Mallu Magalhães- Vem

Artista: Mallu Magalhães
Álbum: Vem
Gravadora: Sony Music
Lançamento:Junho/2017

Faz um tempinho que não tínhamos novidades da Mallu Magalhães. A cantora em que acompanhamos sua metamorfose durante seu trabalho como cantora folk para a MPB, principalmente em seu último trabalho Pitanga (2011), ficou um tempo sem lançar um trabalho autoral, apesar que estes 6 anos de “pausa” na carreira aconteceu muita coisa para a cantora folk. Além de se casar com Marcelo Camelo e se mudar para Lisboa, Portugal, Mallu também virou mãe da menina Luisa. No meio tempo o álbum  Highly Sensitive com músicas em inglês também foi lançado e o projeto paralelo Banda do Mar, com Marcelo Camelo e o baterista Fred Ferreira fez sua estreia em 2014.

Indícios que Mallu Magalhães estava trabalhando em um novo álbum surgiu em 2016, quando a cantora lançou “Casa Pronta” como single independente. Já se notavam algumas diferenças no seu som, principalmente o flerte maior com MPB. Em 2017, Mallu lançou o single “Você Não Presta” uma canção mais voltada para o samba e uma grande surpresa no seu som. Ouvimos Vem e todas as suas 12 faixas, e demos nossas impressões música por música a seguir:

1 Você Não Presta//“Quem sabe demais, quem nunca chorou/Quem nunca perdeu tudo, nunca viu o carnaval”

Em um belíssimo flerte com samba, em um ritmo gostoso e delicado, com participação em peso de metais, “Você Não Presta” é a canção que anunciou o álbum Vem. Claramente, mostra a evolução da cantora da fase de Pitanga, experimentando mais com sons brasileiros. As letras são simples e mencionam não convidar aquela pessoa inconveniente para a festa (ou sua vida) além de mostrar uma interpretação mais intensa de Mallu.

2 Culpa do Amor// “É tudo arte do amor/ Brigas de aluguel/ É tudo culpa do amor/ Que anda pregando suas peças no azul tão bonito do céu”

Outra canção com um ritmo delicado de samba e com um ótimo riff de guitarra lá pelo final da canção, Mallu  oferece uma canção aconchegante embaladas por palavras sobre brigas de relacionamentos por coisas bobas.

3 Casa Pronta// “Vem pra perto de mim/Já cansei de esperar/Você nem vai acreditar/Quando vir a nossa casa pronta”

Primeira canção liberada de Vem, até então single independente da cantora, “Casa Pronta” também tem arranjo em samba e um instrumental bem pensado, com flautas, violão e até cordas que fecham a canção, que embalam a chegada a um novo lar e a promessa de uma nova vida e um amor duradouro.

4 Vai e Vem// “A  felicidade/Vem nos microssegundos aha/A paz de verdade/Anda aí pelo mundo aha”

Uma canção simples e contagiante com a melodia que Mallu canta. Começando com violão e voz para logo alguns instrumentos incorporarem ao som, intensificado com o refrão. e com força  (e até backing vocals) na segunda parte da canção, além de ser bem pra cima com letras sobre a insegurança e amor.

5 Será Que Um Dia// “Será que um dia desses você vai dizer/Que se cansou das minhas aventuras”

Com um baita arranjo com direito à orquestra e tudo, a canção explode começando com o refrão para depois diminuir o ritmo com um belo acompanhamento com violino e metais. O arranjo da canção é um espetáculo a parte com muita energia dá o tom belíssimo da canção que considera os pensamentos do cotidianos de Mallu, e a insegurança de um dia o amor acabar.

6 Pelo Telefone // “Você me ouviu chorar pelo telefone/Sabe que não ando bem, vem me visitar”

Começando com um violão tímido para depois entrar metais, Mallu canta com uma interpretação mais firme, voltado um pouquinho mais pro samba. O instrumental rico e agitado  embalam palavras de desabafo da vida,  dos pontos mais baixos, mas mesmo assim, pedindo ajuda à pessoa querida.

7 Navegador// “Quero nadar nas ondas da felicidade/Tenho o tronco forte de navegador”

Uma das canções com maior impacto do álbum, com uma robustez e o ritmo marcado nos metais abrindo a canção e a interpretação firme e decidida de Mallu, cantando sobre o fim do relacionamento e de ser forte e procurara a felicidade em outras águas. Os metais dão um tom certo e firme para a balada, mas é preciso também atenção para os detalhes do instrumental.

8 Guanabara// “Pela sexta-feira em plena Guanabara/Pé na areia, beira do mar/Não revelo o plano de o paradeiro/Não se sabe onde andará você”

Musica com  instrumental mais simples com violão e percussão e um belo batuque que dá um toque todo especial  no refrão e que aumenta ainda mais os toques instrumentais. “Guanabara” tem um tom bem sereno bem para um fim de tarde praieiro, e letras de desencontro com uma pessoa que segue seu próprio destino.

9 São Paulo// “Sou gata da vida, eu venho do mato/Da selva de pedra, São Paulo”

Cheia de energia e grande instrumentalização, Mallu canta sobre sua confiança e força e um pouco sobre a cidade de São Paulo ( embora ache que Bolo e café no centro de São Paulo está valendo bem mais que R$2, 30). A canção é dançante e cheia de atitude e flertando com um pouco de samba.

10 Gigi// “Tem os olhos cor da terra/Dentro fogo e o magma/Faz da vida mata aberta/De sorriso e lágrima”

Em mais uma canção serena e suave, com sons imitando passarinhos, violão, percussão e voz, ritmo também praieiro e mágico, Mallu conta a história de Gigi, de seus olhos cor de terra, sua determinação e sua inocência na cidade. Belíssima e gostosa canção.

11 Love You// “The way you blink, you eat, you speak, you drive/I love you and I just can’t hide”

Única canção em inglês do álbum que relembra bastante a Mallu que primeiro conhecemos com o vocal arrastado, mas com uma certa alegria e animação no refrão, a canção segue o folk que Mallu ficou famosa, com a percussão mais detalhista. Mallu declara seu amor nos pequenos detalhes nas letras da canção.

12 Linha Verde// “Onde há meninos, há heróis/A esperança sabe/Como é gostoso passear/Depois da tempestade”

Vem fecha com a balada “Linha Verde” que começa com um dedilhado bonito, e um instrumental delicado com violão, xilofone e Mallu cantando com carinho e delicadeza sobre sua vida e os prazeres das coisas cotidianas. Há uma atmosfera portuguesa na canção, pela introdução e talvez pela Linha Verde ( uma das linhas do Metrô de Lisboa).

 

Obviamente, Vem marca uma nova fase na carreira de Mallu Magalhães, e a primeira diferença que podemos notar no som da cantora se deu principalmente pelo rico instrumental, tanto nas canções mais fortes e mais ousadas como “Será Que Um Dia”, “São Paulo” e o single “Você Não Presta”. O diálogo que Mallu faz entre samba, bossa nova realmente enriqueceu seu repertório e trouxe mais uma nuance de talento da cantora. Mallu também arrisca em interpretações mais complexas, conseguindo passar mais emoções, somente pelo tom de voz.

Há canções que o instrumental e Mallu casam muitíssimo bem, como os singles “Casa Pronta”, “Você Não Presta” e a lindíssima “Navegador”, que casa bem mensagem das letras com o som.  No entanto, as letras de Mallu tendem a ser muito simples, remetendo ao seu relacionamento, com pouca profundidade, e com palavras soltas ou com vocabulário MPB que soam rasos, às vezes- o que funciona melhor se fosse cantada em inglês ( funcionou muito bem em “Love You”), porém em “Navegador”, “Gigi” e “Guanabara”, Mallu dá mais detalhes e  oferece histórias ou situações mais interessantes para o ouvinte.

Vem também traz um dedo de Marcelo Camelo, marido de Mallu, na produção e nos arranjos, principalmente no instrumental da cantora, mais rebuscado e com metais e orquestra, porém Mallu ainda consegue colocar sua marca, principalmente com sua voz. Vem mostra uma evolução sonora da cantora, com instrumentos mais intensos e com mais sofisticação com os flertes com Samba e Bossa Nova, porém a cantora ainda peca nas suas letras sobre o cotidiano e pequenos prazeres, com pouca sofisticação. Ainda assim, Vem é um dos álbuns belos, além da excelente produção, e um dos álbuns brasileiros de 2017.

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