Bruna Mendez- Corpo Possível

Artista: Bruna Mendez
Álbum: Corpo Possível
Gravadora: Falante Records
Lançamento:Outubro/2018

A primeira vez que ouvimos falar de Bruna Mendez foi em uma recomendação aleatória do Spotify em um domingo banal, prestes a ser iluminado com a voz e som de Bruna. E assim fomos apresentados à canção “Calor, Sol e Sal”, um dos carros chefes do álbum de estreia da cantora goiana, O Mesmo Mar Que Nega à Terra Cede À Sua Calma, que mostrou  uma coesão no som e uma sensibilidade nas letras e na interpretação das mesmas. O cuidado com o vocal suave e enfático e o instrumental com diversas influências, resultou em uma MPB sublime e bem balanceada, difícil de não se gostar.

Outubro de 2019, Bruna então lança seu segundo álbum. Com o apoio como edital da Natura Musical, Corpo Possível, nossa curiosidade com o som da cantora aumentou, já que Bruna fez alguns projetos e participações bem legais nesse meio tempo. Com uma influência maior do eletrônico no seu som, Bruna oferece 11 canções neste novo trabalho, além das metáforas de mar e terra, que continuam. Confira a seguir a resenha faixa a faixa destas canções.

1 Avisa// “Sou feito um rio me guardando nesse mar/ No risco de outro corpo, me salvo”

A canção “Avisa” já chega com algumas mudanças no som de Bruna. Com programações e bateria eletrônica, além de um baixo bem encorpado, a canção cresce em ritmo, terminando em um tom mais alegre. A voz aveludada e delicada de Bruna seguem falando de  suas impressões da vida com metáforas de mar.

2 Corpo Miragem//“Quando você me nota, tudo se transforma em imensidão”

Com direito até a clipe, o primeiro single de Corpo Possível, mostra bem como os novos elementos eletrônicos somaram ao som da cantora.  O eletropop, que brinca com os ritmos, de um jeito bem suave e desenvolve para um som mais orgânico com bateria até com a presença de um saxofone bem bonito. No final da canção há uma palhinha da cantora com violão e voz.

3 Bem//“Foi bonito de ver/ Você vestida assimPronta pra felicidade/ Feita de felicidade”

“Bem” começa mais animada com o eletropop dando o ritmo da canção de uma forma mais suave e aérea e toma corpo com mais elementos na canção. A voz suave de Bruna na canção parece um esconde-esconde, ora mesclando com a canção ora sendo o principal centro de atenção. Com recheio de uma boa guitarra  no meio pro final da canção, que dá um bom clima para dançar.

4 Transbordo Longe// “Transbordo longe no olho d’água, nesta fúria, fogo em mim”

Uma das baladas do álbum, a canção cresce em instrumentação de um minimalismo para um refrão com várias camadas. Os detalhes  fazem a canção bem encorpada, mesmo assim, trazendo um sentimento de calma e aconchego, reforçando a mensagem das letras da canção.

5 Tropical// “Tropical/ Eu moraria em mim pra sossegar seu corpo de chorar”

Uma das canções  dançantes do álbum, a canção tem um intrumental bem gostoso, com um baixo ditando bem o ritmo e mais uma presença de saxofone, com toques de eletrônico. Uma das canções que dá pra ver a evolução vocal de Bruna comparando ao trabalho anterior.

6 Pele de Sal// “Habito um lugar estranho, um corpo estranho”

Com participação do grupo curitibano Tuyo, que deixam sua marca na canção. As vozes de Bruna e dos integrantes do Tuyo  se misturam de uma forma bem suave na canção. Misturando bem o eletrônico  que dialoga bem com o vocal e com a sensibilidade das letras da canção.

7 Imagem (Em Mim)//“Eu movo devagar/ Nesta pele translúcida/ Que tudo atravessa e pouco sente”

Mais uma canção que mistura bem o eletrônico com um ótimo baixo, que entra do meio pro final da canção. Começando devagar e bem suave a canção faz com que um baixo brilhe bastante com as texturas eletrônicas, e o vocal que acompanha o clima da canção.

8 Licença//“Quero mesmo me jogar no seu corpo/ Sem pedir licença pra entrar na sua vida”

Mais uma canção agitada, “Licença” já era conhecida por alguns fãs antigos da cantora. Com vocais cuidadosos e um instrumental mais orgânico com só alguns toques de eletrônico no início e no finalzinho da canção, que dão efeitos bem legais pra canção.

9 Dancei// “Dancei/ Todo o tempo errado e te vi/tentando superar nossos passos e o calor dos nossos corpos”

Bem apropriado com o título da canção, “Dancei” é bem animada e dançante e com um ritmo ótimo nos refrões e até um saxofone bem animado. Assim como em todo o álbum há uma mistura de texturas eletrônicas com o instrumental mis orgênico e até um saxofone bem animado e leve.

10 Prata//“E se perder na prata neblina/Que cobre os sonhos”

Começando como uma canção mais melancólica pra encorpar e ter um ritmo mais agitado, “Prata” tem instrumental novamente ditado or um ótimo baixo, e com inserções de eletrônico. Com mais mensagens sobre água, e se perder em sí mesmo. Terminando a canção com uma bonita parte da canção em voz e violão.

11 Azul Profundo// “Longe eu me tenho/Feito de caminho/ Entendo que sou terra, mas não quero ser”

A canção que fecha o álbum tem um instrumental bem ricoe meticuloso com vozes de Bruna se sobrepondo e com um solo de bateria bem legal que fecha a canção. Uma das melhores canções do álbum que também termina com uma parte de “Azul Profundo” em voz e violão.

 

Enquanto o primeiro álbum de Bruna, O Mesmo Mar Que Nega à Terra Cede À Sua Calma, tinha um instrumental mais acústico, em Corpo Possível, Bruna abraça o eletropop suave que complementa as melodias das canções e casa bem com a tom de sua voz. Embora tenha a própria essência de Bruna, as contribuições eletrônicas lembram um pouco o trabalho de Tuyo em Pra Curar, especialmente com as paradas bruscas se milisegundos nas canções. O orgânico também se encontra presente nas canções com linhas de baixo que brilham em algumas melodias e até saxofones que dão um toque especial para as canções

No entanto, Bruna ainda permanece fiel às suas metáforas de terra e água. Há muitas referências à água em muitas das canções do álbum (“Transbordo Longe”, “Prata” e “Azul Profundo”) fora outras referências ao mar e marés- conchas e sal (tão presente nas letras da forte e emblemática “Pele de Sal”).  Com  belíssimas letras  de como se vê como maré e a interação com outros corpos como água-terra- o álbum é recheado de imagens  destas metáforas que Bruna aperfeiçoou neste álbum.

Se O Mesmo Mar Que Nega à Terra Cede À Sua Calma, já mostrava o telento de Bruna Mendez, em Corpo Possível a cantora explora novos sons e aprimora mais suas metáforas criando uma sonoridade e mundo único da cantora. E é difícil nçao mergulhar de cabeça e não sair mudado e até um pouco mais leve desta experiência.