Arctic Monkeys- Tranquility Base Hotel & Casino

Artista: Arctic Monkeys
Álbum:  Tranquility Base Hotel & Casino
Gravadora: Domino/ Sony BMG
Lançamento:Maio/2018

Arctic Monkeys é uma banda que nesta altura do campeonato dispensa apresentações. O quarteto de Sheffield desde 2005 vem fazendo barulho ora pelo talento e som invejável do começo de carreira ou pelas polêmicas da banda, principalmente na última era AM (2013). Provando ser músicos inovadores com melodias e batidas rápidas do Matt Helders , riffs de guitarras empolgantes do Jamie Cook, o baixo marcado de Nick O’Malley  e assim como um tino certeiro da realidade nas letras de Alex Turner, a banda conseguiu um merecido lugar na cena indie internacional- porém, não satisfeitos, tentaram conquistar a América especialmente com os últimos dois álbuns Suck It And See (2011) e AM (2013). Com sucesso garantido, a banda que vinha em um ritmo frenético desde 2005, resolveu dar um merecido tempo na carreira.

Com o hiato de 4 anos e meio, sendo que Alex Turner se aventurou com The Last Shadow Puppets em um segundo álbum em 2016, Tranquility Base Hotel + Casino é um álbum temático que gira em torno da Tranquility Base (inspirada na base Mar da Tranquilidade em que Neil Armstrong e Buzz Aldrin pousaram na Lua), que além de ser uma nova opção de vida para a humanidade, é também um Hotel e Cassino. Sonoramente, parece que a banda se baseou um pouco nas musiquinhas de elevador pra compor uma atmosfera mais suave para o álbum. Com desculpas de usar o espaço para fazer críticas à tecnologia, política e até divagar sobre si mesmo, visitamos então o Tranquility Base e aqui está a resenha faixa a faixa do sexto álbum dos Arctic Monkeys:

1 Star Treatment// “I found out the hard way that here ain’t no place for dolls like you and me”

Começando com um piano, meio jazz, começamos a entrar em  Tranquility Base, a melodia se mantém suave com baixo, piano e bateria  e a canção leva um monólogo de Turner ponderando sobre sua carreira com o star treatment dando duplo sentido ora de estar na lua ou do tratamento que recebe por ser famoso. Quanto à melodia, permanece sempre com o mesmo ritmo, mudando sempre no refrão com um toque especial em “Martini Police”.

2 One Point Perspective // “I fantasise and call it quits/I swim with the economists/And I get to the bottom of it for good”

Piano e bateria iniciam a canção com alguns samples desencadeados por precisas guitarras, a canção ganha corpo no segundo verso e tem uma guitarra bem legal que fecha o álbum. Quanto às letras, ainda críptico, Alex ainda parece falar da carreira, do entusiasmo do começo, quando percebeu como as coisas são na realidade e o quanto isto o afetou (bom, pelo menos é o que entendemos)

3 American Sports// “And all of my most muscular regrets explode behind my eyes like American sports”

Com um piano um pouco mais agitado, um ótimo baixo e um sintetizador bem lá atrás, e umas guitarras em momentos bem especiais da canção, novamente fazendo fundo para um monólogo de Turner no espaço vendo e conversando em realidade virtual, mas ponderando sobre seus relacionamentos antigos. O interessante dessa canção é como a guitarra aparece tão sutilmente na canção.

4 Tranquility Base Hotel & Casino// “Good afternoon/Tranquility Base Hotel and Casino/Mark speaking/Please tell me how may I direct your call?”

Com mais corpo e soando mais como uma canção dos Monkeys (ahhh guitarras!) em um tom leve e baixo bem marcado, Alex canta em voz suave,  sussurrando em quase falseto algumas vezes. Os detalhes da canção, como os sintetizadores que dão uma sensação “espacial” se intensificam também mais pro final e no ponto alto da canção. Letras com referência à Tranquility Base, hóspedes do lugar, como funciona o hotel e reflexões sobre a vida e intimidade- onde tudo deu errado?

5 Golden Trunks// “And in response to what you whispered in my ear/I must admit sometimes I fantasize about you too”

Com uma atmosfera que lembra um pouco Sgt Peppers/ e até um pouco “Everything You’ve Come to Expect”  (principalmente os vocais mesclados de Helders e Turner), a canção é leve espaçada com uma guitarra ditando bastante a canção. As letras mesclam impressões e confissões de um relacionamento com a imagem de  Trump em uma luta de MMA, com uma crítica à política e propaganda dele.

6 Four Out Of Five// “Take it easy for a little while/Come and stay with us/It’s such an easy flight”

Facilmente uma das canções mais digeríveis à primeira ouvida, “Four Out of Five”, com baterias com um pouco mais de personalidade, baixo ditando a canção e guitarras, violão e outros instrumentos dando corpo, o ponto alto da canção é o refrão (que lembra um pouco “Hotel Califórnia”). As letras são sobre as qualidades do Tranquility Base, com a resenha de 4 estrelas e tudo que o hotel pode oferecer….Talvez exatamente o que Califórnia (eeee Eagles) e Los Angeles pode oferecer.

7 The World’s First Ever Monster Truck Front Flip// “You push the button and we’ll do the rest/The exotic sound of data storage/Nothing like it”

Com um título tirado de um link de notícia, a canção tem também o tom meio Sgt. Peppers com os vocais mesclados novamente de Turner e Helders, circense, e com um sintetizadores ditando a canção, no refrão a canção fica mais suave, os versos quebrados dão uma impressão estranha para a canção. Letras falam tanto de tecnologia ( apertar o botão que faremos o resto) e relacionamentos.

8 Science Fiction//”So I tried to write a song to make you blush/But I’ve a feeling that the whole thing/May well just end up too clever for its own good/The way some science fiction does”

O tema tecnologia vai e volta estre as canções, mas em  “Science Fiction”,  Alex decidiu se ficar no tema de ficção científica não só para fazer algumas críticas sobre a sociedade atual conectada 24 horas, junto com o charme do Alex Turner em tentar impressionar o ouvinte com suas palavras. A melodia traz guitarras com efeitos fantasmagóricos, um ótimo baixo e melodia mais encorporada.

9 She Looks Like Fun//“Finally, I can share with you through cloudy skies
Every whimsical thought that enters my mind/There ain’t no limit to the length of the dickheads we can be”

Mais uma canção sobre tecnologia,  “She Looks Like Fun”, fala da vida online, de se conectar por meio de nuvens e a grande possibilidade de ser um idiota online. Quanto à melodia, com um refrão bem pobre com uma voz grave em  She Looks For Fun, com palavras aleatórias (talvez lembrando um feed de instagram?). As melodias são mais intensas no começo da canção e nos refrões e com uma melodia bem mais suave  e guitarras bem mais legais pro final da canção.

10 Batphone//“Have I told you all about the time that I got sucked into a hole through a hand held device?”

Mais tecnologia nas letras, Alex fala das mudanças de layout do celular, da febre que estamos sempre com o rosto focado em uma tela e do jeito que assistimos mais do que vivemos.  A melodia tem pianos fortes, detalhes em guitarra levando a canção e baixo e bateria bem espaçados. O interessante é que o que Alex canta  não parece às vezes estar de acordo com o arranjo da canção…

11 The Ultracheese// “I’ve still got pictures of friends on the wall/I might look as if I’m deep in thought/But the truth is I’m probably not if I ever was”

A faixa que fecha o álbum pianos e tempo de valsa e um Alex Turner um pouco nostálgico falando sobre amigos antigos, sobre escrever canções e até uma menção ao piano que ganhou no aniversário de 30 anos. Com um tom um pouco mais clássico especialmente dos vocais de Turner, a canção faz uma pequena menção  do presente na Lua e o passado.

 

Uma das principais coisas para se ter em mente é que deve-ser escutar Tranquility Base Hotel + Casino sem todas as expectativas e impressões que tivemos da banda no passado. Com um tom bem mais calmo e espaçado, sem a energia e irreverência que os despontaram para o sucesso, Alex Turner admite que escreveu a maior parte do álbum sozinho, e muitas melodias nasceram no piano. Com o tema de um Hotel Casino em Tranquility Base ( Base Lunar) e muita ficção científica no meio ( influência de uma das primeiras canções criadas, “Science Fiction”), a melodias das canções tendem a ser mais vagarosas, com muito baixo guiando as canções sem muito das guitarras de Jamie Cook e da bateria do Agile Beast, Matt Helders, e muitas vezes parecem no mesmo tom- como uma loooonga canção de 11 faixas que muda detalhes e letras. Alex Turner, no entanto, aparece em sua melhor forma como cantor, conseguindo trazer boas interpretações de suas letras, porém nem sempre o que Turner canta casava com os arranjos e melodias.

E com o tema estruturado, as letras de Turner muitas vezes mostram ideias inacabadas, ora  contemplando a lua e o espaço e ora perdendo-se em seus pensamentos- muitas vezes sobre si mesmo- sua carreira como rockstar e com sua escrita. Falando realmente do Tranquility Base são somente duas canções: obviamente “Tranquility Base Hotel + Casino” e “Four Out of Five”; a maioria das canções são em torno do nosso relacionamento com tecnologia e de todos os pensamentos e sentimentos de Turner oferecidas ao ouvinte com muitas referências, mas sem uma lógica.

O sexto álbum foi um passo largo e ousado para a banda, que apostou na sonoridade que abandonou bastante da identidade , além de uma atmosfera mais sofisticada ( que até lembra à distância uma atmosfera de Sgt Peppers dos Beatles), mas mesmo assim, parece que todo o projeto de Tranquility está inacabada, tanto no campo dos arranjos quanto nas palavras de Turner. A falta da identidade da banda também é um problema: o Nick O’Malley ainda está firme e forte com seu baixo, mas Matt Helders e Jamie Cook, e até as guitarras e solos de Alex não tem vez no álbum- parecendo bem mais um álbum solo do Alex Turner e com muito mais características de The Last Shadow Puppets do que Arctic Monkeys ( relembre “The Dream Synopsis” e “Everything You’ve Come to Expect”)… Outra coisa que chama atenção são outros músicos  fazendo participação no álbum, como Tom Rowing do Milburn e Dead Sons, também tocando em algumas faixas e Matt Helders se ausentando da bateria em outras faixas.

Tranquility pode até ser um álbum ok, é mais arriscado e até sonoramente mais interessante que o comercial AM (apesar que alí ainda havia uma identidade da banda) mas não é um álbum fácil e certamente lançado antes da hora. Resta saber agora como a banda vai rever seu som…e que Alex Turner consiga finalmente não perder sua linha de pensamento e nos surpreender com mais histórias e observações tão extraordinárias da realidade.

Anúncios