DM Stith- Pigeonheart

Artista: DM Stith
Álbum: Pigeonheart
Gravadora: Octaves / Outset Recordings
Lançamento:Julho/ 2016

DM Stith, ou David Michael Stith é um cantor, compositor  e multi instrumentalista de Nova York, que além de tocar na banda de alguns amigos (Sufjan Stevens na lista), é designer gráfico e já fez algumas capas de alguns discos famosos. DM Stith lançou seu primeiro álbum, Heavy Ghost, em 2009 pela gravadora Asthmatic Kitty, que ofereceu grandes canções como “Thanksgiving Moon”, “BMB”, “Morning Glory Cloud” e “Braid of Voices”, e então logo depois o compositor se aventurou no projeto paralelo The Revival Hour em 2o12, com John Mark Lapham, onde experimentou um pouco o  eletrônico e explorou mais suas letras no ótimo EP Clusterchord e o álbum Scorpio Little Devil.

Demorou um pouco, 7 anos para finalmente recebermos a notícia que um segundo álbum estava à caminho, apesar de que algumas novidades foram lançadas no meio tempo (destacamos “Imperial Leather” lançada ano passado). Gravado em Londres e com a produção de Ben Hillier, Pigeonheart é resultado de dois processos de criação que DM fez para se livrar de um bloqueio de criatividade, as músicas foram compostas ora em horários comerciais, levando o processo de criação como um emprego comum, ou por um processo de inspiração e desenhos, com ideias de letras de canção, que ajudou o cantor com a sua ansiedade. Com sintetizadores reforçando seu som, e sua voz melódica e melancólica que suavizam um pouco o caos das camadas de vozes e sons característicos de sua canção. Pigeonheart leva este nome pelo pássaro estar presente no processo de composição – em Londres com os pássaros fazendo um ninho em uma chaminé e em Nova Iorque com um pássaro atropelado pelas ruas, o que, segundo ele, traduz bem a relação que tem com as duas cidades.  O álbum foi lançado pelo selo Octaves, e a resenha faixa a faixa você encontra a seguir:

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1 Human Torch//“How could this day go wrong?”

Começando o álbum com uma frase de impacto, DM  Stith consegue mudar atmosferas e texturas com um refrão mais ritmado e versos  mais suaves  . A canção muda de tom em vários momentos, parecendo uma viagem de sensações sonoras com guitarras, sussurros, percussão.

2 Sawtooth//“What would I do with yur love right now”

Mais agitada e bem experimental, com um ritmo acelerado, “Sawtooth” tem uma bateria eletrônica ditando a canção com alguns outros toques também eletrônicos e a voz característica de DM Stith- uma das canções mais surpreendentes do álbum.

3 Summer Madness//“This summer madness is alive/I’m alive”

Com vários instrumentos trabalhando ao mesmo tempo, “Summer Madness” é uma calma e tranquila canção, mas com ótimas sensações sonoras com muitas percussão e violão e voz calma de Stith sendo mescladas. Mais orgânica, a canção parece água correndo, com somente alguns barulhinhos eletrônicos no final.

4 War Machine// “Don’t ask questions to it/ You know the answer”

Começando com sintetizador, a canção vai para um som bem tranquilo até o meio da canção com mais batidas e efeitos que brincam muito bem com as texturas- de um som que parece uma ventania aos coros característicos do cantor que ampliam a canção em camadas inesperadas. Há algumas batidas que relembram um pouco os sonzinhos bons de The Age of Adz de Stevens.

5 Murmurations// *instrumental

Como o próprio nome da faixa diz, a música é um constante de vozes murmurando sobrepostas. Um pouco amedrontador no começo, mas as vozes se ampliam e se desdobram em sons atmosféricos

6 Cormorant//“Is this what you wanted/At The end of the night”

Começando com um som clássico de DM Stith, com violão e microfones de efeito que amplificam suas vozes, a canção leva um tom maior lá pelo meio da canção, com a introdução de elementos eletrônicos até dar uma intensidade legal lá pelo final da canção- fechando com chave de ouro com a volta para o acústico.

7 Amylette//“I was out of love/ Keep your eyes on me now”

Uma das canções mais inovadoras do álbum, com muito eletrônico e “easier”como se fosse uma batida assombrando assim, como uma batida eletrônica que dá um toque a mais pra canção. Os detalhes estão na canção toda hora- das batidas em momentos precisos aos vocais elaborados e várias camadas – a canção pode assustar a um primeiro momento, mas é sim, uma obra de arte.

8 Rooster// “I, I’ve got my stripes”

Com uma percussão em lata alucinante, misturando com  eletrônico e uma bateria incessante. Há momentos de calma, mas o mais interessante da canção são justamente as camadas e texturas que  trazem uma atmosfera intrigante e sombria.

9 Up To The Letters// “These are the wounds of my youth / the ones I still, still feel/ Isolation”

Com vários efeitos sonoros minimalistas e com um violão e voz, “Up To The Letters” é a canção que mais lembra a fase de Heavy Ghost. Os vocais expressivos de Stith contam sobre frustrações de outrora que ainda permanecem e a melodia explode para o final com mais intensidade e efeitos. Uma das canções mais fortes  e emocionantes do álbum.

10Nimbus//* instrumental*

Interlúdio com ótimos sons de chuva piano, vocais e barulhinhos que se intensificam e vão embora…

11 My Impatience//“I wasn’t thinking/ Tell me when it’s over”

Em tom mais suave, a canção permanece com simplicidade, mas também rica em camadas e sons. A impaciência na letra é o oposto da canção que traz uma certa calma à princípio, mas com o fechar da canção é mostrado sons destoantes- a tal impaciência, talvez?

12 Pigeonheart// “Go Easy on me”

“Pigeonheart” começa com uh-uhs que lembram bastante pombas (o nome do álbum em português significa “coração de pombo”),  uma introdução melódica que contrasta com a voz e sintetizadores e as inúmeras camadas de vozes que cantam “Go easy on me”, um final bem intenso para fechar bem o álbum.

 

DM Stith pode ter demorado para escrever um álbum, mas após os bloqueios criativos e o tempo experimentando, até mesmo no projeto paralelo The Revival Hour, fez com que Pigeonheart incorporasse sintetizadores bem elaborados , dando uma coesão para o álbum ampliando mais as famosas camadas sonoras que DM Stith coloca em suas canções.

O álbum é bem mais leve e mais digerível que Heavy Ghost, não há muita melancolia e há mais batidas e ritmos mais agitados como em “Sawtooth”, “Amylette “, “War Machine” e “Rooster” assim como a experimentação com sons bem diferentes que são incrementados com os sons de sintetizadores e as camadas se sons que se intensificam, na maioria das vezes, no final da canção. A parte melancólica fica por conta de “My Impatience” e “Up To The Letters”- linda canção que se assemelha com a era de Heavy Ghost, mas com um toque de sintetizadores e detalhes um pouco assombrados (o que me faz pensar o que seria do primeiro álbum do cantor caso já tivesse dominado a arte sintetizadora naquele tempo). Toque bonito estão também nos instrumentais que servem como interlúdio entre as canções- dando uma boa transição na atmosfera das canções.A delicada “Summer Madness” é bem tranquila e calminha com ótimos vocais e um  som leve e inovador para o cantor.

O que DM Stith oferece em Pigeonheart é mais uma vez um som denso e bastante rico em textura e significados, embora um pouco mais leve e usando sabiamente os sintetizadores, o que faz seu som crescer em identidade. Com batidas novas e melodias que podem parecer estranhas à princípio, mais uma vez DM Stith consegue prender o ouvinte com sua voz e a curiosidade de batidas às vezes surreais mas que dão um tom totalmente diferente para a canção e também com sua voz tanto a melódica que te guia pela canção como as vozes sobrepostas que ampliam a percepção sonora e também um pouquinho de confusão boa. Pigeonheart pode levar mais de uma ouvida para ser digerido, mas uma vez acostumado com a amplitude dos vocais e do arranjo, é impossível não se maravilhar com universo de Stith.