Mandy Moore- Silver Landings

Artista: Mandy Moore
Álbum: Silver Landings
Gravadora: Verve Forecast Records
Lançamento:Março/2019

Mandy Moore despontou no cenário musical aos 15 anos, em plena febre pop (e clássica) do final dos anos 90 e começo dos anos 2000, e mesmo despontando com uma fórmula pop, Mandy já mostrava uma diferença na direção no segundo álbum Mandy Moore (ou terceiro álbum se colocar I Wanna Be With You (2000) como álbum oficial), onde  co-escreveu “When I Talk to You”. A grande mudança, mais pé no chão, veio com o álbum de covers, Coverage (2004), que Mandy então abraçou uma sonoridade mais adulta e sofisticada, que influenciou bem seus trabalhos autorais no futuro. Em 2007, Wild Hope abre oficialmente a era de música “mais adulta” de Mandy Moore, com canções co-compostas por ela e uma porta aberta para transitar no mundo indie-pop, com muito talento da cantora. O último álbum de estúdio Amanda Leigh (2009), começa a parceria da cantora com o produtor Mike Viola, e é aqui que as composições da cantora brilham, apesar do álbum não ter tido muita repercussão.

Foi um hiato grande, quase 11 anos que separam Amanda Leigh e Silver Landings. Com muitas histórias para contar e com a ajuda de seu marido Taylor Goldsmith e do produtor Mike Viola, Mandy Moore finalmente voltou ao estúdio com 10 canções que refletem todos os aprendizados que Moore teve: do fim do casamento com Ryan Adams, de sua volta como atriz, e sua redescoberta em um novo relacionamento com o vocalista do Dawes, Taylor Goldmith. Pois então escutamos Silver Landings e segue então nossa resenha faixa a faixa do álbum de Mandy Moore:

1 I’d Rather Lose// “I’d rather lose/I’d rather lose/If the only way to win
Is by breaking all the rules/I’d rather lose”

Logo na primeira faixa já vimos a atmosfera leve rock californiano com um instrumental bem coeso e suave que combina bem com o tom de voz e interpretação de Mandy Moore. Já as letras da canção, com um tema mais moderno e bem sábio, falam da interação que temos com a internet e aquelas pessoas que insistem em se dizer certas e se provando, quando não tendem a escutar o outro lado. Neste caso, cheio de influências musicais de Fleetwood Mac, Moore afirma que prefere perder, e nós também…

2 Save a Little For Yourself// “Not all pain is black and blue/ Strongest people come unglued/When someone gets the best of you/ Don’t let them take the rest of you”

Em outra canção bem orgânica e coesa, com ótimas guitarras (trazendo um pouco da influência de Dawes para sua música) e um instrumental onde piano e cordas brilham, Mandy Moore fala um pouco de amor-próprio e sempre guardar um pouco de amor para sí pois, quem sabe um dia, vamos precisar. Um dos pontos altos do álbum.

3 Fifteen// “Somewhere between the demo/And the lonely public eye
So real, real famous/Without even knowing why”

Em uma balada bem delicada e bonita, Mandy Moore volta ao passado e reflete sobre a garota de 15 anos que começou a carreira de cantora. Fazendo as pazes com o passado, Mandy ressalta realisticamente tudo que abdicou e toda a fama que obteve. A delicadeza do instrumental, assim como os vocais no refrão trazem uma sentimentalidade que trazem até uma lagriminha no olho.

4 Tryin’ My Best, Los Angeles// “I always dreamed of this place/ Where ocean meets sky

Em uma canção bem animada no refrão, Mandy Moore nos conta um pouco da relação que tem com a cidade de Los Angeles, das inúmeras oportunidades, e pôr-do-sol, e aqueles momentos que se vir perdida. Com uma ótima batida e novamente com um instrumental orgânico e presente, a canção é animada e bem empolgante.

5 Easy Target// “Say it isn’t so/Then say that it is/How do I know/Where the trouble begins and ends?”

Uma das canções com mais influência de Fleetwood Mac, “Easy Target” também tem um instrumental bem orgânico com uma bela linha de baixo e com um alcance de voz de Mandy que vai do grave ao agudo no refrão. Com letras que braçam a vulnerabilidade,  Mandy afirma que está pronta para enfrentar o mundo mesmo sendo um “alvo fácil”.

6 When I Wasn’t Watching//My favorite version of me disappeared/ Through longer days and shorter years/So where was I when this was going down?”

O primeiro single lançado desta fase da cantora, “When I Wasn’t Watching” tem uma atmosfera bem densa com uma guitarra ecoando lá no fundo pra tornar um refrão bem agitado e com vocais interessantes de Mandy Moore.

7 Forgiveness// “Forgiveness is not a favor/And sorry is just a word/We won’t be friendly later/In spite of what you’ve heard”

Uma das canções que expõe um pouco mais do lado pessoal de Mandy, “Forgiveness” é uma balada bem delicada com violão e voz como destaque em que a interpretação das letras da canção brilham com Mandy. Bem direta, Mandy fala de perdão em suas letras em uma referência ao seu antigo casamento e com muita sabedoria coloca a sí mesmo em primeiro lugar.

8 Stories Reminding Myself of Me// “Turning a corner so bittersweet/A halo of streetlights from red to green/Stories reminding myself of me

Mais uma canção que Mandy conta um pouco como reestruturou sua vida, pronta para uma nova vida, e como as histórias do passado, incluindo aqueles pequenos momentos a relembram de quem ela é, gosta, etc. Com uma música bem gostosa com um piano e violão dialogando lindamente, e com uma deliciosa guitarra no meio da canção.

9 If That’s What It Takes// “When they’re burning the carnival down
We’ll stay on the ferris wheel”

Mais uma balada com um apelo mais country e um delicado violão e  com um refrão bem poderoso, Mandy faz uma belíssima declaração de amor com letras bem escritas de suporte a um ao outro, e como que, no final, ambos se ajudam- mesmo que o mundo esteja em chamas.

10 Silver Landings//“Reaching for golden ribbons, up in the air
But I’m looking for silver landings”

A faixa que fecha e dá nome ao álbum é também outra balada, um pouco mais atmosférica com uma harpa e guitarras precisas trazendo um pouco de melancolia para canção que crese no instrumental. Com letras sobre ainda se sentir perdida e como ainda deseja sair da órbita e se encontrar em sí mesma.

 

Não seria difícil Mandy Moore entregar um bom trabalho com Silver Landings, com muito material produzido nestes 11 anos de hiato e com o parceiro Mike Viola e o maridão Taylor Goldsmith ajudando, mais uma vez Mandy entrega um álbum sensível, orgânico e cheio de talento. O mais admirável do álbum é que todas as faixas foram executadas em um take, e todo o material gravado em fita, sem nenhuma edição ou digitalização, o que trouxe um aspecto bem orgânico e natural onde é possível ver o brilho de cada instrumento- do violino às guitarras, violões e piano.

Mandy também acertou no tom do álbum, abraçando um rock californiano ensolarado com grande influência de Fleetwood Mac e um pezinho no country, sem contar que também é possível indentificar um toque de Dawes nas guitarras, o que não é surpreendente já que Taylor comandao instrumento. Já nas letras, Mandy tem uma atitude bem otimista, todas as faixas tentam entender um pouco ora de sua solidão ou seu passado como cantora e seus relacionamentos (“Fifteen” e “Forgiveness”), e mesmo assim, não deixa de celebrar seu estado atual (” If That’s What It Takes”).

Entregando um dos melhores vocais da sua carreira ( Mandy soube bem trabalhar seus vocais graves), Silver Landings então reforça e concretiza o som mais maduro da cantora com um trabalho co-escrito pela própria e uma sonoridade que desenvolveu através de sua carreira e floresce lindamente neste álbum.  Algumas canções podem crescem com o tempo, mas é notável que tanto os vocais e instrumentais mostram bem o grande talento e potencial da cantora nessa seleção de 10 música, apesar de que sabemos que uma repercussão mais comercial pra este álbum será um pouco difícil. Escute em uma tarde ensolorada!