Florence + The Machine- High As Hope

Artista: Florence + The Machine
Álbum: High As Hope
Gravadora: Island Records
Lançamento:Junho /2018

Com já mais de 15 anos de Florence and The Machine, já vimos Florence Welch explodir com os dois primeiros álbuns: Lungs (2008) que despontou a cantora inglesa para a cena musical e Ceremonials (2011) que confirmou o sucesso da cantora. Após um hiato, Florence voltou em 2015 com How Big, How Blue, How Beautiful álbum conceitual com tema principal o término de um namoro, e todos os sentimentos colocados em metáforas em suas letras e canções mais uma vez não deixam de ser sofisticadas, com uma atmosfera bem pop.

Não demorou muito para o sucessor de How Big, How Blue, How Beautiful sair, com um amor mais nostálgico e beirando ao familiar em mente, Florence focou em lembranças da sua adolescência, em que descobriu a música e frequentava  shows locais em seu bairro, as festas que seguiam, o começo de problemas com álcool e auto-destruição, seu relacionamento com sua irmã e como isso todo fez com que tornasse a Florence que conhecemos hoje. High as Hope conta com a parceria de Florence Welch  e os produtores Emile Haynie e Brett Shaw tanto na produção, quanto nas composições, além da participação ilustre de Tobias Jesso Jr e Sampha. Entramos em mais uma viagem musical que Florence and The Machine nos proporcionou e aqui está nossas impressões faixa a faixa:

1 June//“Hold on to each other”

Primeira canção que Florence escreveu para o álbum ainda em turnê, “June” é uma balada sutil e delicada em que a cantora narra noites em um hotel e como a cantora reagiu à uma tragédia ( provavelmente o tiroteio em uma boate em Orlando que ocorreu em Junho de 2016). A canção termina com uma intensidade bem pesada com orquestra e uma percussão que dá um pesar pra canção, apesar da leveza do começo da canção.

2 Hunger// “I thought that love was on the stage/ You give yourself to strangers/ You don’t have to be afraid”

O principal hit desta era ( até o momento), a canção que começa devagar, para depois vir aquele piano maravilhoso num ritmo super contagiante e a canção cresce a cada verso  e chegando em um final bem explosivo no final. Com muitas confissões sobre onde Florence já procurou o amor- de distúrbios alimentares e drogas à se entregar para o público- o que seria necessário para alimentar a tal fome que sente. Brutalmente honesto e viciante- uma das melhores canções de Florence and The Machine.

3 South London Forever// “And I don’t know anything/Except that green is so green
/And there’s a special kind of sadness that seems to come with spring”

Inspirado no local em que a infância e adolescência de Florence viveu, principalmente nas lembranças de festas, bebedeiras e drogas, Florence volta ao tempo ao passar pelos lugares e relata ao ouvinte todas as memórias que viveu. O instrumental delicado e a emoção nostálgica junto com o poder da voz de Florence oferece uma magia única para a faixa, que explode em alegria nos refrões.

4 Big God// “Shower your affection, let it rain on me/Don’t leave me on this white cliff”

Em uma atmosfera bem densa com um piano ditando a canção e uma interpretação arrasadora de Florence nos vocais, e com detalhes que crescem com o progredir da canção, ficando bem bonita com um pequena orquestra no final da canção. Florence  menciona as mensagens não respondidas e a agonia que vem com isso- o que se relaciona com um buraco que sentimos, e um deus que possa conseguir encher este buraco- remetendo à algo mais profundo que desejamos. Bem Florence and The Machine e bem sincera e direta ao ponto.

5 Sky Full Of Song// “I thought I was flying but maybe I’m dying tonight”

Primeiro single revelado desta era, Florence começa a cação cantando para logo vir uma pequena percussão e um baixo acompanhando, o que cresce com a canção, assim como um coral bem bonito colocando ênfase nas partes mais dramáticas da canção. Florence detalha como as canções que fez e a liberdade que encontra no palco pode não ser tão boa, ao se elevar e encher o céu de canções, a cantora pode reviver algumas das emoções ali presente- além de na canção também detalhar um pouco dos problemas pessoais que estava enfrentando.  Super delicada e sensível.

6 Grace// “Grace, I know you carry us/Grace, and it was such a mess/Grace, I don’t say it enough/Grace, you are so loved”

Inspirado na irmã  mais nova da cantora, que a salvou em vários dias de bebedeiras e drogas, e como que de um certo modo ela foi a “Irmã mais velha” da cantora. Como um pedido de desculpa por arruinar o aniversário da irmã e por todos os momentos em que a irmã a ajudou. Palavras embaladas em uma balada com piano e com um refrão que arranca arrepios.

7 Patricia// “She told me all doors are open to the believer/I believe her, I believe her, I believe her”

Escrito também para outra figura inspiradora na vida de Florence, mas desta vez não familiar, e sim uma artista, “Patricia” é uma homenagem à cantora  Patti Smith e toda sua  influência na vida de Florence- desde a carreira a também  impactando suas visões de mundo. Começando com uma atmosfera  um pouco calma e turva, a canção explode no pré refrão e refrão, com o ritmo Florence and The Machine, com baixo e backing vocals sempre presente.

8 100 Years//“Try and fill us with your hate and we will shine a light/And the days will become endless/And never, and never turn to night”

Mais uma balada com piano como base, que logo acompanha uma bela percussão que entra nos refrões da canção, além de um instrumental intenso para o final da canção com direito à violinos e tudo mais, “100 Years” aborda o modo em que o amor pode se renovar ou ate se fortalecer, embora a cantora ainda fale das dialéticas do amor (um abraço muito forte pode nos machucar) e também das necessidades que muitas vezes não são supridas.

9 The End of Love//“I dreamt last night of a sign that read, “the end of love”/And I remember thinking/Even in my dreaming it was a good line for a song”

primeira canção com atmosfera um pouco mais pesada, balada com piano com backing vocals bem presentes no refrão e um belo coral mais pra um final da canção. A canção aborda amor como tema geral e faz várias referências à história de Florence como o suicídio de sua avó e de antepassados americanos que conseguiram manter a casa depois de uma tempestade que inundou  a cidade, tudo para finalizar que após o relacionamento acabar, ela não se machucou no final.

10 No Choir//”No chorus could come in/About two people sitting doing nothing”

Uma canção que traz ponderações sobre a felicidade, Florence descobre que  a felicidade também pode ser encontrada nas pequenas coisas, sem muitos fogos de artifício, como em um palco, por exemplo. Em uma canção bem delicada com piano guiando violinos e uma percussão bem delicada. A canção fecha com um mote bem bonito de felicidade e simplicidade

 

Não é surpresa que Florence Welch sempre escreveu sobre suas experiências nas letras de suas canções: da confissão de que os dias difíceis estariam terminando no primeiro hit  “The Dog Days Are Over” ao super confessional e catártico último álbum How Big, How Blue, How Beautiful, porém High as Hope traz um novo approach. Pela primeira vez, Florence consegue passar as suas experiências de modo mais simples e direto, sem muitas metáforas ou alusões à mitologia ou simbologia (sim, água em Ceremonials), com intenção de ser um álbum leve reconhecendo os prazeres menores da vida, além de ser recheado de nostalgia e reconhecimentos de dores- Florence consegue passar a leveza e esperança de um modo bem tocante.

A leveza também é bem notada no instrumental do disco com muitas baladas com piano, na delicadeza da orquestração- principalmente na parte final de algumas canções ( “The End of Love” e “100 Years”). Com exceção de “Big God” que apresenta um tom mais grave e interpretação pesada de Florence e que mesmo assim passa uma mensagem com esperança.

Talvez High as Hope seja o álbum mais acessível da banda até o momento- com letras diretas e sem muitas metáforas e com um som leve e às vezes onírico- a mensagem principal de Florence de que há esperança em tempos tumultuados, de encontrar felicidade nas pequenas coisas é passado de modo muito honesto e direto, e ainda sem perder todo o encanto que Florence sempre nos mostrou desde “The Dog Days are Over”.