Cidades Musicais: DM Stith (Brooklyn- Nova Iorque)


DM Stith sempre foi um dos músicos que mais admiramos no cenário musical. Embora não seja muito conhecido pela maioria do público, o multi-instumentalista toca assuntos pesados com uma variedade de atmosfera  em Heavy Ghost e arrisca com o eletrônico criando ainda mais texturas musicais em Pigeonheart. Conseguimos então o nova-iorquino para falar da sua relação com a cidade e nos ofereceu uma das mais intrigantes entrevistas do projeto.

1. Qual é o seu relacionamento com a cidade?O que você gosta e odeia nela?

DM: Atualmente, meu lar é Nova Iorque. Vivi aqui por indas e vindas em 8 dos últimos 13 anos. Gostaria de poder dizer que é a bateria da minha alma, uma fonte de energia tão pura a direta que o tempo gasto aqui me deixa reduzido a uma casca que é a imagem pintada por tantos nova iorquinos criativos, de uma cidade que gera combustível de arte por alguma alquimia divina, mas esta não é minha experiência. Sou menos favorável a celebrar o lugar- é verdade que às vezes isso oferece ao ambiente profundas experiencias de arte, e encontrei várias pessoas incríveis no meu tempo em Nova Iorque, mas isso continua extremo em mente do desconforto perto do abuso. As pessoas não aparecem na porta de Nova Iorque desprovido de talento, implorando por um propósito- a cidade é um imã para as pessoas de todo o país, de todo o mundo, e infelizmente, o ambiente de NYC corrompe e empobrece tanto quanto a sustem e inspira. Minha cidade escolhida é Londres- não vivo lá ainda, mas tenho temperamento mais de um londrino do que de um nova iorquino. Me alimento de longas e caminhas (é difícil de perambular sem destino em uma cidade- matriz como NYC) e horas de reflexões quietas em um parque (parques em NYC são magníficos quando consegue encontrá-los, mas tendem a ser lotados, barulhentos e tratados mais como parques de diversão ao ar livre do que espaços construídos para permitir cidadãos a conectar com a natureza e recarregar), e uma boa conversa. Eu consigo uma boa conversa tanto em Nova Iorque quanto em Londres. Estou escrevendo agora esta resposta em um lago a poucos quilômetros do noroeste da cidade, que me ajuda a moldar esta posição. Odeio a cidade porque é um grande lugar esmagador. Eu amo a cidade porque tantas oportunidades estão lá e porque é um portão para o resto do mundo pra mim, figurativamente e literalmente.

2. Como a cidade que você vive é diferente das outras? O que há de especial nela?

DM: Eu, especificamente, vivo no Brooklyn. Moro em um armazém no Brooklyn, em uma vizinhança que, até recentemente, foi uma lacuna industrial entre vizinhanças residenciais. Eu adoro cidades grandes porque elas são capazes de criar e manter essas únicas bolhas de vizinhança-rascunhos de comunidades que do nível da rua parecem desolados, mas possuem máquinas criativas que alimentam as conversas culturais da cidade com o resto do mundo. Pessoas criativas de todos os lugares se encontram atraídas pelos seus cantos. Mas as pessoas são a melhor parte disso. Pessoas criativas frequentemente adquirem o senso de propósito nestas vizinhanças vazias.

3. A cidade ajuda a dar inspiração para escrever? Se sim, que músicas foram inspiradas em cidades?

DM: Engraçado, escrevi sobre deixar NYC, mas nunca sobre viver lá. Escrevi bastante sobre Londres- a maioria do meu segundo álbum (2016-Pigeonheart) foi escrito quando vivia e trabalhava lá. O álbum foi gravado com o produtor Ben Hillier ao redor de Londres e escrito no curso de alguns anos entre turnês. Também escrevi sobre Rochester, NY, uma cidade menor a poucos quilômetros de NYC. Mas não escrevi sobre NYC. Acho que ainda tenho dificuldade de sentir que é minha cidade. É um lugar de compromisso para mim e ainda não achei necessário escrever sobre este compromisso.

4.Alguma canção lembra uma cidade da qual você viveu? Como você se sente?

DM:Qualquer coisa sobre Paula Abdul. Sei que ela é de Miami, etc. mas há algo sobre as enormes ombreiras e os clipes ultra elaborados que gritam NYC para mim. Tem uma seriedade sexy e cômica nela- ela é incrivelmente talentosa do jeito dela. Também Sonic Youth. Se eu tivesse que escolher uma única música do Sonic Youth para moldar minha escolha de NYC, seria “Total Trash” do Daydream Nation. E “O Superman” de Laurie Anderson. Acho que esse seria meu NYC ideal. Mas somente posso falar da minha protegida perspectiva do que do lugar mesmo. É grandioso. Eu experiencio NYC como 10,0000 TVs e rádios ligados todos ao mesmo tempo- um grotesco arco íris de som. Sonic Youth e Laurie Anderson pegam esta impossibilidade desta cidade colorida ao vê-la fora de órbita.

 5. Você acha possível conseguir fazer uma música que ressoe a todos e pela música a pessoa entender sentimentos e até um pouco do lugar que você vive?

DM:Há pessoas ( etnomusicologistas) que dedicam uma vida investigando breve momentos de expressão musical em vizinhanças bem específicas em cidades como Nova Iorque. Eu certamente não sou treinado para falar neste nível sobre o relacionamento entre lugar e arte, mas sou totalmente fascinado quando outras pessoas falam sobre o tema. Acabei de terminar de ler “Compass” de Mathias Enard- um romance focado em um orientalista (um ocidental fascinado pelo Oriente próximo) e aponta um foco de luz que ele foi capaz de dividirem em específicos lugares e horas no Oriente Médio e a conversa entre música, literatura e história do ponto de vista de vantagem de um Ocidental. Uma dica para entender que a cultura é reiterada várias vezes no romance- que cultura requer perspectiva- que voyerismo cultural é um ato criativo e que algo criado é único para aquela linha de visão.

Pergunta final: Qual é a sua música favorita que fala de sua cidade e que lugar você recomendaria para um turista?

Digo “O Superman”. Esta seria a música tocada nos corredores quando os viajantes desembarcam em Nova Iorque

Na medida que turistas de NYC podem ir. Acho que eles deveriam todos experienciar um velha estação de metrô durante os dias quentes- vai feder xixi e lixo e será bem mais quente que o inferno literal, mas eles vão ver músicos absurdamente talentosos fazer uma performance para um público usando headphones que cancelam o som exterior.

 

Conheça um pouco mais sobre DM Stith:

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1. What’s your relationship with the city? What do you like about it? What do you hate about it?

DM: For the time being, my home city is New York. I’ve lived there on and off 8 of the last 13 years. I’d like to be able to say that it is my soul’s battery, an energy source so pure and direct that time spent away leaves me reduced to a husk for this is the image painted by so many creative New Yorkers, of a city generating that art-fuel by some divine alchemy, but this is not my experience. I’m less inclined to praise the place – true it sometimes provides the environment for profound art experiences, and I’ve met a lot of great people in my time in NY, but it remains an extreme in my mind of discomfort verging on abuse. People don’t show up on NYC’s doorstep devoid of talent, begging for a purpose –– the city is a magnet for people from all over the country, all over the world, and unfortunately, NYC’s environment corrupts and impoverishes as much as it sustains and inspires. My chosen city is London – I don’t yet live there, but I’ve the temperament of a Londoner much more than that of a New Yorker. I’m fed by long meandering walks (it’s hard to meander in a grid city like NYC), and hours of quiet reflection in a park (parks in NYC are magnificent when you can find them, but they tend to be crowded, loud and treated more as outdoorsy theme parks rather than spaces built to allow citizens to connect with nature and recharge), and good conversation. I get some good conversation in both NYC and London. I’m currently writing this reply on a lake a few hundred miles north west of the city, which may help to frame my stance. I hate the city because it’s a big bold brash place. I love the city because so many opportunities are there, and because it’s a gateway to the rest of the world for me, figuratively and literally.

2. How is this city different from others you know?

DM: Specifically, I live in Brooklyn. I live in a warehouse in Brooklyn, in a neighborhood that, up until recently, was an industrial lacuna between residential neighborhoods. I love large cities because they are capable of creating and maintaining these unique bubble neighborhoods — scrabbles of communities that from street level look desolate, but contain the creative engines that fuel the city’s cultural conversation with the rest of the world. Creative people from all over find themselves drawn to these crannies. But the people are the best part of it. Creative people often derive their sense of purpose in these blank slate neighborhoods. 

3. Does the city help you to be inspired to write? If so, what song has the city you live in inspired?

DM: It’s funny. I’ve written about leaving NYC, but not about living there. I’ve written quite a bit about London – most of my second album (2016’s “Pigeonheart”) was written while living and working there. That album was recorded with producer Ben Hillier around London and written over the course of a few years between tours. I’ve also written about Rochester, NY, a smaller city a few hundred miles north of NYC. But I haven’t written about NYC. I guess I still have a hard time feeling like it’s my city. It’s a place of compromise for me, and I haven’t yet found it necessary to write about that compromise. 

4.Does any song remind you of the city you live or lived in? How do you feel about it?

DM:Anything by Paula Abdul. I know she’s from Miami, etc, but there’s something about her enormous shoulder pads and ultra designed music videos that says NYC to me. There’s a comic sexy seriousness to her – she’s incredibly talented in her way. Also Sonic Youth. If I had to choose a single Sonic Youth song to frame my take on NYC, it’d be “Total Trash” from Daydream Nation. And “O Superman” by Laurie Anderson. I guess that’s my ideal NYC. But I can only talk about NYC in terms of my own personal entrypoint, and maybe these songs say more about my sheltered outlook than the place itself. It’s massive. I experience NYC as 10,000 TVs and radios playing all at once – a grotesque rainbow of sound. Sonic Youth and Laurie Anderson take on the impossibility of this colorful city by viewing it from orbit.

 5. Do you believe it is possible through music for people of other places to understand cultural habits, events or feelings that people have in your city?

DM: There are people (ethnomusicologists) who spend a lifetime investigating brief moments of musical expression is very specific neighborhoods in cities like New York and London. I’m certainly not trained to speak on that level about the relationship between place and art, but I am totally fascinated by it when others do. I just finished reading “Compass” by Mattias Enard – a novel centered on an orientalist (a Westerner fascinated by the Near East) and the pinpoints of light he’s been able to shed on specific times and places in the Middle East and the conversation between music, literature and history from a Westerner’s vantage point. A clue into understanding culture is reiterated over and over in the novel – that “culture” requires perspective – that cultural voyeurism is a creative act, and that thing created is unique to that line of sight.

Final question: what’s your favourite song about your city and what place do you recommend for a tourist to visit?

DM: I’ll say “O Superman”.  This should be the music played in the aisles as travelers into NYC deplane. 

As far as tourists in NYC go, I think they should all experience an old subway station during a heat wave – it’ll smell like pee and garbage, it’ll be literally hotter than the literal Hell, but they’ll get to see some absurdly talented musician perform to a crowd of people wearing noise-canceling headphones. 

 

Get to know more about DM Stith: