com um tom melancólico, com sintetizadores e vocais, a canção fica mais agitada com um ótimo baixo acompanhando e modelando a canção. Letras sobre a desilusão sobre uma garota, em tom de lamento faz a canção ser mais emocional ainda.

5 Take Me Home// “I won’t remember your name/ It’s always the same old story”

O segundo single lançado do álbum tem a energia da banda um pouco mais amadurecida, começando com um som bem firma com bateria, baixo em plena sintonia, a canção cresce no refrão com mais riffs e a melodia cantada por Joe Carnall. Um dos grandes exemplos de como aquelas canções de 2007 evoluiram sem perder o gosto da banda.

6 Keep Me In Mind// “I forgot to take my matching pills today
I don’t know why”

Canção um pouco mais pesada, com guitarras com atmosfera que relembra o Dead Sons na introdução, a canção ganha um tom mais leve no refrão e fica até um pouco pop. Cheia de metáforas sobre mistérios de um relacionamento, traz mais ainda uma atmosfera de fusão do clássico Milburn com Dead Sons.

7 All the Love & Hate// “All in love and hate/Held by sellotape”

A primeira balada do álbum  tem um violão levando a canção com guitarras dando um charme e um pouco de melancolia para a canção. As letras  falam sobre a dificuldade de manter um relacionamento  com todas as adversidades  e dificuldades- o mais interessante foi justamente como a tristeza passa para o ouvinte, mesmo com uma melodia mais para cima.

8 Together and Alone// “If your on to a winner/Or do you spent most your time together alone”

Mais uma ótima balada (um pouco mais vagarosa que a anterior) com tom de confissão sobre um relacionamento em que há pouca reciprocidade. A primeira parte da canção é simples, com guitarra e vocais, mas o final, com uma boa guitarra e bateria dando mais dramacidade para a canção.

9 Medicine// “So why take your medicine/If you don’t like the taste/Be young like the rest of ‘em/ And give up the chase”

Mais uma música pra cima, com vários riffs de guitarra e um baixo bem consistente além do final, típico da banda com solo de guitarra e baterias à todo vapor, somando uma parte mais calma com backing vocals. As letras falam de garotas e como são conturbadas algumas relações. Lembra bastanta a vibe Milburn old school.

10 A.O.S.D// “You want it/You never had it in the first place”

Com um baixo e guitarra que lembram um pouco a última era dos Arctic Monkeys, a canção fica bem mais suave e calma com um belo violão e backing vocals no refrão e uma interpretação boa de Joe Carnall nos vocais. As letras são um pouco cripticas sobre uma provável desilusão de ter algo que nunca foi seu.

11 Philistine//“When they asked you for the earth you took them to the moon”

Baterias arrebentando logo no começo com um pouco de sintetizador, “Philistine” tem algumas caracteríticas principais da banda como a  diferença de tempos em alguns momentos da canção, desacelerando  a canção principalmente no refrão. Em um tom sensível Joe Carnall narra a história da “Philistine” , uma menina que poderia ter tudo, mas ainda se sente mal

12 05:40//“Its twenty to six on Sunday morning/I won’t sleep until you let me/ My heart is closed”

A canção que fecha o álbum traz uma bateria eletrônica ( daqueles de teclado), começando devagar para deois explodir em guitarras e baterias  e riffs fazendo uma bela e dançante trilha sonora para uma confissão de que não se pode confiar no eu-lírico em questão de relacionamentos. O fechamento da canção é o maior destaque da canção com uma extensão do som com mais riffs e baterias tocando a todo vapor e a bateria eletronica fechando o ciclo de Time.

 

É interessante ver a evolução musical de Milburn após 7 anos de hiato, embora toda a energia e estrutura musical típica da banda, com canções cheias de riffs, bateria rápida e  um baixo que amarra tudo muito bem,  Milburn amadureceu, e bem, musicalmente.  A banda leva alguma bagagem dos projetos paralelos dos integrantes, há sons mais pesados e soturnos como um toque de Dead Sons, um pouco da seriedade de The Book Club (projeto paralelo do vocalista Joe Carnall) em alguns ritmos e até algumas letras de canções ( “Philistine” tem letras bem elaboradas e um pouco melancólicas típicas da era The Book Club) mas mesmo assim consiguimos identificar o ritmo da banda e todas as marcas registradas em riffs e ritmo frenético, entre a nova e boa roupagem.

Embora as letras mostrem um pouco de maturidade, elas também se apresentam um pouco mais simples e direto ao ponto, com os temas sobre relacionamento e amor. Mas a cereja do bolo sempre está no som da banda, que embora tenha ainda muitos anos de hiato consegue empolgar e surpreender com canções pra cantar, refletir e curtir o som único da banda. Que Milburn continue, porque os moshs e os riffs de guitarra sempre são bem vindos!

 

Anúncios