Cícero- A Praia

O carioca Cícero Rosa Lins lançou em Março o terceiro álbum de nome A Praia. Como de praxe, o cantor liberou o álbum para download com 10 canções, mesmo número de músicas de seu primeiro dois álbuns: Canções de Apartamento e Sábado.  O aguardado terceiro álbum traz mais uma expectativa já que o cantor foi para um lado mais abstrato no segundo álbum, quebrando com os paradigmas do primeiro álbum mais acústico e cru, já que retrata pensamentos e sentimentos de um término de namoro.

Em A Praia, Cícero continua a musicalizar seus poemas com seu violão, instrumentos de sopro, a tão famosa sanfona e várias percussões. O violão tem vez, mas a guitarra elétrica também é bastante usada neste novo álbum. Cícero também usa camadas de som para construir a música até um clímax e a maioria das canções tem um tom leve, junto com a voz suave de Cícero. Suavidade que ainda carrega um pouco da melancolia dos dois álbuns como segue a resenha faixa a faixa de A Praia.

A praia

1. Frevo Por Acaso n° 2 //“Papéis, documentos; velhas normas de comportamento”

Com a mesma batida que encerra o álbum Sábado, a continuidade da última faixa “Frevo Por Acaso” que teve participação de Silva no segundo álbum, Cícero incorpora batidas e sopros faz uma nova canção. Com letras com tema da vida em uma cidade de concreto e sonhos pequenos e a audácia de enfrentá-los. A parte final da canção é um instrumental que se intensifica como um trânsito. E sim, é trabalhado também neste álbum elementos sonoros que figuram a letra.

2. A Praia-// “Ela me tirou de casa/ ela me levou na praia/ tinha um tempo que eu não ria cedo”

“A Praia” parece uma canção simples, no entanto a soma de sonoridades ao longo da música fazem a canção ser mais especial, principalmente ao terminar com os instrumentos de corda. Com letras de como um dia de praia pode trazer tantas boas memórias. A atmosfera é leve tanto na canção quanto nas palavras.

3. Camomila // “Só um pouco de paz pra levar, pro dia passar bem”

Ritmo hipnótico com uma  ótima guitarra a canção leva ouvinte em uma deliciosa melodia até o meio da canção quando entram as guitarras elétricas enquanto a voz de Cícero aparece ecoando.O tema  das  letras é sobre a não possibilidade de mudança, principalmente na mentalidade de um dos personagens .

4. De Passagem // “Na estação do acaso/ eu encontrei o meu bem.”

Devagar e com ritmo marcado  a canção se desenvolve com alguns efeitos sonoros  e com detalhes no teclado. O ponto alto da canção entra o triângulo e também o poema que descreve de um jeito super sutil paixões platônicas no transporte público.

5. O Bobo // “Eu vou lá/pra ver a minha dor passar/longe de quando a menina balança”

Com guitarras mais agressivas no começo e percussão rápida, Cícero rasga os vocais para contar sobre seu amor e se agitar e acalmar conforme os arranjos da canção. Há menção ao “caminhão de gás” presente na canção “Fuga n°3 da Rua Nestor”, metáfora para a melancolia, porém em “O Bobo” explode os sopros da canção com um batuque frenético dando um final arrebatador.

6. Soneto de Santa Cruz // “Há um descompasso no tempo/ há um descompasso no espaço”

Uma das canções mais melancólicas do disco ( sim Cícero ainda mostra a melancolia nas faixas) com direito a chuva, descompasso do tempo e a falta até da tristeza. A música leva um passo lento com um pesar na voz que é sobreposta até o final da canção. A música é confusa e melancólica e assim é a beleza da mesmo.

7. Isabel (carta de um pai aflito) // “Isabel, a vida não vai melhorar assim…”

A bateria que introduz a música e o teclado destoa um pouco do Cícero que conhecemos. A voz automática se mistura com o coro que ora repete as estrofes da canção, ora completa as frases de Cícero. A canção tem uma atmosfera pesada e letras sobre conselhos, pra fechar, nada mais que um riff de guitarra.

8. Albatroz // “O dia alaranjou”

Retratando o pôr do sol com guitarra elétrica, percussão forte e a suavidade de assobios a canção vai juntando elementos em uma melodia dançante até terminar em um final intenso com coro, teclado, baixo e até com som  do mar. As camadas de som dão um tom super complexo e legal para a canção.

9. Cecília e as Máquinas // “Toda quarta-feira ela melhora”

Começando com um rouco de motor de moto para o singelo som do xilofone combinado com o violão com ora som de rua, a canção ganha a voz feminina de Luiza Mayall para as letras da canção. A canção também pode ser uma retomada à  canção “Cecília & os Balões” do Canções de Apartamento (talvez a menina de “Tempo de Pipa”?!). “Cecília e as Máquinas” é simples, hipnótica e bem suave.

10. Terminal Alvorada // “Faz um tempo eu não sei o que é saudade”

Piano na introdução com um ritmo legal de guitarras, o tom leve da canção predomina assim como as letras- parece que há um conformismo nos acontecimentos do mundo. A conversa que encerra tem um tom positivo, bem diferente da angústia de Sábado.  Belo arranjo de cordas e final com sopros o que torna a canção belíssima e tocante, super especial para fechar o álbum.

Nesta nova fase, Cícero mostra uma certa leveza, talvez também reforçada pelo nome do álbum A Praia.  Embora a melancolia apareça de modo pesado em  “Soneto de Santa Cruz” e de modo disfarçado em outras canções, é a despretensiosidade e a leveza que marcam o álbum e arrisco dizer que há até um certo otimismo, principalmente na última canção “Terminal Alvorada” onde a conversa muda de tom para uma atmosfera mais animadora. É incrível a gama de temas que é abordado, Cícero segue a linha de Sábado ao abordar situações do cotidiano pra contar aos seus ouvintes, e também revisitar músicas  anteriores em algumas citações, o que é genial por trazer esta brincadeira para ser descoberta. “A Praia” traz inovação, não só nos arranjos como também na atmosfera e fico muito feliz que Cícero mudar de ares e ver o mundo de forma mais suave, trazendo isso para os ouvintes. Nesta uma semana ouvindo o álbum pude notar que a leveza me tocou e viciou, A Praia é aqueles álbuns que você coloca para relaxar, ouvir e sorrir.

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