Alvarez Kings- Somewhere Between

Artista: Alvarez Kings
Álbum: Somewhere Between
Gravadora: Virgin
Lançamento:Abril/2017

Alvarez Kings pode ser um nome desconhecido no mundo da música, mas não para nós. A primeira vez que ouvimos a banda pela primeira vez foi em 2009, com a canção “You, Me, Them, Us” quando as guitarras e o baixo eram mais recorrentes na música do quarteto e os cortes do cabelo eram um moptop bem na moda na época. Nessa época, Simon e Paul Thompson, Richard Walker e William Pashley (depois substituído por Sean Parkin) faziam alguns shows pelos arredores de Sheffield divulgando algumas demos dos primeiros EPs da banda. A banda sempre foi bem prestigiada na cena local e seus shows sempre foram efervescentes, então todos estavam um pouco cientes que não levaria muito tempo para que a banda fosse descoberta e conseguissem assinar com uma gravadora. Após um Wrapped Tour, excursionando pela primeira vez pelos Estados Unidos e Canadá, a banda conseguiu aumentar mais a popularidade, o que levou a ser um dos nomes a abrir a Cry Baby Tour da cantora Melanie Martinez, depois daí, em estúdio, não iria demorar para a banda finalmente lançasse um álbum.

O primeiro álbum de Alvarez Kings não traz somente  um passo grande na carreira da banda, já que é o primeiro álbum lançado por uma gravadora, mas também para a sonoridade da banda que incorporou o eletropop de vez e deixou de lado a veia indie com as guitarras e o baixo marcado. A maioria das canções de Somewhere Between já são conhecidas pelo público antigo, principalmente pelos EPs Patience is Strenght e Cold Conscience,  mas desta vez repaginadas em arranjos eletropop e dando um tom mais  onírico para as canções. Escutamos Somewhere Between e demos nossas impressões faixa a faixa a seguir:

1 Cold Conscience// ” Is your conscience cold?/ Clever little acronyms cut tight against your throat”

Com batidas eletrônicas bem espaçadas e ritmo consistente a faixa explode no refrão com um som mais forte e marcante que acompanha a voz de Simon que conduz a canção de uma forma confiante e direta, e um solo de guitarra que fecha a música. Letras sobre amor e como a vida pode não ser tão gentil e a ansiedade que é gerada.

2 The Other Side Of Sadness//“Wounds will heal and scars will fade away”

Uma das canções mais pessoais da banda, com letras dedicada à um amigo dos integrantes da banda que se suicidou. Com uma batida mais devagar, comparada à versão original, a canção toma mais fôlego no refrão mais dançante e o final mais intenso. O toque especial da canção sempre foi a parte “wounds will heal and scars will fade away” que funciona como um segundo refrão.

3 Postcards From Berlin// “Soon enough/ We will reach our destination”

Uma das canções românticas mais tocantes da banda tem letras de um relacionamento à distância. A canção começa com voz de Simon Thompson com backing vocals de Sean Parkin, um sintetizador minimalista e uma batida rítmica, logo a canção cresce com um som mais orgânico e rápido até entrar no refrão. “Postcards” é empolgante e traz um pouco da banda sem muitos sintetizadores além de ter letras bem sinceras.

4 Tell- Tale Heart// “It was  her eyes, yes her eyes that took me by surprise/ It was the stare yes, the stare/ Her eyes were everywhere”

Talvez a canção mais representativa da nova fase da banda ( e umas das primeiras a serem liberadas). A canção é bem minimalista com uma base em sintetizadores e vocais, até estourar com as guitarras e bateria no refrão. Tudo embalando a mensagem dos olhos de uma garota  e o desencadeamento das emoções passadas e presentes. Canção forte e bem dançante

5 Picking Up The Pieces// “It’s true what they say/There’s plenty more fishes/ Tomorrow is a brand new day”

Também começando com uma introdução em um teclado bem minimalista e batidas eletrônicas,  “Picking Up The Pieces”  incluindo o refrão também explosivo e o tom mais dançante na segunda parte até o final da canção. A canção tem uma vibe anos 80, principalmente pelo arranjo. Como tema “Picking Up The Pieces” trata de um fim de um relacionamento e como tentar continuar, apesar de todas as dificuldades.

6 Run From You// “I Will Never Run From You”

Esta é uma das canções novas da banda, em uma balada predominantemente em eletropop, mas com uma guitarra rasgando pro meio e final da canção, vocais mais sussurrados de Simon Thompson prometendo não abandonar sua amada. O mais interessante é como a canção cresce levemente e como o solo de guitarra dá uma densidade necessária para a canção.

7 Sleepwalker pt II//“Eyes wide shut/Curtains closed /Flickering lights/ And nobody’s home”

A canção que virou o primeiro single de Somewhere Between com direito à clipe que narra muito bem as letras de “Sleepwalker pt II”.  A canção pop tem uma ritmo marcado  com um baixo e bateria presente e uma guitarra também marcando ritmo no refrão e um sintetizador bem penado na segunda parte da canção. Apesar da atmosfera um pouco pesada, a canção se desenvolve e cativa bem o ouvinte.

8 Fear To Feel// “Help me make me heal for fear to feel”

Mais uma balada trabalhada em arranjos minimalistas que cresce e tem até um belíssimo arranjo de cordas que fecham a canção.  A canção aborda delicadamente de um modo bem bonito o sentimento de ser incapaz de sentir algo,  em um final de relacionamento. O arranjo e tema conversam em tensão principalmente depois de “Am I a Stranger?” a complexidade do sons e do conteúdo da mensagem se intensificam e tornam a música bem especial por isso.

9 Tortured & The Tears// “The torture and tears the terrifying dream about the ending”

Começando bem sutil com voz e detalhes eletrônicos, a canção começa a introduzir elementos e intensificar a atmosfera, passando a ser mais rítmico e dançante para então introduzir tambores fortes que conversam com a quão grande é  a “tortura” que está sofrendo, relatado nas letras que abordam um relacionamento  que terminou e as lembranças boas e ruins.

10 No Resolve// “You don’t love me you love to be loved”

Começando bem simples com sintetizador, guitarra e voz, a canção cresce  com camadas, toda a tensão se desmancha com o refrão super cativante e com a mensagem da canção dos sentimentos de término e da atitude narcisista da menina. O riff de guitarra no final o fechamento da canção fazem uma das canções mais épicas da banda.

11 Somewhere Between//“Somewhere between here/ And there/ I found you”

Voz com acompanhamento eletrônico abrem a canção até vir a bateria, alguns vocais e um sample de rádio que trazem mais ritmo e elementos que se misturam e levam a canção até um final. é a canção mais experimental da banda e traz um pouco do que a banda pode explorar nos próximos trabalhos.

 

São muitas as características que fazem Alvarez Kings ser uma banda marcante: o vocal do Simon Thompson, a bateria explosiva de Richard Walker, o baixo marcado e preciso do Paul, os backing vocals e guitarra de Sean, tudo junto, as canções de Alvarez Kings sempre foram cativantes, empolgantes capaz de encantarem em uma sessão acústica a fazerem 90 a 100 por cento de uma casa de show pular e sentir a energia ao vivo. Nesta nova versão, com canções gravadas e lapidadas, a banda ainda tem o poder  de encantar e cativar o ouvinte.

A banda há um certo tempo vem trabalhando e experimentando com sons mais eletrônicos e flertando mais com eletropop, o que a banda faz com destreza- escolhendo nuances mais leves não poluindo o som original. Canções como “Tell- Tale Heart” e “Fear To Feel”  tiveram o arranjo transformados e saíram perfeitas, impactantes, com a essência dos Kings. Porém em algumas canções, especialmente as canções mais antigas repaginadas para o álbum,  o eletrônico soa um pouco estranho, distante e um pouco desnecessário para as canções que já eram forte com instrumentos originais. Em alguns momentos canções brilham com pouco eletrônico como “Postcards of Berlim” ou o arranjo arrebatador de cordas em “Fear to Feel”. Nas como o DNA da banda mudou, as novas canções como “Somewhere Between” e “Sleepwalker pt II” mostram que a banda consegue sim unir o indie com o eletrônico de uma forma única e sábia.

Quanto ao tema das canções, Simon e Sean sempre souberam escrever bem e com muita delicadeza e sinceridade sobre relacionamentos, principalmente as decepções e os sentimentos colaterais de um término, ou até mesmo no caso de “The Other Side of Sadness” que no final das contas, tem uma mensagem positiva, sem deixar de lado a dor. Transformando assim letras em canções que não só tem uma mensagem importante com uma melodia que envolve e cativa  o ouvinte, e em muitos pontos, Somewhere Between traz isso ao ouvinte.

Somewhere Between pode ser o primeiro álbum do Alvarez Kings ( e com uma das melhores capas do ano), mas a banda só está provando mais uma vez o enorme potencial que tem de não só fazer um shows magnificos, mas também canções bem escritas e produzidas. Somewhere Between é o primeiro passo grande da carreira do Alvarez Kings, mas temos certeza que será o primeiro trabalho de uma coleção grande e bela e temos orgulho de fazer a primeira resenha de álbum de uma das bandas que acompanhamos desde o início e motivaram o Noiseless existir.

 

Sheffield Proud ❤

Anúncios