Elbow- Giants of All Sizes

Artista: Elbow
Álbum: Giant of All Sizes
Gravadora: Polydor Records
Lançamento:Outubro/2019

Elbow sempre foi uma das bandas do cenário britânico que fica um pouco escondida para o público mundial, mas que sempre ofereceu muito talento e músicas boas. Misturando diferentes tipos de percussão, boas linhas de piano e flertando e acertando diversas vezes com instrumental mais clássico, Elbow encanta com trabalhos como Seldom Seen Kid (2008) e o mais último trabalho Little Fictions (2017).

Veio 2019, e o novo álbum Giants of All Sizes é lnaçado. Segundo o vocalista Guy Garvey, um certo aspecto de luto serviu de inspiração para o álbum- luto vindo tanto da polaridade  tanto do lao emocianal- de Guy Garvey ter perdido seu pai  e também externa: na política no Reino Unido com o Brexit, quano do atentado terrorista em Manchester (show da Ariana Grande), cidade natal da banda. A diferença no som da banda pode ser sentida no primeiro single “Dexter & Sinister”, mas analisamos as canções do álbum e a seguir segue a resenha faixa a faixa de Giants Of All Sizes:

1 Dexter & Sinister// “And I don’t know Jesus anymore”

O primeiro single de Giants of All Sizes, teve letras postadas em outdoors em Manchester, e já mostra uma sonoridade mais sombria com o baixo e uma pitada de eletropop com a batida da canção. Piano e guitarra brilham nos momentos mais calmos da canção. Letras tem um tom um pouco confessional de Guy Garvey- mencionando com metáforas o Brexit e morte assim como o sentimento de descrença. A canção é longa (6:39) e tem um final bem interessante com uma mudada na melodia  com um instrumental mais otimista e vocais de Jesca Hoop.

2 Seven Veils// “Take your seven veils and sail the seven seas”

Com uma percussão delicada e um instrumental sofisticado com belos violinos, “Seven Veils” é uma das faixas que traz um sentimento de paz, conflitando com as faixas vizinhas. Com letras que refletem com uma po´ética bem bonita o fim do relacionamento e deixar a pessoa ir embora em uma suavidade que embala. As vozes de Garvey se intercalando e a delicadeza do instrumental são o destaque da canção.

3 Empires// “Baby/Empires crumble all the time/Pay it no mind/You just happened to witness mine”

O segundo single do álbum conta com um órgão dando o tom da canção, intenso e um pouco com uma melodia repetitiva no refrão (semelhando um pouco aquele sentimento de ser a mesma coisa?). A canção fala sobre impérios que podem ruir, assim como o vídeo que mostra a destuição de edifícios.

4 The Delayed 3:15// “You’re just the man whose blues/Stopped his heart beneath our shoes”

A canção tem como tema um suicídio na linha de trem e dá nome ao título da canção (O trem atrasado das 3:15). Guy Garvey se indaga porquê  o rapaz escolheu a linha de trem e não um lugar mais bonito ali perto para cometer o ato, além das observações tão peculiares sobre a cena. Embalado com um instrumental sutil- com violão e voz a princípio, a canção cresce e ganha mais elementos pro final da canção junto com assobios e violinos.

5 White Noise White Heat//“I was born with trust/That didn’t survive the white noise of the lies”

Uma das canções mais contagiantes do álbum com guitarras bem alucinantes além de um coral que acompanha a canção deixando a melodia ainda mais pesada e sombria, assim como um órgão como detalhe da canção. Com letras inspiradas na tragédia de Geffen Tower em Londres em 2017, que pegou fogo e deixou 72 mortos, Guy Garvey dá uma resposta e opinião na letra.

6 Doldrums// “Past the shuffle of desperate men on the corner/Singing all of this stuff in our veins is the same”

Introduzindo a canção com uma reprodução da cena que inspirou a música ( uma garota bem vestida que cruza com um grupo de morador de rua que cede o caminho e a garota nunca agradeceu o gesto ). A canção passa então das vozes masculinas e a voz feminina à capella para uma melodia mais rica. As letras trazem observações bem sutis sobre a situação, com boas metáforas. Embora os agudos da canção soes estranhos, “Doldrums” ainda traz um certo aconchego.

7 My Trouble// “But I miss you/My trouble is/I miss you, my trouble”

“My Trouble” é uma balada que à princípio parece simples, mas tem várias camadas- mas com um piano e uma bateria eletrônica dando o rumo da canção. A inspiração para a canção foi a esposa de Guy Garvey, Rachel Stirling, e o quanto o vocalista sente a falta da esposa em uma bonita canção de amor.

8 On Deronda Road//“Home like I have never known”

Abrindo com uma bateria eletrônica e alguns violões, “On Deronda Road” é outra canção  que tem inspiração em família. No caso, Guy Garvey e seu filho enquanto passavam por Deronda Road em Londres, e a aceitação da perda de seu pai e do processo da vida. A canção se transforma em um mantra bem bonito e sincero.

9 Weightless//“When the time came/Just like you are/He was weightless/In my arms”

Voltando com a guitarra e um som um pouco mais pesado, mas mesmo assim, mostrando uma delicadeza no belíssimo instrumental, Guy Garvey aborda então o entendimento que é parte do processo da vida e compara a chegada de seu filho com a morte de seu pai.Tanto o vocal de Garvey, quanto as melodias da canção dçao um pouco de esperança para o final do álbum.

 

Com as gravações do álbum em Hamburgo na Alemanha, segundo Craig Potter, isso deu uma certa intimidade para a banda tocar juntos em jams novamente e experimentando novos sons. Com o turbulhão de notícias, nem sempre felizes que nos chegam da política e do dia a dia, Elbow então encontrou a sonoridade que mais casava com este sentimento de desolação que temos em algus momentos. As principais canções do álbum “Dexter & Sinister”, “Empires” e  “White Noise White Heat” lidam exatamente com estes temas pesados encorporam no som o pesar da indignação, da raiva e tristeza.

Porém há também momentos mais leves e sublimes no álbum com um instrumental mais leve e que trazem esperança como a banda sempre faz. A trinca que fecha o álbum- a balada “My Trouble”, o mantra “On Deronda Street” e “Weightless” refletem sobre a presença humana na vida- seja para dar conforto e estar presente na caminhada da vida, ou para relembrar que somos parte de um processo natural de vida- as três faixas dão aquele calorzinho no coração, e um comforto que não deixa de tirar o fato de que um dia não estaremos aqui.

Mencionando as tragédias sem deixar a humanidade de lado ( que diga a faixa “The Delayed 3:15”), Elbow oferece um álbum que ousa um pouco a sonoridade da banda e à princípio pode espantar o ouvinte, mas ainda assim oferecem canções que confortam e instigam. Embora ainda não seja tão brilhante quanto os projetos anteriores,  tenta Giants of All Sizes tenta explicar um pouco da complecidad e do mundo, mas ainda dá um ombro para chorar.