Cidades Musicais: Dingo Bells (São Paulo e Porto Alegre)

Dingo Bells conquistou o Brasil com seu som cheio de suíngue e rico em sonoridades que surpreendem sempre positivamente o ouvinte, e também suas letras que sempre apresentam as inseguranças e dilemas que enfrentamos durante a vida (sim, todo mundo muda um dia).  Conseguimos então falar com dois integrantes da banda: Rodrigo Fischmann (RF) que traz as suas impressões de Porto Alegre e Fabricio Gambogi (FG) que se mudou para São Paulo e fala um pouco da sua experiência e impressões de viver em São Paulo

1. Qual é o seu relacionamento com a cidade? O que você gosta e odeia nela?

FG: Atualmente, me desloco pela cidade principalmente de metrô e a pé, se chega bem longe assim e é um jeito bem interativo de se deslocar. Na madrugada, peço aplicativo – e aí as distâncias já ficam mais limitadas. Gosto da sensação de me perder entre as pessoas, de ver tanto tipo de gente, tanto indivíduo. Parece que, apesar de não haver mais espaço, sempre cabe mais um.  Não gosto de como o dinheiro determina o limite das suas experiências – mas acho que isso não exclusividade de São Paulo, né?

2. Como a cidade que você vive é diferente das outras? O que há de especial nela?

FG: Tem muita gente aqui! A cidade é gigantesca e abriga tanta coisa diferente, tanta cultura, tantas histórias de pessoas, que isso é uma força que, algumas vezes, me faz sentir vivo e conectado, mas outras vezes me dá uma sensação de solidão tremenda.

3. A cidade ajuda a dar inspiração para escrever? Se sim, que músicas foram inspiradas em cidades?

FG: Ajuda, mas pouca coisa saiu desde que estou morando aqui. Acho que ainda estou criando uma relação com meu espaço/tempo por aqui (rs).

4. Alguma canção lembra uma cidade da qual você viveu? Como você se sente?
RF: Tem uma canção óbvia sobre Porto Alegre, clichê, mas não por isso menos importante e emblemática, que é “Deu Pra Ti”, do Kleiton & Kledir. Lançada no disco de 1981, quando eles moravam no RJ, essa música me faz pensar em uma Porto Alegre antiga, saindo dos anos 70, entrando nos 80, em uma época de ouro que a gente ouve falar em histórias (e que provavelmente essa música se encarregou de embelezar na memória coletiva daqui).

5. Você acha possível conseguir fazer uma música que ressoe a todos e pela música a pessoa entender sentimentos e até um pouco do lugar que você vive?

RF: Acho que nada vai causar identificação com absolutamente todos, mas com certeza existem temas mais universais e que tocam a mais gente. como amor, alegria, melancolia, nostalgia, enfim, sentimentos. Porto Alegre é conhecida pelo frio e o gaúcho tem uma relação íntima com as temperaturas baixas. Isso traz um ar melancólico, triste, mas também doce. Vitor Ramil tem uma obra definitiva pra caracterização dessa estética e que o povo daqui se identifica muito. Ao mesmo tempo o olhar do campo, dos interiores do RS e o olhar urbano, da cidade de Porto Alegre, do gaúcho da capital.

Nós temos uma música chamada “Bahia”, mas que não fala exatamente sobre o Estado da Bahia, mas sim sobre um lugar no plano ideal, como na literatura houve a “Pasárgada”, a nossa Bahia é um escape para os problemas do dia-a-dia. Sendo assim, uma música não só consegue passar os sentimentos de onde a gente vive, mas também consegue passar sentimentos de onde a gente não vive.

6. Qual é a sua música favorita que fala de sua cidade e que lugar você recomendaria para um turista?

RF: “Ramilonga”, do Vitor Ramil (não por acaso, da mesma família dos criadores de “Deu Pra Ti”, que citei ali em cima. Eles souberam muito bem definir Porto Alegre em forma de música). Pra um turista eu recomendaria a Orla do Guaíba em um passeio a pé, saindo do Gasômetro. Pra mim, representa bem a cara de cidade pequena e cidade grande que Porto Alegre tem, onde as pessoas tomam mate, olham o por do sol, festejam e contemplam o dia.

 

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