All Saints- Red Flag

Artista: All Saints
Álbum: Red Flag
Gravadora: London Records/ EMI
Lançamento:Abril/2016

Há exatamente 10 anos atrás, All Saints lançava o último álbum Studio 1, após uma briga entre as integrantes em 2002 em que resultou em carreiras solos e o grupo das irmãs Nicole e Natalie- Appleton. Anteriormente, All Saints eram grandes tanto no Reino Unido quanto no mundo- a mistura de R&B, pop, rap e até citando as influências de rock com as versões de canções ( “Under The  Bridge” dos Red Hot Chili Peppers é a mais famosa) impulsionaram a carreira das garotas de harmonização vocal de dar inveja além de serem as “rivais” das Spice Girls nos anos 2000. O primeiro álbum All Saints saiu em 1997 e trouxe vários hits como “Never Ever”, “Lady Marmalade” (bem antes da versão do Moulin Rouge) e “I Know Where Is At” e rendeu várias turnês e reconhecimento; o segundo álbum, Saints and Sinners (2000), teve um flerte com eletrônica bem forte e tem como hits a trilha sonora de A Praia- “Pure Shores” , “Black Coffee” e “All Hooked Up”, mas por desavenças entre as as irmãs Appleton, que estavam na época toda hora nos tabloides, com as cantoras Mell Blatt e Shaznay Lewis.

Até 2009, era claro que as meninas não tinham a intensão de reunir, como afirma uma entrevista que Melanie Blatt deu para a revista i-D. Após alguns anos, muita conversa entre as integrantes e um convite para participar da turnê dos Backstreet Boys, as All Saints finalmente estavam de volta.  Red Flag foi uma consequência de uma turnê de volta das meninas em 2014, elas trabalharam com alguns produtores novos, como Hutch e os de longa data K-Gee- nas músicas as meninas afirmam que estão fazendo o som que sempre quiseram fazer. Então, vamos nos render a Red Flag, segue a resenha faixa a faixa do álbum:

12716146_429484247250564_623907532481052086_o

1.One Strike//“And with one strike, my world lights up in a fire”

O primeiro single divulgado teve inspiração no divórcio entre a integrante Nicole Appleton e o vocalista do Oasis/ Beady Eye Liam Gallagher, mais precisamente quando a cantora percebeu que seu relacionamento não estava mais funcionando e justamente o “one strike”, quando cai a ficha inspirou Shaznaz a escrever a canção. Com batidas espaçadas e ritmos que lembram bastante as All Saints que conhecemos, a harmonia e o refrão trazem memórias revitalizadas em um novo som bem poderoso.

2.One Woman Man// “Tell me are you ready for me yet/I know you can make her understand/ Tell me are you ever gonna be a one woman man?”

Com ritmo mais voltado ao R&B, e com um refrão matador, as batidas eletrônicas dão a melodia para uma canção que é típica das All Saints. As batidas mais espaçadas nos versos e uma explosão no refrão que fica na cabeça e as letras que pressionam o cara decidir com quem vai ficar.

3.Make U Love Me// “Baby when I’m ready I’m gonna make you love me”

Com uma melodia genial e viciante com ótimo violão com um pop bem esperto e lembrando bastante o som que as meninas faziam no primeiro álbum. Melodia levam as letras e a harmonização vocal das meninas, possivelmente um dos próximos hits das meninas.

4.Summer Rain// “I know I really want it ‘cause I can’t sleep long after midnight”

Mais orgânico com instrumentos e voz, a canção cresce para o grau All Saints com camadas e intensidade após o refrão. Logo para o final da música melodia se torna intensa e dançante com um som hipnotizante.

5.This Is A War// “If I gotta fight for the right/ To be loved and to love/ Then this is a war”

Outra canção que parece ser inspirada no divórcio de Nicole Appleton e Liam Gallagher, com letras que retratam um relacionamento entre um cara encrenqueiro e uma mulher disposta a fazer as coisas darem certo. Apesar da canção ser mais séria com até violinos na introdução e mais com cara de balada, o tom All Saints está lá com os vocais de Shaznay e as batidas a là anos 90.

6.Who Hurt Who// “Now we never have to worry/ who hurt who”

Uma linda balada de piano, voz e violino, a delicadeza das palavras e das vozes de Melanie Blatt e Natalie Appleton aparecem em uma sincera confissão de um término de namoro. é  a canção mais comovente do álbum e mostra o quão versátil e sincera a música das meninas são.

7.Puppet On A String// “Everytime I say I wanna let go/ I keep running on back, baby, running on back to you”

Batidas eletrônicas bem suaves abrem a canção, flerte com as baterias eletrônicas e as novas influências na música pop, o que foi um plus à harmonização vocal das meninas. A canção tem mais atenção à melodia, já que as letras voltadas a um relacionamento em que a pessoa não consegue sair, são pouco exploradas.

8.Fear//“Stop!/ I’m not ready/ Can’t let go of how I really feel”

Uma das baladas do álbum, com letras delicadas e sensíveis sobre a fragilidade do término do relacionamento; a canção se volta exatamente para a mensagem, sendo que a melodia é também delicada com batidas suaves, violinos e emoção à flor da pele.

9.Ratchet Behaviour// “That ratchet behaviour/make you think it was cool messing with my love”

“Ratchet Behaviour” destoa um pouco do álbum por ser mais voltado ao hip hop com reggae/ ska e rimas espertas e uma ótima pegada, misturando um pouco de eletrônica (mistura vista bastante em algumas bandas britânicas). Letras são como uma fúria vingativa por alguém que tentou tirar o namorado de alguém. ótima canção para dançar e curtir.

10.Red Flag// “You should’ve come with a warning: Red Flag”

Com ótima percussão e com referências afro mesclada com a harmonização das meninas, canção tranquila até vir a força do refrão, para voltar à serenidade e seriedade da canção ao cantar Red Flag. Toques eletrônicos também incorporam a canção de modo gentil, tornando a canção deliciosamente viciante.

11.Tribal// “Blinded by your lights/ Sunburnt to my eyes”

Como se fosse uma continuação de “Red Flag”, “Tribal” contém a mesma percussão de palmas da canção anterior e toques eletrônicos até as frases se misturarem um pouco antes do meio da canção criando um efeito bem criativo, até vir os sons que imitam algo tribal. Uma das canções mais curiosas do disco musicalmente, experimentando com algo que nunca vimos no som das garotas, mas que elas souberam misturar com a sonoridade  sabiamente.

12.Pieces// “What are you waiting for/ Go meet him at the door”

“Pieces” é uma balada que fecha o álbum- com violão e detalhes eletrônicos, melodia que é suave nos versos e mais intensa no refrão, até chegar no bridge: outro ritmo e ginga que dá uma pitada especial para a canção. Melodia mais uma vez dá atenção para as letras da canção: deixar o amor falar alto.

 

É engraçado perceber que, na verdade, até ouvindo os sons mais antigos do grupo, principalmente o Saints and Sinners, All Sains já fazia um pop com misturas que hoje é comum: o eletrônico com pop  e batidas mais suaves  misturadas com a harmonia vocal. Red Flag também leva este som das cantoras mas realmente, parece que leva à um patamar mais alto, talvez pela tecnologia, as batidas estão mais precisas e a mistura de sons diferentes (“Tribal”) e clássicos ( “Who Hurt Who”) mostram que as meninas sabem fazer bem mais que os hits com a marca All Saints.

Um aspecto que chama a atenção é o tema das canções: o “Heartbreak” está muito presente e parece que a maioria das canções foram mesmo inspiradas no divórcio de Nicole e Liam, algumas canções destoam do tema como “Ratchet Behaviour” ou “One Woman Man”. Mesmo assim, o tema da separação e perda é abordado de forma sensível e sincera, com uma delicadeza difícil de ser encontrada e balanceada com o som groove das meninas. Eis que percebi que em 2016 que o som das All Saints nunca fora tão atual, e fazendo um pop que pode trazer um pouco de nostalgia, mas que pode ser sem nenhum medo tocada nas rádios como se 1998 fosse 2016.