Johanna Warren- Chaotic Good

Artista: Johanna Warren
Álbum: Chaotic Good
Gravadora:  Wax Nine/ Carpark Records
Lançamento:Maio/2020

A cantora Johanna Warren tem uma carreira extensa, desde sua participação na banda Sticklips à sua evolução de sua carreira folk, com os álbuns Fates (2013) numun (2015) e o álbum duplo (e gêmeo) Gemini I e II. Com canções delicadas e transbordando em emoção, a cantora se destaca em colocar seus sentimentos nas canções de forma sincera e transparente, com melodias que comovem  e traduzem bem as mensagens das canções, além de dialogar bastante com o esotérico, a natureza e rever toda a escuridão que temos dentro de nós .

Em Chaotic Good, Johanna pegou suas canções compostas na era de turnê de Gemini, emprestou equipamento de amigos e produziu  álbum em sua garagem, com a ajuda de amigos músicos da ex-banda Sticklips. Quanto à poesia do álbum Johanna se baseou em um fim de relacionamento para refletir o relacionamento que tem consigo mesma, e toda a co-dependência que temos quando saímos de um relacionamento longo. Nós então escutamos Chaotic Good e segue então nossa resenha faixa a faixa:

1 Rose Potion//“What you call God/ I call the mysteries of the Universe/ What difference does it really make after all?”

“Rose Potion” abre o álbum com uma melodia delicada, com percussão minimalista e um instrumental bem rico que não só dão suporte aos versos da canção, mas também ilustram com um toque de magia.  Com um vocal suave, Johanna fala um pouco da relação consigo mesma, em “morrer sem morrer” para se libertar, e descreve um pouco um ritual após tomar uma poção de rosas e todas os pensamentos que vieram para se auto-conhecer.

2 Part of It// “So I have a cigarette, even though I quit/ Cause it somewhere brings me closer to you/At least it’s the part of it”

Com um instrumental mais agitado com uma ótima combinação de violão com percussão, “Part of It”, cujo título anterior era “Notes to a Non-Commited Narcissist”, aponta os erros em um relacionamento (Johanna falou que pode ser dela ou de seu ex, ou na verdade do comportamento dos dois). Amenizando o ritmo em partes que a cantora mostra compaixão com algumas atitudes, a agitada canção combina bem o tom de confissão e reclamação com o ritmo.

3 Only The Truth//“All my words are little incantations/ And I wish to invoke only the truth”

A canção que nos introduziu a cantora tem um piano e voz bem bonito começando abrindo, e se desenvolvendo a partir do refrçao, traduzindo os conflitos internos que a cantora mostra no segundo verso. Buscando em sí mesma o motivo de voltar ao passado, e buscar dor, embora consiga ver amor em todos os lugares. Uma linda confissão  de quem reconhece seu lado sombrio raivoso, mas também tenta entender o porquê segue seu lado destrutivo.

4 Bed of Nails// “I wanted you to stay/And I wanted you to leave/Each day it’s a little harder to believe”

Relembrando todas as experiências de um relacionamento após um término, a canção com um violão, percussão delicada e agudos delicados traz uuma atmosfera de conforto e melancolia. Nas letras Johanna relata bem todos os dilemas de sentir falta de alguém, mesmo sabendo que não é certo e que o momento de acaber chegou. A canção cresce, assim como os sentimentos que transbordam na música.

5 Twisted// “I will not be displaced/By how much I love you/Can’t let myself take second place/Not matter how much I want to”

“Twisted” tem um instrumental simples com um violão e baterias e alguns detalhes no piano, mas o que brilha aqui é o vocal (e o fôlego) de Johanna. Em uma faixa bem crua, Johanna canta com as notas subindo até vir gritos nos momentos mais cruciais dos versos. Relatando aquelas brigas em pensamento consigo mesma (que também serve para relacionamentos com outras pessoas), é nítido o sentimento de desespero com os vocais (e fôlego) poderosos de Johanna.

6 Hole in the Wall//“I found a hole in the wall/ I could see the emptiness of it all”

Amenizando a intensidade de “Twisted”, “Hole in the Wall” é uma canção suave com voz e violão bem delicado, com reforço de backing vocals. Johanna canta sobre a escuridão que tem em sí, e a escuridão em um amigo, e como ela apesar de entender, não pode ajudar. A suavidade da melodia e da voz de Johanna parecendo uma desculpa e ao mesmo tempo oferecendo conforto é o ponto alto da canção.

7 Faking Amnesia//“I saw you through the clear membrane/Splayed out like starfish/ Faking amnesia/ When the officer asked you questions”

Com um lindo piano agitado abrindo a canção, “Fake Amnesia”, cresce e explode nos refrçoes com riffs de guitarras nervosos. A melodia dialoga bem com a descrição dos sentimentos contidos da garota que vive em um relacionamento abusivo com o namorado. Sem deixar a magia de lado, Johanna interpreta bem a canção.

8 Every Death//” Beautiful Stranger/ You came along at the wrong time/ I’m just a shadow/ Of how you see me in your mind”

Com violçao e voz, e atenção em toda a narrativa que Johanna cria com suas palavras, “Every Death” é uma confissão de deixar o amor passar por ora, para focar mais em sí mesma. Cheia de percepções de que não é necessário ter alguém para ser feliz, e que cada momento é único, “Every Death” é aquela canção cheia de insights em um som delicioso.

9 Thru Yr Teeth// “You kissed me with an open mouth and I lied through your teeth/We summoned all the demons/ Only some were released”

Canção que tem um pezinho na sonoridade country, no violão e na percussão, “Thru Yr Teeth” conta o fim de um relacionamento e como afetou negativamente os dois. Com sabedoria e suavidade, Johanna narra as mentiras de seu ex, e mesmo assim, consegue ver um motivo pelo tal comportamento, e incentiva então que ele entenda também sua escuridão.

10 Bones of Abandoned Future// “The time is ripe for killing/ The dream that never came true/ I came wearing a white gown now I’m burying it in the cold ground/ For I wish no longer to be bound to you”

A canção que fecha o álbum, tem exatamente a essência de Johanna. Com acompanhamento de um piano e ótimos violinos, a canção narra vários ritos, em que a cantora oferece toda sua escuridão, confusão em troca de sua magia e uma vida nova.  A delicada canção, tem certo drama, mas uma linda interpretação de Johanna, assim como uma linda e positiva mensagem.

 

A vibe esotérica de Johanna Warren sempre esteve presente em sua obra, e em Chaotic Good (pessoas que escolhem fazer o bem mesmo não obedecendo as regras), não é diferente. O álbum foi feito na época em que  terminou um relacionamento e em todo o processo de dor e cura, além da percepção de que não é necessário ter outra pessoa para se sentir feliz. Com várias metáforas, a cantora reconhece sua tristeza com sombras e escuridão em sí mesma, em seu parceiro, e admite os conflitos tanto internos quanto externos.

A sonoridade também mudou um pouco do álbum duplo Gemini. Mais experimental, a cantora arrisca mais em melodias com pianos, violões e percussão mais agitados e em seu vocal (mais notório em “Twisted”). Porém é também como a cantora encaixa a melodia com seus poemas que torna sua canção mágica e cativante- da paradinha no ritmo em “Part of It”, da intensidade do pensamento em “Only the Truth” e do cadência em “Twisted”.

O que faz também Chaotic Good ser um álbum tão bom é a honestidade de Johanna em  suas letras e também  em se colocar como problema, e tentar aprender com o sofrimento que está passando, de apreciar o tempo que precisamos  para nos curar de algo. Suas letras e metáforas são inteligentes e sensíveis e é um respiro em ouvir que talentos tão bons como o dela ainda estão firme e forte por aí.