Dingo Bells- Todo Mundo Vai Mudar

Artista: Dingo Bells
Álbum: Todo Mundo Vai Mudar
Gravadora: Independente
Lançamento:Abril/2018

Com uma amizade e parceria vinda dos tempos da escola que resultou em uma das bandas mais interessantes do cenário musical brasileiro, Dingo Bells, o trio porto-alegrense composto por Rodrigo Fischmann (voz e bateria), Diogo Brochmann (voz, teclado e guitarra) e Felipe Kautz ( baixo e voz),  encantou a  música brasileira com o primeiro álbum (oficial) Maravilhas da Vida Moderna (2015) que trazia um flerte de rock, pop, algumas influências brasileiras na melodia, sempre com um gingado e ritmo bem característico da banda, além de letras inteligentes com leve metáforas e críticas da sociedade que vivemos. Com o merecido reconhecimento a banda então encerrou a turnê em 2017, mas já trabalhando com novo material

Com o apoio da Natura Music e produzido por Marcelo Fruet, o segundo álbum começou a ser feito durante Janeiro e Fevereiro de  2017, no estúdio Pedra Redonda em Porto Alegre, com os três membros da banda, assim como Fabricio Gamboji, que colaborava com o trio. Com ideias e músicas em rascunho, o álbum foi finalizado no final de 2017 e começo de 2018. O tema do álbum gira em torno de mudanças em várias partes da nossa vida e todos os sentimentos envolvidos. Pois então, ouvimos o álbum faixa a faixa e nosso veredito faixa a faixa está logo em seguida:

1. Todo Mundo Vai Mudar// “Um dia todo mundo vai mudar/ Jogo as certezas no fogo e deixo queimar”

A faixa que abre e dá nome ao álbum começa com uma bateria e guitarra seguido do baixo e vocal dar corpo e mais gingado a canção. O refrão da canção é rico com um riff de guitarra e uma empolgação alucinante e catártica. A canção aborda mudança- tema central do álbum- neste caso a canção narra o processo de mudança de um rapaz que finalmente decidiu mudar, mas fica aguardando ansioso para as coisas acontecerem

2. Ser Incapaz de Ouvir// “Por um momento, dependeremos enfim/ Do ser humano incapaz de ouvir”

Com uma atmosfera um pouco densa, com direito até a uma guitarra um pouco mais matemática na segunda parte, “Ser Incapaz de Ouvir” aborda aquelas pessoas que não conseguem escutar as outras pessoas, e ver pontos de vista diferentes. O final da canção é bem intenso com um instrumental mais acelerados e guitarras bem presentes.

3. Meias Palavras// “Minha personalidade introvertida/ Disfarçada na vontade incessante de cantar”

Bem leve e serena, com uma influência forte de MPB ( os vocais juntos e a serenidade da melodia), “Meias Palavras” relata toda a luta de um introvertido para se expressar e conectar com as pessoas. Bem delicada com guitarra, vocais e percussão,  a canção tem um refrão bem forte e marcante  e um final lindíssimo com metais!

4.Tudo Trocado// “Tá tudo trocado/ Tudo trocado está/Todos os lados redondos, quadrados/ Tanto Faz”

Com metais abrindo o álbum e com um ótimo teclado ditando todo o ritmo da canção que conta com uma melodia bem mais alegre e pra cima. Mas além da canção boa, as letras que contam as contradições da vida é o ponto alto da música ( vamos conversando pro silêncio confortar/e trabalhando pra comprar descanso). Ah e tem um solo de saxofone bem legal também.

5. O Que Não Se Vê De Cara//“O que a ciência não revelou, e o que não se vê de cara”

A canção começa com um clássico MPB com voz e violão primeira parte, segunda parte entra um instrumental bem encorpado com boas guitarras e lindos metais no meio da canção e  encerrando  com uma atmosfera mais dramática. Letras sobre o que não se sabe e o mundo mágico que pode vir do desconhecido.

6.Tem Pra Quem//“Um segundo de uma terça-feira/Dentro de um instante preso no sinal”

Com um violão ditando o começo da canção, em um ritmo bem leve, logo a canção leva uma bateria e baixo que acompanham a serenidade da canção até ficar mais intensa ao fechar a canção. Com um refrão com aliterações (ótima brincadeira de palavras com “tem” e “tempo”),  o tema central  é o tempo, nossa percepção dele nos pequenos momentos e quando realmente vemos que o tempo passou.

7. Sinta-se em Casa// “Detalhes desse apartamento/Caídos no esquecimento/Começam a perder sentido/É hora de mudar”

Primeiro single do álbum, lançado no ano passado, tem uma atmosfera super animada com um piano e baixo bem presente e metais dando um toque especial no final da canção. A canção  fala de mudança de planos e finalmente tentar fazer algo diferente ( bem retratado no clipe que a banda fez para a canção).

8. Aos Domingos (Quando Eu Resolver)//“Busco em estranhos passageiros/ Todo o amor que me falta aos domingos”

De longe a canção mais experimental do álbum com uma atmosfera bem  psicodélica com um belo refrão (ahhhhhhhhh quando eu resolver mudar), a faixa aérea e bem  espaçada, mas bem rico no instrumental, oferecendo um drama quando necessário. Há detalhes bem legais no teclado e efeitos de guitarras. A canção meio que traduz bem aquele sentimento  estranho do domingo.

9. Na Carona//“Na carona rumo ao meu encontro/ Combinado meio dia em ponto/Pode ser que eu me atrase um pouco/ O caminha não sei onde vai”

Canção lindíssima com violão voz (baixo e teclado bem minimalistas) na primeira parte, que depois se encorpora com a banda inteira que termina até com vibrações um pouco de Beatles, embala uma letra linda de expectativas de um encontro, e os encontros e reencontros consigo mesmo.

10. A Sua Sorte//“Aqui em baixo tá difícil de engolir/ Quero subir, mas tenho medo de chegar- onde é mais perto do sol e o horizonte não tem final”

Se comparando com alguém que consegue ver o tempo de longe e não está envolvido com todas as coisas mundanas e caóticas da terra. A canção começa simples com uma guitarra, voz e começa a ficar mais complexa ao longo do tempo, assim, como os sentimentos também se intensificam, fechando com chave de ouro o álbum

Em Todo Mundo Vai Mudar,  Dingo Bells reafirma o som único mostrado no primeiro álbum da banda, com belas doses de MPB, rock e um groove que é difícil permanecer parado. As influências de MPB ainda continuam bem fortes e principalmente em “Meias Palavras” (com uma harmonia vocal excepcional), “O Que Não Se Vê de Cara”, “Tem Pra Quem” e “Na Carona” que trazem melodias de violão, com uma atmosfera bem brasileira mas encorporada com o instrumental  único da banda. Os metais também dão um toque especial em algumas canções, trazendo mais energia e um toque de soul e funk para as canções. Uma ótima surpresa é o flerte com psicodélico em “Aos Domingos (Quando Eu Resolver)” que lembra um pouco a tropicália, mas ainda apresenta o peso da banda.

Quanto as letras, como a banda escolheu o tema mudança como mote principal do álbum,  cada canção realmente faz uma proposta de mudança: as irmãs “Sinta-se em Casa” e  “Todo Mundo Vai Mudar” que falam da quebra da rotina, as mudanças mais íntimas e complicadas como na  intensa  “Ser Incapaz de Ouvir” e a marcante “Meias Palavras” ou até a mudança de planeta/ atmosfera na faixa que fecha o álbum “A Sua Sorte”.As críticas à vida cotidiana ainda estão presente, mas não tão frequentes e ríspidas como no álbum anterior.

Dingo Bells conseguiu novamente oferecer um álbum conciso com um som delicioso sem deixar de ser desafiador em algumas partes. Apesar de ser um pouco diferente em melodias e metáforas à Maravilhas da Vida Moderna, a banda continua a fazer um som com identidade confirmando o potencial e criatividade e um gostinho de como será o próximo álbum da banda!

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