Everything Everything- Get To Heaven

Artista: Everything Everything
Álbum: Get To Heaven
Gravadora: Sony RCA
Lançamento: Junho/ 2015

Talvez uma das bandas mais inovadoras desta geração, com direito à batidas hip hop e melodias quebradas e mistura de R&B com vocais em falsete do vocal Jonathan Higgs, Everything Everything embarca em seu terceiro trabalho conseguindo trazer mais mudanças e letras nonsense para a alegria de não só seus fãs mas da cena musical. A banda de Manchester despontou com o diferente  Man Alive (2010) mostrando um jeito novo de usar guitarras, sintetizadores, batidas e voz. As letras que misturam coisas inusitadas como um relacionamento com uma explosão nuclear, como acontece em “My Kz Yr Bf”  foi o primeiro exemplo de como é bom o experimental desta banda.

Get To Heaven marca uma nova era e mentalidade da banda. Os primeiros dois discos da  não trazem só ritmos complexos, mas as letras com temas mais complexos que abordam os problemas do mundo muitas vezes em metáforas ou em termos técnicos que só um Google pode esclarecer. Nesta nova fase- as batidas são mais voltadas aos sons radiofônicos e as letras não são tão complexas assim, mas ainda trazem combinações um pouco fora do convencional com letras abordando temas atuais. Em seguida trazemos a análise faixa a faixa de Get To Heaven.

Everything-Everything-Get-To-Heaven

1. To The Blade// “Trapped/In the moment you met/ In the lifetime alive/ What you said wasn’t loud enough

Controvérsias dizem que a canção fala sobre ISIS (Estado Islâmico, em português), mas o vocalista Jonathan Higgs afirmou que a canção foi escrita como uma carta para uma pessoa que sabe que alguém próximo fez algo errado, talvez aí sim tenha relação com o grupo terrorista. O fato de alguém virar um monstro dependendo da circunstância é na verdade o tema da canção que leva um som mais rock tradicional com riffs de guitarra e toques de eletrônica. Higgs  abre a canção cantando com somente alguns efeitos ao fundo até arrebentar no refrão.

2. Distant Past//“Take me to the distant past, I wanna go baaaaaaaaaack”

A primeira faixa de trabalho com um clipe hilário, mas com relacionando-se com a mensagem principal da música, “Distant Past” tem uma pegada mais dançante e com estrutura de música pop. Os samples de teclado soam as músicas atuais e  as vozes eletrônicas dizendo “distant past” dão o tom do tema “evolução” das letras. Mais acessível, mas tema e mensagens complexas.

3. Get To Heaven// “(We can get to that heaven!)/There’s bodies in the road

Super dançante e pop com direito atá a assobios, o tom feliz e energético da canção tem um contraste imenso com as letras sombrias que abordam as atrocidades da guerra, com corpos na rua, tanques de guerra destruindo lugares e pessoas sendo queimadas por grupos terroristas. Não é por acaso que é esta é a faixa-título do álbum: além de resumir o caos do mundo e pessoas mais preocupadas com problemas banais como a senha do Facebook ou onde o carro está estacionado- tudo isso em uma melodia pop, cheia de energia.

4. Regret//“Did you think that everything, everything would change?”

Segunda canção de trabalho e mais “previsível” na melodia, mesmo com baterias e com um “regret, regret” dando um tom e um lembrete ao longo da canção. As letras são fortes e indagam no ponto de vista do “assassino” o arrependimento de matar uma pessoa, e o fato de ter que carregar com este fardo, já que não há como voltar atrás. Forte, mas até com um trocadilho com a mudança do som com o nome da banda.

5. Spring/Sun/Winter/Dread// “Spring, sun, winter, dread/I don’t want to get older

Mais um hit do álbum, com estrutura do pop atual, com ritmos e melodias e um refrão que poderia ser cantado pela Katy Perry, mais uma vez a ironia das letras aparece. Com as barbaridades típicas de guerra descritas, assim como referências aos crimes co leprosos (remetendo à épocas antigas), e com os insultos de “craven baboon” no final mostram que na verdade muitas coisas em relação aos seres humanos e violência realmente não mudaram.

6. The Wheel (Is Turning Now)// “Oh is it in the way he calls your name?/Or is it in the way he prays for rain?”

Letras super inteligentes de como líderes controlam seus admiradores e o quão bizarro
a manipulação pode se dar por ideias ás vezes malucas- referências à politicos e até partidos (no caso o partido de direita inglês UKIP) e ao totalitarismo presente em algumas partes da nossa realidade. Batidas eletrônicas e batidas compassadas lembrando tiro levam a música. A parte final traz uma parte de reflexão: o quão longe chegamos com tudo isso? Refrão de órgão encerra a canção de modo majestoso.

7. Fortune 500// “I’m at the gates, I’m climbing over the wall/To trepan the Queen and burn the dogs in the hall”

O som com elementos eletrônicos que se intensifica junto com a batida da canção, junto com uma voz mais calma de Higgs, que leva à um ápice assim como a narração da canção e o ponto alto do álbum: é narrado o assassinato da Rainha da Inglaterra e seus cachorros por um homem que escuta vozes que o guia a fazer o feito.  A tensão do álbum se intensifica até este momento em que o homem comete um ato de terror, mas mesmo assim a dúvida de que fez a coisa certa. Momento mais tenso e inquietante do disco.

8. Blast Doors//“Are you living dead or is this some kind of possession?”

A canção mais R&B do álbum, com os vocais ritmados a lá Beyoncé  e um meio rap com bastante ironia sobre a vida moderna- desde o vício e a exposição que temos por meio da internet,o modo de vida de yuppies até a falta de tempo para mudar de vida. Refrão e as palavras finais falam deste dilema irônico do tempo e todas as práticas bizarras que temos hoje.

9. Zero Pharoah// “They tell me there’s a Pharaoh in town/And now the town has gone to the dogs”

Sons eletrônicos começam a canção e logo com a batida, os vocais em falsete de Jonathan Higgs e alguns riffs em algumas transições dão melodia para a canção que se intensifica no final. O Faraó neste caso tem duplo sentido: ora aquele que lidera milhões no Egito Antigo, ou o moderno- “político” que se misturam ao longo da canção. A vontade de eliminar o Faraó é grande e há vários jeitos postos na canção para fazê-lo.

10. No Reptiles// “And no reptiles!/Just soft boiled eggs in shirts and ties

Baterias eletrônicas dando o ritmo com um som que cresce, começa a metralhadora de palavras de Jonathan. As palavras desta música são muito fortes, mas a frase “It’s alright to feel like a fat child in a pushchair/Old enough to run/Old enough to fire a gun” (Está tudo bem em se sentir como uma criança gorda em um carrinho/ Crescido o suficiente para correr/ Crescido o suficiente para atirar”) é talvez a frase mais marcante do álbum da banda e colocada estrategicamente para o ouvinte prestar atenção e ouvir a canção uma segunda vez. A música que fala sobre a evolução humana tem uma estrutura de refrão e versos, mas o final cresce e traz misturas sonoras bem peculiares.

11. Warm Healer//“What’s all that young life been wasted on?”

No geral, a música parece uma balada mais , mas o ritmo quebrado e as distorções de voz mostram a característica da banda. As letras são mais confortantes, assim como o baixo que acompanha, dando mais uma chance para a pessoa que cometeu o erro. Algo um pouco mais leve e reconfortante para um álbum tão intenso.

Em Geral, Get to Heaven não é um álbum fácil de digerir- levando em consideração as letras e algumas músicas em melodias. O conteúdo da mensagem que a banda quis passar é de fato muito pesada, abordando temas como terrorismo, violência e como e por que uma pessoa tem a motivação de matar e o que se passa na cabeça da pessoa (“Regret”/ “Fortune 500”) assim como o mundo moderno está lidando com toda esta violência. As palavras de Jonathan Higgs voltam ao passado e tentar reconhecer ou não alguma evolução sobre este instinto. Mas o que realmente chama atenção em Get To Heaven são exatamente algumas melodias mais voltadas aos pop, dançantes, contagiantes – com atmosfera totalmente contrária ao peso das letras. Mas este é o propósito da banda- fazer coisas fora do comum para despertar algum pensamento crítico, coisa que Get To Heaven faz. Resumindo: ótimo álbum para ouvir curtir e pensar um pouco sobre a sociedade atual.

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