Allen Tate- Sleepwalker

Artista: Allen Tate
Álbum: Sleepwalker
Gravadora: Votiv
Lançamento:Outubro/2016

Provavelmente muitos de nossos leitores não conhecem Allen Tate, mas o cantor é bem conhecido por nós- fato de ser uma das principais vozes da banda nova-iorquina San Fermin. Com um barítono e uma interpretação marcante, elogiada por vários portais musicais por conta de seu trabalho com San Fermin, Tate finalmente mostrou sua criatividade e suas próprias canções em seu primeiro álbum Sleepwalker, lançado em Outubro deste ano (2016).

Segundo Tate, Sleepwalker surgiu enquanto estava em turnê com San Fermin em Copenhagem. Em três semanas na cidade, Tate sentiu-se sozinho e isolado fisicamente de todos, o que inspirou a escrever canções, entre elas, “Being Alone”- a primeira escrita para o álbum- observando patos e cisnes em um lago em Copenhagem. Sleepwalker teve a ajuda de  Ellis Ludwig-Leone, a mente de San Fermin- na produção do álbum  e também com seus amigos de banda nos instrumentos- já a masterização ficou por conta de Matty Green ( que já trabalhou com TV On The Radio).  Com 9 faixas e 30 minutos de duração, escutamos o álbum e demos nossas impressões faixa a faixa a seguir:

Sleepwalker

 

1 Aliens//“I think I might be different now/ I think I’ve changed”

Começando bem minimalista com voz e alguns elementos sonoros no background, assim que a canção progride, bateria e sons se intensificam, até um solo de guitarra. Assim que o som se incorpora em uma ótima melodia  e encerrando com um jam sensacional com ótimas guitarras e bateria.

2 Being Alone// “Dress me and trim my claws/ Defenses down”

A faixa que inspirou Allen Tate a fazer um álbum, “Being Alone” foi a primeira faixa do álbum escrita em Copenhagem enquanto Tate estava em turnê com San Fermin. O sentimento de solidão em um parque o inspirou a escrever a canção que começa super singela e delicada, até vir uma ótima guitarra e um ritmo pop ótimo bem incorporado. As letras falam da vulnerabilidade em ficar sozinho com boas metáforas e  um som cativante.

3 CPH// “Nothing in translation”

Simples e delicado instrumental com uma ótima combinação de bateria, baixo e sintetizadores. Allen tate descreve nas letras os acontecimentos e situações da vida (garotas como nomes de flores e rapazes que tornam-se pais). Uma canção calma, mas com um ritmo que consegue hipnotizar.

4 Don’t Choke// “How will I know when the dream is over?”

A canção que ganhou um video clipe, “Don’t Choke” tem uma batida quebrada e um instrumental mais pesado, lembrando um pouco San Fermin com os backing vocals (“You’re gonna be great/ Don’t Choke”) e  a presença de metais, embora muito mais simples do que a complexa atmosfera do super grupo San Fermin. Quanto às letras, além de mesclar lindamente com a melodia da canção- falam de certo modo de uma superação, assim como o vídeo.

5 Wrapped Up// “Golden home sleepwalker/Sink your teeth in the night”

A principal balada de Sleepwalker, que dá o título do álbum contem um tom um pouco mais pesado com vocal e violão que se transforma em um som poderoso para o meio da canção. O vocal delicado de Tate dá um certo toque especial e bonito para a canção, principalmente para o final.

6 Keeping You Awake// “I know it’s keeping you awake/you need to be there with a fire in your face”

Uma das melhores faixas de Sleepwalker, Tate consegue fazer um pop perfeito e contagiante com um refrão explosivo e melodia com um ótimo baixo e uma guitarra viciante. A canção é bem simples, com alguns metais no final, mas tem exatamente tudo pra ser uma das melhores faixas deste ano!

7 I Don’t Think About It// “As I was  wondering that was things to say, that I never thought I should”

Uma balada com um rico instrumental e uma atmosfera bem pesada que refletem um pouco as letras sobre arrependimento. A canção é cheia de detalhes instrumentais e o vocal de Tate dá uma interpretação e profundidade para a canção.

8 YDNF (Young Dumb Numb Fun)// “I’m looking for young, dumb, numb, fun”

Faixa que flerta com eletrônico, com alguns sintetizadores que introduzem a canção e que também aparecem no refrão da canção, com uma atmosfera bem anos 80, mas sem exagerar na dose. Em um pop bem tranquilo, Tate fala das aventuras juvenis, sem pensar nas consequências.

9 At Ease//“When will I feel at ease/ There’s no place to rest”

A canção que fecha o álbum é uma balada com um instrumental bem forte e envolvente, desde a guitarra e o vocal mais arrastado. Com um ótimo riff de guitarras e falando de modo sereno das desventuras da vida. “At Ease” dá um final bem tranquilo e com muita paz para a jornada de Sleepwalker.

O álbum de estreia de Allen Tate trouxe um lado que de certo modo já aparecia em algumas canções de Jackrabbit de San Fermin, onde houve a participação maior dos integrantes na concepção do álbum, no entanto, em Sleepwalker, é possível ver e entender o que se passa no processo criativo de Allen Tate, desde as letras à melodia e como Tate mescla tão sabiamente pontos altos das melodias com letras, como se a nota e a palavra fosse uma coisa só, cheia de significado. Menos intenso musicalmente que San Fermin, mas sem deixar a intensidade, principalmente das letras e nas melodias que não deixam de ser viciante.

Sleepwalker traz um pop bem feito, alguns momentos com atmosfera dos anos 90 ou 80 (   “Wrapped Up”, “YDNF (Young, Dumb, Numb, Fun”, “Keeping You Awake”), um pop para curtir e entender as letras, com mensagens efetivas e sinceras. O tema de solidão está bem presente no álbum, assim como as observações profundas sobre vida e sociedade. A voz de Tate e a maior parte do instrumental traz um sentimento de conforto, mas em alguns momentos ( como em “Wrapped Up”) há uma melancolia e há também algo inquietante, ora por uma letra ou por um acorde em um momento específico da canção. Sleepwalker pode passar despercebido por muita gente por aí, uma pena, é um ótimo álbum de pop, com profundidade humana e musical que vale a pena conferir, além de ser de um som super gostoso pra ouvir no carro, trem, metrô, etc…Recomendamos!