Cidades Musicais: White Lies (Londres e outras cidades do mundo)

White Lies chegou ao cenário musical há 10 anos e desde então tem presenteado o público com seu som indie com alguns toques dark. A banda sempre foi muito vocal sobre o quanto a adolescencia em Londres impactou o som da banda, com várias turnês ao redor do mundo, Charles Cave nos conta o quanto Londres e algumas outras cidades do mundo influenciam o som da banda.

1. Qual é o seu relacionamento com a cidade? O que você gosta e odeia nela?

Como músico, há muito que ouvir em uma cidade. Você nota isso quando você senta por um momento para escutar e ouve tantos sons. É, na verdade, uma prática bem relaxante, se considerar que podemos ouvir a qualquer momento, e o que produzem os sons e o quão distante estão. Na cidade, há tanto barulho que quase se torna silêncio. Há um tipo de efeito de cancelamento. No interior, ou no deserto, pessoas como eu que cresceram na cidade, se tornam dolorosamente atentas com o volume impossível das coisas- de pequenos animais, de folhas se mexendo, do vento, e, lógico, de sua própria mente. Pode ser cansativo.

Cada cidade tem uma densidade psicogeográfica diferente. OK, isso soa ridículo. O que quero dizer? Acho que as cidades variam em densidades. A forma física delas contribuem para isso, mas isso não é completamente relacionado. Por exemplo, Londres e Berlim são cidades que acredito serem bem profundas. Se você chegar em Berlim e não saber ninguém ou nenhum lugar, levaria um grande esforço para infiltrar na superfície das camadas da cidade. Acho que para se colocar em situações com as pessoas que viveram lá a vida inteira, levaria muito esforço. Se imaginarmos que cidades são estruturas feitas de tijolos, Berlim seria um, na minha opinião, onde estes tijolos seriam colocados em uma ordem totalmente aleatória, com diferentes alturas e se sobrepondo de uma forma abstrata Estocolmo é uma cidade com uma estrutura um pouco mais simples nisso. Acho que é uma cidade mais acolhedora. Mas geralmente estas cidades mais complicadas são mais atrativas. Cresci em Londres- uma das cidades mais complicadas. Tenho um grande prazer em ser um guia turístico em Londres. Quando as pessoas vem visitar Londres e me perguntam o que deveriam fazer, onde eles deveriam ir, etc, eu as dou recomendações que são bem profundas. Quando você oferece estes atalhos é bem emocionante.

Acho que algumas cidades não são muito inspiradoras. Nova Iorque, nesses dias, por exemplo. Eu odeio o sistema de rede. É tão previsível. Becos e ruas sem saídas em Florencia, em comparação, falam  com as crianças exploradoras em nós todos. Nova Iorque é uma cidade bem adulta, onde até ‘divertido’ soa bem adulto atualmente. Nova Iorque era mais divertida e inspiradora quando tinha 19 anos e não podia ir em bares ou clubes. O empresarial das cidades pode ser frustrante. Tenho tanta sorte de morar no norte de Londres, e que posso ir para Soho em 20 minutos, ou andar na área mais natural de Londres, em um espaço aberto. Eu cuido bastante de cachorros quando estou em casa e quando está chovendo, eu levo-os para esta área e tenho um monte de metros de árvores e campos para mim mesmo.


2. Como a cidade que você vive é diferente das outras? O que há de especial nela?

Londres é uma cidade como nenhuma. Acho que é provavelmente uma das mais complexas. Se os americanos falam que leva dez anos para virar um “new yorker”, então acho que levaria quinze ou vinte anos pra ser um Londrino. Não há atalhos em Londres.

3. A cidade ajuda a dar inspiração para escrever? Se sim, que músicas foram inspiradas em cidades?


Não tenho certeza se já senti que uma música é totalmente inspirada em Londres. Mas acho que nosso álbum Big TV foi muito inspirado em Los Angeles. Fazer música é um bom jeito de escutar o mundo ao redor de você. Assim como pintura, ou tirar fotos é um bom jeito de olhar ao mundo ao seu redor- de uma maneira ativa. Olhar e escutar- não somente ver e ouvir. Há muito em Londres para escutar. Então por este motivo, acho que é uma boa cidade para fazer música.

4. Alguma canção lembra uma cidade da qual você viveu? Como você se sente?

Eu não consigo pensar em uma música que me faça MESMO pensar em Londres. Quer dizer…”Waterloo Sunset” meio que faz, mas em um jeito meio de souvenir. Waterloo é bem turística e uma parte cartão postal de Londres, de qualquer jeito.  O rio parece um pouco mais que uma atração turística. Acho que pra me fazer pensar em Londres, a canção me faria tocar em áreas que os turistas não conhecem. Não consigo pensar em um agora. 

5. Você acha possível conseguir fazer uma música que ressoe a todos e pela música a pessoa entender sentimentos e até um pouco do lugar que você vive?
Acho que Steve Reich fez algumas músicas sobre Nova Iorque. Ele realmente estava escutando aquela cidade. Não estou falando que a música dele me ajuda a entender os sentimentos dos Nova Iorquinos, mas me leva bem no tráfico de Broadway. O que é algo.

Qual é a sua música favorita que fala de sua cidade e que lugar você recomendaria para um turista?

Eu não tenho uma música favorita de Londres. Então eu escolho ‘Untitled’ do Interpol que me faz pensar em Nova Iorque (de novo! embora não gosto dessa cidade!) Recomendaria para os turistas visitar Hampstead Heath e o pub Southampton Arms. E eles deveriam comer na The Quality Chop House.

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1. What’s your relationship with the city? What do you like about it? What do you hate about it?

CC: As a musician, there is a lot to listen to in a city. You find that in you really sit for a moment and listen you can hear so many sounds. It’s actually a very relaxing practice to consider what you can hear at any given moment, and what might produce those sounds, how far away they are. In a city, there is so much noise it almost becomes quiet. There is some kind of cancellation effect. In the countryside, or the desert, people like me who grew up in cities, become painfully aware of the impossible volume of things – small animals, leaves rustling, the wind, and of course one’s own mind. It can be overwhelming.

Every city has a very different psychogeographical density. OK, that sounds ridiculous. What do I mean? I think cities have varying depths to them. The physical form of them does contribute to that, but isn’t completely related. For example, London or Berlin are cities that I believe are quite deep. If you arrived in Berlin, not knowing anyone or anywhere, it would take you a great deal of effort to infiltrate the surface layers of the city. To, I suppose, get yourself into situations with the people who have lived there all their lives, would take a great effort. If we image cities are structures made out of tiles – Berlin is one, in my opinion, where these tiles are stacked in a very random-looking order, different heights, abstract overlapping. Stockholm, is a city with a slightly simpler structure in that way. I think it is a more welcoming city. But it is often these complicated cities that are most attractive. I grew up in London – one of the most complicated cities. I take great pleasure from being a tour-guide in London. When people visiting ask me what they should do, where they should go etc, I give them recommendations that are buried far below the skin. When you are given those short-cuts into cities it can be very exciting.

Some cities I find quite uninspiring. New York, for example, these days. I hate the grid-system. So predictable. Alleys and dead-ends of Florence in comparison speak to the childish explorer in us all. New York is a very adult city, where even the ‘fun’ feels quite adult these days. New York was most fun and inspiring to me when I was 19 and not allowed in any bars or clubs. The business of cities can be frustrating. I’m so lucky to live in a part of North London where I can be in Soho in 20 minutes, or walk to London’s biggest area of natural, wild open space. I look after dogs a lot when I’m home, and when it’s raining I take a dog to this area and have acres of woods and fields often all to myself.

2.How is this city different from others you know?

CC: London is a city like no other. I think it is probably one of the most complex. If they say it takes ten years of living in New York to become “a new yorker” then I think it would take fifteen or twenty to become a Londoner. There are no short-cuts in London.

3.Does the city help you to be inspired to write? If so, what song has the city you live in inspired?

CC: I’m not sure I have ever felt a song is totally inspired by London. But I think our album ‘Big TV’ was very much inspired by Los Angeles. Making music is a great way of listening to the world around you. Just as painting, or taking photos is a great way of looking at the world around you – in an active role. Looking, and listening, not just seeing and hearing. There is lots in London to listen to. So for that reason I think it is a very good city to be making music in.

4.Does any song remind you of the city you live or lived in? How do you feel about it?

CC: You know, I just can’t think of a song that REALLY makes me think of London. I mean…’Waterloo Sunset’ kind of does. But in a really souvenir way. Waterloo is such a touristy, and postcard part of London anyway.  The river feels like little more than a tourist attraction. I think to really make me think of London, a song would have to touch on the areas tourists don’t know about. I can’t think of one right now.

5. Do you believe it is possible through music for people of other places to understand cultural habits, events or feelings that people have in your city?


CC: I think Steve Reich really made some New York music. He was really listening to that city. I’m not saying his music helps me understand the feelings of New Yorkers. But it drops me right onto Broadway in traffic. Which is something.

What’s your favourite song about your city and what place do you recommend for a tourist to visit?

CC: I don’t have a favourite London song. So I will pick ‘Untitled’ by Interpol which makes me think of New York (again! even though I don’t love that city!) I would recommend tourists visit Hampstead Heath and the Southampton Arms pub. And they should eat at The Quality Chop House.