Hayley Williams- Petals For Armor

Artista: Hayley Williams
Álbum: Petals For Armor
Gravadora: Atlantic/ Warner Bros
Lançamento: Maio/2020

Hayley Williams sempre foi uma das cantoras mais talentosas da atualidade e uma das principais  representantes do punk rock, à frente de sua banda Paramore. Embora sempre se especulou uma carreira solo de Hayley, a cantora sempre afirmou que não tinha muito interesse, porém este dia chegou. Inspirada em problemas pessoais vindo desde 2015, a cantora então viu em sua música como um escape para colocar todos os seus pensamentos e sentimentos, e embora esta fase também  inspirou o último álbum do trio Paramore, After Laughter (2017), a cantora decidiu que apostaria em um projeto solo para contar mais sobre sua história. E assim surgiu Petals For Armor.

Após se mudar para sua nova casa, e morar sozinha depois da turnê de After Laughter, e da separação de seu ex-marido Chad Gilbert, vocalista do New Found Glory, a cantora começou a escrever na casa ainda sem mobília, como forma de terapia para se entender.  O  resultado foi um álbum de 15 canções foi dividido em 3 mini- EPs, e divulgado quase toda quinta feira em um espaço de quatro meses- de Janeiro à Maio de 2020. Com participação dos sempre fiés amigos de banda Paramore, Zac Farro e Taylor York na produção de vídeos e do álbum, Hayley confiante, lançou Petals For Armor. Segue então nossa análise faixa a faixa do álbum:

1 Simmer// Control/There’s so many ways to give in/Eyes closed/ Another way to make it to ten/Oh, how to draw the line between wrath and mercy?”

Com uma atmosfera densa com batidas de bateria eletrônica e “humms”, Hayley canta com uma ótima linha de baixo acompanhando em uma canção moody que brilha com um refrão delicado sem deixar de ser poderoso. Nas letras, Hayley fala de sua raiva interna que desabrocha além do instinto materno em proteger a cria, e sua história pessoal  de suas experiências e das mulheres de sua família.

2 Leave it Alone// “If you know love/You best prepare to grieve/ Let it enter your open heart and/ Then prepare to let it leave”

Com uma melodia delicada em que os vocais de Hayley conversam com os acordes de guitarra, “Leave It Alone” tem nas letras o medo de perder pessoas e até uma confissão de Hayley sobre pensamentos suicidas. A percepção de que podemos perder amados à qualquer momento, vem com a delicadeza e a melancolia da canção.

3 Cinammon// “On the walls of my home/There are signs that I’m alone/I keep on every light/Talk to my dog, he don’t mind (Ooh-ooh-ooh)”

Como uma ode à sua casa em Nashville, assombrada quando se mudou, sem a mobília e com o período de adaptação, Hayley adapta a canção com vozes e risadas maléficas  em um instrumental que cresce e transita por várias fase. Com uma boa batida e vozes, a canção ganha camadas, muda de texturas- assim como a casa de Hayley ganhando personalidade com a decoração da cantora.

4 Creepin’// “It always starts as something so simple and innocent but/ Too much of anything, you’ll never know how to quit”

Com um instrumental delicado, com uma ótima bateria e uma atmosfera densa, Hayley fala daquelas pessoas que tendem a vampirizar a energia de outras pessoas e como está aprendendo a lidar com estas pessoas. A canção também leva a participação do guitarrista Mike Weiss.

5 Sudden Desire// “I wanted him to kiss me how/With open mouth and open mouth
We keep our distance now/I wanna feel his hands go down”

Falando de desejos reprimidos, Hayley começa a canção com uma ótima guitarra e voz até a canção explodir em uma guitarra mais pesada no refrão. Com toques de R&B nos vocais, a canção consegue ser sutil e agitada, como um encontro amoroso.

6 Black Horse//“When I said goodbye, I hope you cried”

Começando a canção com um audio se desculpando, Hayley logo nos leva para um solo de piano que é incorporada por uma ótima batida e linha de baixo e…voilá! estamos na canção. Com um refrão delicioso, a batida alegre de “Dead Horse” tem como letras o relacionamento de Hayley com seu ex Chad Gilbert, e todos os sentimentos de culpa – de ficar no relacionamento quando sabia que não daria certo, e trair e ser traída. Uma das faixas mais pop do álbum.

7 My Friend// “You’ve seen me from every side/Still down for the ride/ Ooh, my friend, you know why”

Em outra melodia delicada, com percussão discreta que cresce, e com uma influência de R&B na ponte da canção, “My Friend” tem inspiração no amigo de Hayley, Brian O’Connor, que toca a empresa de tintas de cabelo com a cantora e passou por eventos traumáticos junto com Hayley ( os dois se divorciaram de seus parceiros no mesmo ano).

8 Over Yet// “When there’s persistence/When there’s persistence/You can go farther/Make it your friend”

Talvez a canção com mais influência dos anos 80 tanto com o punk dos versos para o groove dos refrões. Com sintetizadores e uma ótima linha de baixo, “Over Yet” é bem otimista. Hayley afirmou que teve dificuldade para escrever as letras, e teve como referência a própria como uma instrutora de aeróbica no apocalipse.

9 Roses/Lotus/ Violet/Iris// “I myself was a wilted woman/Drowsy in a dark room/Forgot my roots/ Now watch me bloom”

Com participação de Julien Baker, Lucy Dacus e Phoebe Bridgers, ou também conhecido grupo boygenius, a canção compara as mulheres com rosas e incentiva as garotas a não se compararem com outras garotas. Em um intrumental rico, a canção é suave nos vocais (principalmente nos refrões) e há um uma sofisticação com o violino que dexa a canção mais interessante.

10 Why We Ever// “And now ICan’t seem to remember why/We ever/Felt we had to say goodbye/ I can’t seem to remember why”

Mais inspiração dos anos 80, “Why We Ever” tem grande influência de R&B da época com um groove no refrão. A canção parece ser dividida em duas partes- a dançante primeira parte- que remete à lembranças e após o outro em que a canção acalma com um piano  e uma delicada combinação de baixo e bateria em que Hayley lamenta o presente. Uma das canções que Hayley conseguiu escrever sozinha quando estava deprimida- a canção fala um pouco daqueles amigos que perdemos ao longo de nossas vidas.

11 Pure Love// “If I want pure love/Must stop acting so tough/(I give a little, you give a little/We get a little sentimental)”

Com um groove com pé no R&B do final dos anos 80, começo dos anos 90, “Pure Love” tem uma linha de baixo sensacional, e sintetizadores brilhando nos momentos certos e um refrão poderoso e pop. Abrindo sobre a sua dificuldade em se relacionar com uma nova pessoa, Hayley sabe de seus limites, mas se mostra aberta a experimentar.

12 Taken// “If anybody asks, yeah/I’m taken/If anybody wants to know/He is too”

Em uma canção experimental com uma pincelada de bossa nova com o violão e os vocais de Hayley, “Taken” tem um groove bom, com mais uma linda linha de baixo. Quanto às letras, Hayley descreve um relacionamento em que não há traição, e a leveza de saber que um está compromentido com o outro.

13 Sugar on the Rim// “Had a life in hiding but a storm kept coming in/Could you be the silver lining like sugar on the rim?”

A canção mais experimental do disco, “Sugar on the Rim”, tem uma linha mais dançante, relembrando um pouco a cena de rave dos anos 90, mas com um instrumental mais orgânico. Quanto as letras, Hayley parece mais aberta ao amor, e parece experimentar mais o sentimento de curtir um relacionamento sem muitas preocupações.

14 Watch Me While I Bloom// “You wanna look inside of me?/And just watch me bloom”

Mais uma canção experimental, com versos que tem um instrumental mais discreto para que a mensagem e a voz de Hayley sobressaia, e um refrão com um groove maravilhoso, que cresce com o tempo. Recuperada dos traumas e da repercussão dos mesmos em seu corpo, Hayley celebra à volta a seu corpo saudável e à novo recomeços.

15 Crystal Clear//“Crystal clear/I won’t give in to the fear”

Encerrando o disco com otimismo, “Crystal Clear” é uma faixa suave, com instrumental otimista e alegre, que permanece brilhante e tranquila até o final. Falando em finalmente se apaixonar, e estar segura em uma relação sem complicações, Hayley reafirma que não irá ceder ao medo desta vez.

 

Em Petals For Armor,  Hayley Williams experimetou com novas sonoridades e contou sua história em detalhes, o que fez seu som ser diferente do que vimos com Paramore até agora. Abordando sua evolução pessoal, Petals For Armor deve ser visto como Hayley o colocou ao mundo: em três partes.

A primeira parte de Petals For Armor, Hayley lida com a raiva e a dor de perder pessoas queridas, além de analisar todos aqueles sentimentos que a deixa inconfortável. Quanto à sonoridade, mais sombria e com influências mais na casa do indie rock, o que colabora para que o ouvinte compartlhe dos mesmos sentimentos descritos. Talvez uma exceção seja “Cinnammon” que brinca com ritmos diversos, e faz Hayley curtir sua casa no final.

Já a segunda parte do álbum, Hayley vê uma superação e tenta ver o lado positivo de suas experiências e de sua vida. Quanto à sonoridade, as músicas flertam com pop, punk rock,  R&B, mas ainda oferecem a suavidade, um pouco mais leve e com um lado otimista tanto no instrumental quanto nos versos de Williams.

A terceira parte do disco é de longe a mais experimental, com uma pegada em R&B mais aparente, flertes com bossa nova e dance music, explorando bem seu vocal e ritmos que colaboram com a suavidade do álbum e encorpam bem as mensagens da cantora sobre os sentimentos de estar em uma nova relação.

Sem seguir esta linha de pensamento, o álbum, como produto, seria uma mistura de ritmos sem direção e propósito. Hayley aproveitou a oportunidade e experimentou com novas sonoridades, cada uma propícia para a fase  que quis demonstrar no álbum. Os flertes principalmente com pop e R&B seguem como acertos no álbum oferecendo várias canções dançantes e mostrando uma nova face de Hayley. Já ainda na zona de conforto- a primeira fase trouxe canções mais parecidas com os sons que Paramore experimentou no passado, mas Hayley, mesmo assim colocou suas impressões. Petals of Armor,  pode confirmar a experimentação, mas o que ainda sobressai nesta obra de Williams é a sua história de superação de depressão, e como problemas estão aí para todos, mas há luz no fim do túnel.