Franz Ferdinand- Always Ascending

Artista: Franz Ferdinand
Álbum: Always Ascending
Gravadora:  Domino Records/ Sony BMG
Lançamento: Fevereiro/ 2018

Após quase 5 anos de hiato e um grupo paralelo no meio (sim, sei que vocês se lembram do FFS  com membros da banda Sparks),os escoceses do Franz Ferdinand estão de volta com o álbum Always Ascending e algumas mudanças na banda, tanto no som quanto nos integrantes. Nesta nova era do Franz Ferdinand, além dos cabelos platinados dos já veteranos vocalista  Alex Kapranos e  baterista Paul Thomsom, há dois novos integrantes: o guitarrista Dino Bardot, que está substituindo Nick McCarthy  que saiu da banda, e o tecladista Julian Corrie, responsável por incorporar uma das maiores mudanças no som da banda.

Final de 2017, a banda logo liberou o single “Always Ascending” com algumas novidades no som. A presença de elementos eletrônicos novos na canção é notada tanto na faixa-título quanto em “Feel The Love Go”, o que já ofereceu uma grande novidade do som da banda à princípio. Gravados entre os Motorbass Studios na França e RAK Studios em Londres, além de ter Philippe Zdar, Mike Horner e Pierre Juarez na produção, desvendamos faixa a faixa o que o álbum tem a nos oferecer, e a resenha faixa a faixa está logo a seguir:

1 Always Ascending// “Always and always and always ascending/The opening line leaves an uncertain ending”

Primeiro single lançado pelo quinteto abre com um piano, a frase “Put Your Ladder Down” (coloque sua escada abaixo) no background enquanto Alex Kapranos faz a introdução da canção, até vir a batida eletrônica junto com todo o gingado da banda. As letras falam exatamente em se elevar até as nuvens, porém nunca chegando à um destino, e uma curiosidade legal da faixa é a duplicidade de Shepard que pode se referir tanto a “shepherd/pastor” quando a Shepard Tune um efeito sonoro usado na canção que parece que você está se elevando. A canção saiu um pouco do Franz que conhecemos, mas é uma baita canção.

2 Lazy Boy// “I enjoy being a lazy boy/Lying in your bed/Thinking of how a lazy boy loves you”

Com um tom um pouco soturno, ou até mesmo misterioso, “Lazy Boy” fala das impressões de um garoto que não quer sair da cama para nada mas reforça para sua amada que a ama. Com os riffs típicos da banda sempre roubando a cena, o instrumental também conta com alguns toques de sintetizador logo no começo dando um background legal para a canção.

3 Paper Cages// “Step out, step out of our cages/Step out of our paper cages”

Uma canção bem tradicional do Franz, e bem mais orgânica que parece, com elementos eletrônicos mais presente no refrão bem viciante e chiclete e até um pouco mais dramático. As letras pedem para sairmos das nossas “gaiolas de papel”, que também podem ser interpretados como sair da nossa zona de “segurança/conforto”.Tem um solo bem legal no meio da canção como bônus.

4 Finally// “Finally I found my people/I found the people who were meant to be found by me”

Apesar das letras se resumir à finalmente encontrar sua turma, a melodia de “Finally” é bem interessante, com uma melodia bem calma no começo e progredindo para uma explosão no refrão com batidas quebradas conversando lindamente com o teclado. O ponto alto da canção fica no final, com a maior intensidade da canção.

5 The Academy Award // “There’s a camera held in every hand/The clamor of applause in every mind/But the Academy Award for good times goes to you”

Com uma história com três narrativas em paralelo, segundo Alex Kapranos, uma das principais críticas da canção é o fato de sempre estarmos com uma câmera e sempre estamos fazendo uma performance pra câmera (já que a maioria das gravações nunca são naturais). Quanto a canção há uma certa atmosfera de mistério nos versos, com violão, voz e até cordas no background, e no refrão as coisas se intensificam e fazem um final bem cinematográfico.

6 Lois Lane// “Lois Lane seemed a pretty strong woman/The kind woman that a girl could be”

Sim, a faixa foi inspirada na personagem repórter Lois Lane, par romântico do Super Man, porém a canção foca mais nas qualidades da moça e a visão do eu-lírico sobre possivelmente o super homem. Já a canção tem um background eletrônico que dá um pano de fundo e ritmo ideal para a canção, assim como a intensificação dos sintetizadores no refrão, até  o final da canção bem mais rock e intenso.

7 Huck and Jim// “We’re going to America/We’re gonna tell them about the NHS”

Inspirada nos personagens Huckleberry Finn e Jim (o escravo) da obra de Mark Twain como metáforas para os Estados Unidos, já que a canção faz menções tanto dos problemas sociais americanos do momento, quanto à algumas soluções inglesas (NHS e DSS, serviços de saúde e sistema social respetivamente). A canção começa com sintetizadores e logo vai para uma bateria e baixo e vocais- Alex tenta um tipo de rap antes do refrão, junto com as guitarrinhas felizes, para então vir o refrão com força total com muita guitarra

8 Glimpse of Love// “Love love/Love is going to come as a photographer/Yes, a photographer, yeah, yeah”

Com letras atribuindo um amor por uma fotógrafa, a garota é descrita na canção e comparação com metáforas com fotoshop para aquele corpo perfeito também é oferecido nas letras (críticas à  era Instagram?!) Quanto à canção  começando com piano e Alex sussurrando, logo vem o teclado com um ritmo ótimo para o refrão mais intenso, os versos ainda contém o ritmo contagiante mas com mais ênfase para a mensagem. Baixo e teclados são pontos altos da canção.

9 Feel The Love Go// “Think of a friend (love)/And wish them love/Think of an enemy (more)/And wish them more”

O segundo single oficial da banda começa com sintetizadores até chegar no pré-refrão e no refrão quando as guitarras entram e trazem a atmosfera da banda. Com uma atmosfera bem dos anos 80, principalmente com os sintetizadores, a canção faz trilha  para a mensagem de deixar seu amor ir para todas as pessoas, palavras simples mas diretas! Ah e que toque final com saxofone, hein!

10 Slow Don’t Kill Me Slow// “Slow, don’t kill me slow/Don’t kill me slow /No, never never”

A faixa mais longa do álbum é uma balada bem melancólica, com um refrão implorando para uma morte um pouco mais rápida e uma ponte suave  com um mix de vozes detalhando as fases pós morte. A canção se prolonga em  um ritmo suave com “slow” em uma voz fantasmagórica de vez e quando e uma  melodia mais clássica acontecendo. Uma bela canção e bem impactante para fechar o álbum.

 

Logo com o primeiro single da banda já deu pra perceber algumas grandes mudanças sonoras da banda. A vinda do tecladista  Julian Corrie (Miaoux Miaoux) trouxe uma dose certa de eletrônica para a banda sem deixar a marca dos riffs de guitarras típicos do Franz, nem que as letras e os backing vocal das canções mudassem muito. O eletrônico de Julian foi bem incorporado, junto com os teclados, trazendo riqueza nos dealhes das canções ou sabendo muito bem reforçar o corpo da melodia.

Quanto às letras, elas são típicas do Franz na maioria das vezes- algumas vezes tentando passar uma mensagem fácil com bastante repetição, outras vezes  em algumas imagens e metáforas cujas mensagens são mais crípticas – (“Huckle and Jim”, “Glimpse of Love” e “The Academy Award”). E apesar da banda ser conhecida mais pelas músicas mais agitadas,  é justamente nas  “baladas” em que Franz transcende o som e surpreende o ouvinte: em “The Academy Award” além do clima de mistério cinematográfico, as letras podem ser interpretadas de diferente maneiras;  já  na canção que fecha o álbum “Slow Don’t Kill Me Slow”, também te coloca em um  estado melancólico com a presença dos  violinos, mas também são as poucas e precisas palavras que trazem uma certa urgência na canção.

Franz Ferdinand mostrou com Always Ascending que realmente conseguiram superar não só  a marca do tempo, mas se reinventar sem perder a principal personalidade da banda, e não só a cena indie atual, como os fãs, agradecem!

Anúncios